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	<title>Arquivo de História - O Trabalho</title>
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		<title>70 anos da Revolução Húngara, uma insurreição contra a burocracia stalinista</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 18:47:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Completa-se 70 anos da Revolução Húngara dos Conselhos, movimento antiburocrático de trabalhadores e jovens que, na Hungria reivindicavam o direito de governar a propriedade expropriada da burguesia ao fim da II Guerra Mundial. A nacionalização da propriedade dos grandes meios de produção transcorreu entre 1946 e 1948, na continuidade do processo que derrotou a ocupação [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Completa-se 70 anos da Revolução Húngara dos Conselhos, movimento antiburocrático de trabalhadores e jovens que, na Hungria reivindicavam o direito de governar a propriedade expropriada da burguesia ao fim da II Guerra Mundial. A nacionalização da propriedade dos grandes meios de produção transcorreu entre 1946 e 1948, na continuidade do processo que derrotou a ocupação nazista, após a entrada do Exército Vermelho em Budapeste, em 17 de janeiro de 1945.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À expropriação da burguesia não correspondeu à implantação de um regime baseado nas organizações das massas, a quem a burocracia stalinista negou qualquer possibilidade de exercerem diretamente o poder. Os acontecimentos de 1956 sintetizaram esta situação e vinham na continuidade da luta da classe operária no Leste Europeu que já tinha se levantado em Berlim, em 1953 e na Polônia neste mesmo 1956.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="574" height="487" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias.jpg" alt="" class="wp-image-22664" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias.jpg 574w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-150x127.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-300x255.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-176x149.jpg 176w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-70x59.jpg 70w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-323x274.jpg 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-424x360.jpg 424w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-188x160.jpg 188w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-82x69.jpg 82w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-233x198.jpg 233w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-276x234.jpg 276w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-259x220.jpg 259w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-307x260.jpg 307w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-356x302.jpg 356w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/revolucao-hungara-contexto-historico-causas-e-consequencias-453x384.jpg 453w" sizes="(max-width: 574px) 100vw, 574px" /><figcaption class="wp-element-caption">O povo em armas em Budapeste</figcaption></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-6 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>O levante</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A agitação revolucionária começa pelas iniciativas de uma associação de trabalhadores, intelectuais e estudantes de Budapeste chamada Círculo Petofi, que formulava a exigência da retirada das tropas soviéticas estacionadas no país e da passagem do poder a Imre Nagy e seus companheiros, que exercera a função de primeiro-ministro entre 1953 e 1955, mas que opunha certa resistência ao domínio soviético.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O movimento cresce e desemboca no outubro húngaro: em 23/10, uma manifestação em solidariedade aos trabalhadores poloneses é atacada a tiros pela polícia política, com mortos e presos. Os manifestantes se armam e um fato maior, que marca as revoluções, ocorre: os soldados do exército se negam a disparar contra o povo e, depois, abrem o arsenal para as massas. Em 25, arrastando operários fabris de Budapeste, um enorme ato se concentra na porta do parlamento, exigindo a remoção do secretário-geral do PC Húngaro e um encontro com Nagy que se encontrava refém do regime.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-7 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Os Conselhos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O fato capital, contudo, ocorre depois de 25 de outubro: uma greve geral insurrecional explode no interior do país e faz brotar Conselhos de delegados operários e camponeses. O primeiro surge na localidade de Miskolc, mas logo eles se espalhariam por todo o país. Pela primeira vez organismos de tipo soviético se formavam desde a Revolução de Outubro na Rússia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Conselhos elaboraram diferentes programas, mas coincidiam nos pontos essenciais: um governo que integrasse seus representantes e os partidos operários e camponeses (proibidos até ali). Mantinham a exigência da passagem da liderança para Nagy, liberdade de organização e expressão política, artística e cultural, revisão do plano econômico com aumento geral de salários e obviamente a retirada das tropas soviéticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais tropas russas são enviadas à Hungria, mas os soldados que esperavam se deparar com uma contrarrevolução fascista (como dizia a burocracia de Moscou) encontram o povo armado e organizado em Conselhos populares livremente eleitos. Muitos se negam a combater. A burocracia recua. Nagy é libertado e constitui um governo que reconhece os Conselhos, dissolve a odiada polícia política, reforma o exército, incorporando os combatentes populares. Mas as tropas russas seguem estacionadas no país. Enquanto isso, os sindicatos avançam a reivindicação ao novo governo de controle operário da produção.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="720" height="405" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/hung1.jpg" alt="" class="wp-image-22665" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/hung1.jpg 720w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/hung1-150x84.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/hung1-300x169.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/hung1-324x182.jpg 324w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/hung1-695x391.jpg 695w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/hung1-284x160.jpg 284w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/hung1-356x200.jpg 356w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/hung1-464x261.jpg 464w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/hung1-684x385.jpg 684w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /><figcaption class="wp-element-caption">Busto de Stálin no chão durante a revolução, em Budapeste</figcaption></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-8 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Um novo partido</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2 de novembro, Nagy dá o passo inaceitável para o stalinismo: constitui um novo partido, o Partido Socialista Operário e incorpora ao governo todos os partidos operários e camponeses. A burocracia soviética envia novas tropas à Hungria, na chamada “Operação Redemoinho”. Uma situação em que as massas avançavam no exercício direto do poder lhe era insuportável e soava como uma ameaça a ela mesma. O imperialismo, igualmente temeroso, assiste calado.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-9 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Repressão e resistência</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os tanques russos avançam contra as massas no mês de dezembro. Os bairros operários das grandes cidades serão os bastiões de resistência. Os operários militantes do PC Húngaro da fábrica CAEPEL dão a maior demonstração de luta. Nagy é removido e, num breve cessar fogo, os Conselhos elegem um Conselho Central Operário em Budapeste, único poder realmente reconhecido e que passa a coordenar a greve geral que, agora, exigia a volta de Nagy, eleições gerais, o reconhecimento dos partidos que defendem a propriedade coletiva e naturalmente a partida das tropas russas. O governo fantoche colocado pelos russos faz algumas concessões, mas não cede aos Conselhos. A repressão é brutal e o governo tenta decapitar o movimento com a prisão em massa de dirigentes dos conselhos. A greve e os combates continuam, mas são sufocados pela interdição do fornecimento de alimentos aos centros operários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente uma nova greve de 48 horas é convocada pelo Conselho Central Operário em 21 de dezembro, ao cabo do que os conselhos chamam a volta ao trabalho que só se realiza muito lentamente, até a assinatura de um acordo que, apesar da resistência que prossegue, abre a via para a “normalização”.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-10 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Tragédia provocada pela burocracia stalinista</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O saldo da intervenção da URSS constitui uma das maiores tragédias do movimento operário: 80 mil mortos nos combates de rua, outros mil mortos sob tortura e 20 mil presos. Nagy foi condenado à morte e enforcado em 1958.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Revolução dos Conselhos foi um ponto culminante da luta dos trabalhadores do Leste Europeu pela revolução política, isto é, pela passagem do controle da propriedade do Estado para a classe operária por meio de seus órgãos de poder. Ela prosseguiu até a destruição da propriedade social, fruto da persistência dos regimes stalinistas que conduziu à restauração capitalista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Eudes Baima</strong></p>
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		<title>Tribunal Internacional Katrina em 2007 cobrou governos nos EUA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 18:33:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Furação era uma tragédia anunciada Há 21 anos, em agosto de 2005, um furacão chamado Katrina destruiu a cidade de Nova Orleans no estado da Luisiana nos EUA. Cerca de 80% da cidade ficou submersa após o rompimento dos diques de proteção, pois a cidade fica abaixo do nível do mar.  Os fatos revelaram uma intenção [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Furação era uma tragédia anunciada</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há 21 anos, em agosto de 2005, um furacão chamado Katrina destruiu a cidade de Nova Orleans no estado da Luisiana nos EUA. Cerca de 80% da cidade ficou submersa após o rompimento dos diques de proteção, pois a cidade fica abaixo do nível do mar. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="960" height="530" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/nova_orleans_040813-1.0.96070279-gpLarge.jpg" alt="" class="wp-image-22655" style="width:630px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/nova_orleans_040813-1.0.96070279-gpLarge.jpg 960w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/nova_orleans_040813-1.0.96070279-gpLarge-150x83.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/nova_orleans_040813-1.0.96070279-gpLarge-300x166.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/nova_orleans_040813-1.0.96070279-gpLarge-768x424.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/nova_orleans_040813-1.0.96070279-gpLarge-322x178.jpg 322w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/nova_orleans_040813-1.0.96070279-gpLarge-696x385.jpg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/nova_orleans_040813-1.0.96070279-gpLarge-289x160.jpg 289w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/nova_orleans_040813-1.0.96070279-gpLarge-355x196.jpg 355w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/nova_orleans_040813-1.0.96070279-gpLarge-472x261.jpg 472w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /><figcaption class="wp-element-caption">Nova Orleans submersa após o furacão Katrina em 2005</figcaption></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-15 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Os fatos revelaram uma intenção</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Um relatório feito pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis, em 2007, indicou que dois terços das inundações foram causadas por falhas nas barreiras da cidade e pelas comportas que não foram fechadas. Os bairros mais pobres sofreram os maiores impactos dos rompimentos dos diques. A lentidão no resgate das vítimas expôs o descaso com a comunidade negra: 200 mil casas ficaram debaixo de água, a maioria em bairros pobres. Mais de um milhão de habitantes foram evacuados, a maioria à força, enviados para ‘campos’ na Louisiana, Texas e Missouri. As forças federais e a Guarda Nacional do então presidente George W. Bush (Partido republicano), com a ajuda do prefeito Ray Nolan (Democrata) colocaram a cidade sob “lei marcial”. O prefeito declarou: “os policiais não precisam se preocupar com os direitos civis”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Katrina deixou mais de dois mil mortos, milhares de desaparecidos e mais de 800 mil sem abrigo, sem emprego, abandonados à própria sorte. Na maior diáspora estadunidense desde a guerra civil no século 19, a deportação massiva “esvaziou” a cidade sua população negra e pobre. Segundo o Censo de 2006, menos da metade das pessoas continuaram vivendo em Nova Orleans, com um declínio de 219.563 habitantes.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-16 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Tribunal Internacional Katrina</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eles nos deixaram morrer”. Esta foi a acusação lançada contra o governo estadunidense. Um Tribunal Internacional foi organizado em setembro de 2007, segundo ano da tragédia, pelo Fundo Popular de Ajuda às Vítimas do Furacão (PHRF-OC) e pela Coalizão de Militantes Negros Sobre o Katrina e impulsionado pelo AcIT (Acordo Internacional dos Trabalhadores), para julgar e <strong>denunciar a negligência e violação de direitos humanos</strong> por parte dos governos federal, estadual e municipal dos Estados Unidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo as denúncias do Tribunal, o governo concedeu contratos sem licitações para empresas com vínculos com a administração Bush; transgrediu códigos de proteção aos trabalhadores; marginalizou milhares de desabrigados; estabeleceu programa de reconstrução que excluía a população negra (majoritária), reservando extensos setores de Nova Orleans para investimentos privados, numa limpeza étnica sem precedentes, impedindo que a população negra voltasse a se instalar ali.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-17 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>No Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma extensa campanha &#8211; na qual a corrente O Trabalho atuou – foi impulsionada também pela Juventude Revolução uniu entidades como a Conen, MNU, CUT, UNE, PT, PSTU, Conlutas, SOS Racismo, Yle Ase Ya Odo Alafin ni Oyo, Fórum Estadual de Mulheres Negras-SP, Frente Parlamentar Para Promoção da Igualdade Racial-Alesp e Unegro em atos e eventos preparatórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A delegação brasileira que esteve no Tribunal foi coordenada pelo então deputado estadual José Cândido (PT-SP) e contou ainda com Edenice Santana (CUT-BA), Milton Barbosa (MNU), Rafael Pinto(CONEN), deputado Vicente Cândido (PT SP) e Joelson Souza (militante da JR e diretor da UEB). O deputado José Cândido e Mílton Barbosa fizeram parte do corpo de jurados no Tribunal Internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos brasileiros, estiveram presentes delegações Argélia, Brasil, França, Guadalupe, Martinica, México, África do Sul, Venezuela e Estados Unidos.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-18 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>A sentença</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“É nossa visão que o Governo dos EUA cometeu crimes contra humanidade particularmente em re­lação a seu fracasso em manter funcionando os diques que deveriam proteger a cidade de Nova Orleans da inundação. Foi uma gestão negligente do governo dos EUA, do Estado de Louisiana e do Município de Nova Orleans que criaram a devastação que continuamos ver ainda hoje”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O júri internacional concluiu também que o impacto desproporcional da tragédia sobre a população afro-americana não foi um acidente, mas resultado de um histórico de segregação, falta de investimento em infraestrutura em bairros pobres e desrespeito aos direitos civis. Denunciou a limpeza étnica e despejo forçado e o impedimento do retorno de milhares de famílias negras e pobres, caracterizando um processo de gentrificação. E exigiu o direito ao retorno e reparação financeira a todas as vítimas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Barbara Corrales</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="694" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-1024x694.jpg" alt="" class="wp-image-22656" style="width:545px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-1024x694.jpg 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-150x102.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-300x203.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-767x520.jpg 767w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-1536x1042.jpg 1536w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-323x219.jpg 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-695x471.jpg 695w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-1068x724.jpg 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-235x159.jpg 235w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-355x241.jpg 355w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-324x220.jpg 324w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-384x260.jpg 384w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-567x385.jpg 567w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-716x486.jpg 716w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation-855x580.jpg 855w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Trib-Brazil-delegation.jpg 1628w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Delegação Brasileira (esquerda para direita): Deputados José Cândido e Vicente Cândido (PT-SP), Milton Barbosa (MNU), Joelson Souza (Juventude Revolução), Edenice Santana (Conem)</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="826" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-preparatorio-do-Tribunal-Katrina-na-Aleso-em-SP.-Edenice-Julio-Turra-o-entao-deputado-estadula-Cido-Serio-e-Flavio-Jorge-in-memorian-pela-Conem-1024x826.jpg" alt="" class="wp-image-22657" style="aspect-ratio:1.2397358207938993;width:539px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-preparatorio-do-Tribunal-Katrina-na-Aleso-em-SP.-Edenice-Julio-Turra-o-entao-deputado-estadula-Cido-Serio-e-Flavio-Jorge-in-memorian-pela-Conem-1024x826.jpg 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-preparatorio-do-Tribunal-Katrina-na-Aleso-em-SP.-Edenice-Julio-Turra-o-entao-deputado-estadula-Cido-Serio-e-Flavio-Jorge-in-memorian-pela-Conem-150x121.jpg 150w, 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Edenice Santana (CUT-BA), Julio Turra (CUT-SP), deputado estadual Cido Serio (PT-SP) e Flávio Jorge (CONEM)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br></p>
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		<title>77 anos da Revolução Chinesa</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 18:20:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A questão da organização independente da classe trabalhadora Há 77 anos, a China vivia um momento maior na história do século XX: em 1° de outubro de 1949 era proclamada a República Popular da China. Como em outros países, a luta contra a ocupação estrangeira, no caso, do Japão, que integrava o Eixo ao lado [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>A questão da organização independente da classe trabalhadora</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há 77 anos, a China vivia um momento maior na história do século XX: em 1° de outubro de 1949 era proclamada a República Popular da China. Como em outros países, a luta contra a ocupação estrangeira, no caso, do Japão, que integrava o Eixo ao lado da Alemanha nazista e da Itália fascista, se combinou com o combate contra a própria burguesia chinesa, uma classe dominante prostrada aos pés do imperialismo e incapaz de liderar a luta nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao cabo do esforço que expulsou os japoneses da China e da Manchúria, o exército popular que seguiu Mao Tse Tung e o Partido Comunista Chinês foi levado a expropriar o capital e estabelecer um regime de economia planificada no país. O fato ganha maior relevância quando se recorda que a ação das massas chinesas desafiou a política de coexistência pacífica com o imperialismo que Stálin, a frente da União Soviética, sustentou no pós-guerra. A Revolução Chinesa representou um abalo no pacto de repartição do mundo entre Stálin e as potências imperialistas, em particular os EUA. E por isso, enquanto pôde, a burocracia soviética se opôs a ela.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="900" height="890" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112.jpg" alt="" class="wp-image-22651" style="aspect-ratio:1.0112570356472796;width:402px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112.jpg 900w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-150x148.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-768x759.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-300x297.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-60x59.jpg 60w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-151x149.jpg 151w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-696x688.jpg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-70x69.jpg 70w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-364x360.jpg 364w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-324x320.jpg 324w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-200x198.jpg 200w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-222x220.jpg 222w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-161x159.jpg 161w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-237x234.jpg 237w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-356x352.jpg 356w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-263x260.jpg 263w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-467x462.jpg 467w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-389x385.jpg 389w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-491x486.jpg 491w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/19112-586x579.jpg 586w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption class="wp-element-caption">Comemoração da vitória da revolução em Pequim, 1949</figcaption></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-26 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Antecedentes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A revolução proletária na China se gestou ao longo de décadas. Ela remonta ao processo de luta pela independência do país, em particular aos acontecimentos de 1911. Ao longo de todo o século XIX a China foi integrada à força das armas ao mercado mundial, a partir do episódio conhecido como a Guerra do Ópio, que expôs as riquezas nacionais à pilhagem de diferentes potências ocidentais, particularmente a Inglaterra. Em 1911, grandes lutas populares são encabeçadas pelo dirigente nacionalista Sun Yat-Sen que culmina na Proclamação da República que, contudo, termina nas mãos de um fantoche das potências estrangeiras, o general Yuan Shikai, sob o qual o país passa pela 1ª Guerra Mundial, que tem como efeito uma profunda desorganização da economia nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1924, Sun Yat-Sen reorganiza as forças populares no partido nacionalista, o Kuomitang, e, a seguir, entrega seu efetivo militar a Chiang-Kai-Chek. Fundado em 1921, na onda revolucionária iniciada com a Revolução Russa, o Partido Comunista Chinês (PCC) adota uma correta política de frente única com os nacionalistas, orientado pela Internacional Comunista (IC), ainda orientada pelas Teses sobre o Oriente, adotadas em seu 4° Congresso.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-27 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>E revolução de 1927 e o stalinismo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A orientação de Frente Única Anti-imperialista contida nas Teses, entretanto, exigia uma completa independência política dos operários e camponeses em relação à burguesia nacionalista que, ainda que com contradições significativas com o imperialismo, tinha, ao fim e ao cabo, seu destino ligado a ele. Com a morte de Sun em 1925, Chiang-Kai-Shek passa a ser o chefe do Kuomintang e chega a ser eleito como membro honorário do Presídium da Internacional Comunista, dentro da política de Stálin de controlar a revolução chinesa no marco do capitalismo. O Partido Comunista Chinês, nesta lógica, praticamente abandona a vida independente, se dissolvendo no Kuomitang nacionalista em nome da unidade contra o imperialismo. No momento crucial da luta, em 1927, o Partido Comunista lidera uma rebelião popular na importante cidade de Xangai, o que permitiu o êxito da entrada do exército nacionalista de Chiang-Kai-Shek.<br>Incontinente, diante do desarme político da militância em função do enfeudamento do partido à orientação da cúpula da Internacional Comunista nos primeiros tempos da stalinização, Chiang-Kai-Shek desencadeia uma onda repressiva contra os comunistas em abril de 1927.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois do massacre de Xangai, em abril de 1927, Stalin tentou um novo giro, passando da subordinação a Chiang Kai-shek à submissão à esquerda do Kuomintang, identificada com Wang Ching-wei. Depois disto, o levantamento de Pequim e, em especial o de Cantão, foram reações espontâneas à política anterior de capitulação a Chiang Kai-shek. Não tinham, entretanto, chance de vitória e por isso Trotsky defendeu um recuo organizado para preservar o partido para o próximo período das lutas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A burocracia stalinista à testa da Internacional Comunista, ao contrário, usou a ação desesperada em Pequim e Cantão como ato inaugural da política sectária do “3º Período”, cujos resultados trágicos se mostrariam na Alemanha de 1932-33. Com efeito, Pequim e principalmente Cantão assistiram a novos massacres de comunistas. A orientação sectária já no período de descenso da revolução foi uma continuação da orientação oportunista de submissão à direção do Kuomintang, resultando, no conjunto, na derrota do proletariado chinês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A política da burocracia dirigente da Internacional Comunista teve, assim, uma coerência nas várias etapas da revolução, o que levou Trotsky a cognominar Stalin de “o grande organizador de derrotas” (A Internacional Comunista Depois de Lenin, 1928). O fato marcou o movimento operário e camponês Chinês por muitos anos, obrigando a uma longa retirada de milhares de quilômetros conhecida como a Grande Marcha, que arrastou atrás de si centenas de milhares de trabalhadores do campo e das cidades.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-28 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>A marcha e a luta contra a ocupação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A marcha se fortalece pelo lugar que ocupa na luta contra a ocupação japonesa durante a 2ª Guerra, em face do nacionalismo impotente de Chiang-Kai-Shek que, entretanto, é colocado no poder pelos &#8220;4 Grandes&#8221; (EUA, França, Inglaterra e URSS) depois da derrota do Japão. O movimento liderado pelo Partido Comunista, contudo, já se tornara majoritário no país. A situação revolucionária aberta com a expulsão dos japoneses culminará na entrada de Mao Tse Tung e Chu Enlai, principais dirigentes do Partido Comunista, em Pequim em 1° de outubro de 1949, depois de seu exército já controlar todo o Norte da China.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-29 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>O novo regime</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse novo regime, fruto direto da pressão das massas armadas, não origina, porém, órgãos de poder próprios dos operários e camponeses que de fato asseguraram a vitória sobre Chiang-Kai-Shek e o imperialismo. O poder se identificará imediatamente com a cúpula do Partido, o qual vai ocupar todos os níveis do poder de Estado, sem jamais permitir à classe trabalhadora constituir as suas próprias instituições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas um movimento de centenas de milhões não poderia deixar de realizar transformações profundas: a nacionalização da economia na base da expropriação do capital, a planificação econômica, autênticas conquistas da revolução, permitirão um salto de séculos num país ainda firmado na hegemonia de uma economia oligárquica, ainda mantida no século XX pelas potências imperialistas interessadas no atraso Chinês. A burocracia soviética, depois de se opor à tomada do poder, foi obrigada a dar apoio ao plano quinquenal chinês, mas, já nos anos 50, abandonou a China à própria sorte, como parte dos acordos com o imperialismo. Mao, que expressava uma política de apoio a Stálin (apoio expresso num tratado de amizade entre os dois países assinado em 1950), se verá frente a este paradoxo.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-30 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Guerra interna no aparelho</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo de décadas, se desenvolveu uma guerra interna no aparelho do Partido Comunista entre diferentes facções na qual as massas foram usadas hora contra uma, hora contra outra fração, sem que nenhuma delas abrisse espaço para seu protagonismo. Ao contrário, o regime de partido único levou parte importante dos que lutavam pelo Direito à livre organização, especialmente jovens, aos enfrentamentos de 1989 que terminaram no massacre da Praça da Paz Celestial. Desde meados dos anos 70, ainda sob Mao, mas sobretudo sob Deng Xiao-Ping, se iniciará uma política de abertura ao capitalismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Taxas de juros altas e a criação de zonas livres da legislação revolucionária de 1949, as Zonas Econômicas Especiais, onde não vigoram as proteções aos trabalhadores, atraíram milhares de investidores estrangeiros, explorando o baixo custo da mão de obra chinesa, disciplinada pelo regime de partido único e controle estatal dos sindicatos (o direito de greve foi proibido em 1982).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado foi um ciclo de produção e prosperidade, na base de uma profunda violação dos direitos conquistados na Revolução, que resultou num produto nacional bruto que, contraditoriamente se baseando numa outra conquista da revolução, a planificação econômica, permitiu à burocracia dirigente associar setores de uma nova burguesia, bem como o próprio capital transnacional, num movimento de conquista de mercados mundo afora.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-31 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Atualidade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos 40 anos, o PIB chinês cresceu à taxa média de cerca de 10% ao ano. Esse crescimento criou “milionários”, aumentou os privilégios da casta burocrática e a desigualdade social no país, tendo como efeito o surgimento de novas lutas internas na cúpula do poder e fenômenos de resistência popular. Mas também abalou o mercado mundial, no qual a economia capitalista anárquica precisa enfrentar a ameaça centralizada chinesa, levando à brutal guerra comercial em curso, especialmente sob o governo de Trump nos EUA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A “milagrosa” economia chinesa se enfrenta e se enfrentará com a estagnação do mercado e da economia mundial, onde a produtividade cresce em progressão geométrica, mas o consumo se desenvolve o máximo em progressão aritmética. Novos sacrifícios em nome da produtividade serão exigidos do proletariado chinês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Passados 77 anos da vitória da revolução chinesa, as massas exigirão a parte que lhe cabe na prosperidade nacional. E isto recolocará fatalmente o problema de seu direito à própria organização independente. A classe trabalhadora, há 77 anos, assaltou os céus da gigantesca China, onde, por sua importância, em boa parte se joga o futuro da humanidade. Ela, a classe trabalhadora, dará a última palavra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Eudes Baima</strong></p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-32 wp-block-paragraph" style="font-size:23px"><br><strong>Série de paralisações nas últimas semanas</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="778" height="430" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china.jpg" alt="" class="wp-image-22652" style="width:494px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china.jpg 778w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china-150x83.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china-300x166.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china-767x424.jpg 767w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china-324x179.jpg 324w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china-695x384.jpg 695w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china-289x160.jpg 289w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china-472x261.jpg 472w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china-355x196.jpg 355w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/china-696x385.jpg 696w" sizes="(max-width: 778px) 100vw, 778px" /><figcaption class="wp-element-caption">Trabalhadores da Chuangyue Fashion Co. Durante paralisação</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No último 9 de setembro, trabalhadores reivindicaram salários atrasados e ​​estenderam uma faixa com os dizeres: “Paguem-nos o que nos é devido! Devolvam-nos nosso dinheiro duramente ganho!”, sobre o logotipo gigante da MixC, na parede externa do shopping center Nanjing Chengbei, na província de Jiangsu. Os funcionários da Chuangyue Fashion Co., uma subsidiária do grupo Zhejiang Huading, entraram em greve por dois dias consecutivos, nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, para protestar em frente aos portões da empresa depois que cortes salariais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os trabalhadores da fábrica China Ting-Concept Creator, em Hangzhou, também entram em greve por dois dias consecutivos (31 de agosto – 1º de setembro) em função de uma redução salarial mensal de mais de 1.000 yuans. Centenas de trabalhadores do grupo Shanghai Huate entram em greve por vários dias para reivindicar salários atrasados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De 18 a 21 de agosto, centenas de trabalhadores das fábricas Huagu, Ziyuan e Huate – três unidades do grupo Huate localizadas no distrito de Jiading, em Xangai – iniciaram uma greve geral. Eles se reuniram em frente ao Instituto de Arbitragem de Conflitos Trabalhistas e de Pessoal do distrito de Jiading, na sede do grupo Huate e em outros locais, reivindicando quatro meses de salários atrasados.</p>
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		<title>Há 20 anos: nossa luta contra Ação Penal 470 de perseguição ao PT e seus dirigentes</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 17:09:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ofensiva exprimia o horror das oligarquias e suas instituições com a organização dos trabalhadores 6 de junho de 2005: A Folha de São Paulo publica entrevista exclusiva do então deputado federal Roberto Jefferson (PTB), que denuncia o governo Lula (primeiro mandato) de pagar R$30.000,00 para deputados votarem suas propostas. A entrevista vitaminou a sanha das [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Ofensiva exprimia o horror das oligarquias e suas instituições com a organização dos trabalhadores</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>6 de junho de 2005</strong>: A Folha de São Paulo publica entrevista exclusiva do então deputado federal Roberto Jefferson (PTB), que denuncia o governo Lula (primeiro mandato) de pagar R$30.000,00 para deputados votarem suas propostas. A entrevista vitaminou a sanha das classes dominantes contra o PT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se tratava de dizer que o PT e seus dirigentes ou militantes não poderiam cometer erros. Tratava-se de compreender o que estava em jogo. Uma síntese desta compreensão o jornal O Trabalho publicou na edição 724, de 21 de fevereiro de 2013 (auge dos julgamentos dos petistas), um artigo de Trotsky, “<em>Nossa moral e a deles”.</em> Diz Trotsky sobre as pressões da hipócrita moral burguesa e a necessidade de <em>“romper moralmente com a opinião pública da burguesia”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ofensiva contra o PT na AP 470 colocou à prova a capacidade da direção do partido de <em>“romper moralmente com a opinião pública burguesa</em>”. A direção não passou na prova. Não rompeu com a opinião pública burguesa e nem com suas instituições regentes da orquestra antipetista, com alguns setores ditos de esquerda dentro do PT, entrando no cântico da ética.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Corrente O Trabalho, no seu jornal, na intervenção nas instâncias do partido e atos que organizou em defesa dos companheiros do PT, não baixou guarda. No jornal O Trabalho neste período há um vasto material, com editoriais, reportagens, artigos e entrevistas que refletem nosso combate. Parte dele está publicado na brochura “Em defesa do PT e dos direitos democráticos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>De 2005 a 2012:</strong> começa o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da AP 470. Em outubro de 2012, na edição 719, O Trabalho publica um editorial intitulado “Julgamento de exceção contra o PT”. O Diretório Nacional do PT reunido em novembro, denuncia irregularidades do julgamento, mas nenhuma ação prática tirou para defender nosso partido e seus dirigentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma carta de José Genoíno, ex-presidente do PT, também julgado na AP 470 e depois preso marcou esta reunião. Escreve Genoíno:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Dizem no Brasil que as decisões do STF não se discutem, apenas são cumpridas. Discordo e reservo-me o direito de discutir a sentença que me foi imposta e que serei obrigado a cumprir. Este julgamento ocorre em meio a uma diuturna e sistemática campanha de ódio contra meu partido.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Trabalho e outros setores do PT que se dispusessem, organizou atos em defesa do PT e de nossos companheiros. Um foi na sede do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, em 24 de novembro de 2013. Um auditório lotado de militantes dispostos a lutar contra a hipocrisia da moral burguesa, em defesa do PT. Julgados, José Genoíno e José estiveram presentes. Em sua fala Genoíno fez uma imagem que vale recuperar. Disse que sentia com esta nossa iniciativa a mesma sensação que sentiu, quando preso pela ditadura, ao ter recebido, por baixo da porta da cela, uma garrafa de água para matar sua sede. Pois é, em grande parte da base petista havia a sede de defender seu partido, mas a direção não lhes passou uma garrafa de água.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Junho de 2013:</strong> reúne-se em Brasília o 5º Congresso do PT. No plenário levamos faixas em defesa do PT contra a AP470 e adesivos que exigiam “liberdade para os presos políticos do PT”. Em frente ao local do Congresso, jovens se reuniam ávidos por uma reação do partido. Mas ela não veio.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="233" height="300" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/congresso_pt_2013-233x300-ap-470.webp" alt="" class="wp-image-22624" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/congresso_pt_2013-233x300-ap-470.webp 233w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/congresso_pt_2013-233x300-ap-470-116x150.webp 116w" sizes="(max-width: 233px) 100vw, 233px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na discussão congressual, uma emenda que apresentamos com várias assinaturas, incluindo membros da Construindo Um No Brasil, defendia uma campanha nacional para desconstruir a farsa jurídica e exigir a libertação de nossos companheiros presos. À época, José Genoíno, Zé Dirceu e Delúbio Soares. João Paulo Cunha estava para entrar. A proposta foi rejeitada pela maioria que escolheu fazer os recursos jurídicos, dentro da lei (!!!), a lei que nos perseguia, e virar a página. Temiam “cutucar a onça com vara curta”, pois não estava no radar apelar para a mobilização da militância, colocando os pingos nos Is. E a onça, poupada, virou a página para a Lava Jato.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-34 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>A história não se repete, ela continua</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desarme do partido na luta contra a AP 470 levou ao desfecho seguinte. A prisão de ex-presidentes, de tesoureiros, de parlamentares do PT, sem uma reação à altura do partido foi um “exercício” de fortalecimento muscular das instituições, em consonância com as classes dominantes e a política imperialista, para seguir nos atacando.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 de abril de 2018</strong>: O STF termina o julgamento do pedido de habeas corpus preventivo para Lula. A votação estava 5 a 5 e à então ministra Rosa Weber caberia desempatar. E ela desempatou: 6&#215;5 contra Lula. 20 horas depois desta decisão o ímprobo Sérgio Moro decretou a prisão de Lula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois é. O atual STF é o mesmo que vemos agora, ainda queda que variem alguns ministros. Um STF que está nu, uma nudez as togas não escondem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No luta contra a AP 470, levantamos, e seguimos levantando, a necessidade de uma reforma política profunda, no caminho de uma Assembleia Constituinte Soberana. De lá para cá, a podridão das instituições que prenderam nossos dirigentes na ofensiva inaugurada pela AP 470, fede cada vez mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, com outros setores do PT, O Trabalho, com o Diálogo e Ação Petista, integra o movimento por uma reforma política radical, o que só o povo com a palavra pode fazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste 2026 em que marcos nossos 50 anos de luta, podemos dizer que mantivemos, desde nosso primeiro ano, nosso compromisso com a luta independente dos trabalhadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Independência que preservamos na nossa atividade política pelo esforço de ela seja sustentada pelos que apoiam nossa luta. A partir de outubro iniciaremos nossa tradicional, de décadas, campanha de arrecadação com nosso calendário. Em 2027 dedicado à luta das mulheres trabalhadoras contra a opressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Misa Boito</strong></p>
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		<title>Campanha pela retirada das tropas do Haiti</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 18:10:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luta contra a ocupação militar da ONU com a mão dos EUA e liderada pelo Brasil O Haiti, hoje o país mais pobre do continente, foi a primeira república negra das Américas. Liderados por um ex-escravizado, Dessalines, derrotaram as tropas de Napoleão e proclamaram sua independência em 1804, um verdadeiro processo revolucionário. Marcado por invasões [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong><br><em>Luta contra a ocupação militar da ONU com a mão dos EUA e liderada pelo Brasil</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>O Haiti, hoje o país mais pobre do continente, foi a primeira república negra das Américas. Liderados por um ex-escravizado, Dessalines, derrotaram as tropas de Napoleão e proclamaram sua independência em 1804, um verdadeiro processo revolucionário. Marcado por invasões e golpes de Estado, o país foi ocupado por espanhóis, franceses e estadunidenses durantes os últimos séculos. Após 222 anos de sua independência, o Haiti segue sendo atacado, em grande medida, pelo significado do movimento que originou a nação e combinou luta nacional e de libertação dos escravizados.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-39 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Em 2004, uma nova ocupação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O sequestro do presidente do Haiti, Jean Bertrand Aristide, orquestrada pelo governo estadunidense abriu espaço para a ocupação militar do país. Em 2004, a convite do presidente George W. Bush, Lula aceitou liderar das tropas. E a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti), ocupou o país sob mandato da ONU, mas a direção política seguia com os EUA, Canadá e França. A missão, com contingentes de mais de 30 países, durou até 2017, deixando mais de 30 mil mortos e um rastro de destruição e violência contra a soberania do povo haitiano.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-40 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Laboratório de golpes: bolsonarismo e UPPs</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante esse período, o Brasil enviou cerca de 37 mil soldados e oficiais ao Haiti. Vários comandantes da Minustah, posteriormente, ocuparam cargos importantes no governo Bolsonaro. Entre eles, Augusto Heleno, associado à operação que matou 63 haitianos em Cité Soleil em 2005 e posteriormente ministro-chefe do GSI; Santos Cruz, ministro-chefe da Secretaria de Governo; Luiz Eduardo Ramos, que comandou tropas no Haiti e depois foi ministro da Casa Civil; Floriano Peixoto, posteriormente secretário-geral da Presidência; e Edson Pujol, comandante da Minustah entre 2013 e 2014 e depois comandante do Exército. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ex-ministro de Bolsonaro esteve no Haiti, assim como Fernando Azevedo e Silva, ex-ministro da Defesa e Otávio Rêgo Barros, depois porta-voz do governo Bolsonaro. Em 2011, o então ministro da Defesa no governo Lula, Nelson Jobim, afirmou que a atuação do Exército brasileiro no Haiti, voltada à “manutenção da lei e da ordem”, poderia ser aplicada no país. As operações no Haiti serviram como laboratório para intervenções militares no Brasil, incluindo as ações de GLO e as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de Janeiro.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="723" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-1024x723.png" alt="" class="wp-image-22579" style="width:509px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-1024x723.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-150x106.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-300x212.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-767x542.png 767w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-323x228.png 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-212x150.png 212w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-1067x754.png 1067w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-695x491.png 695w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-99x70.png 99w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-226x160.png 226w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-311x220.png 311w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-355x251.png 355w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-369x261.png 369w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-544x384.png 544w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-687x485.png 687w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-821x580.png 821w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008.png 1492w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ato da campanha na Alesp em 2008</figcaption></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-41 wp-block-paragraph" style="font-size:21px">‘<strong>Defender o Haiti é defender a nós mesmos’</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes mesmo do envio das tropas, movimentos sociais, entidades estudantis e dirigentes sindicais e partidários se mobilizaram contra a participação brasileira e organizaram em maio de 2004 um Ato no Largo São Francisco, em SP. A campanha e a criação do comitê “Defender o Haiti é defender a nós mesmos”, numa das mais longevas campanhas impulsionadas pela corrente O Trabalho, teve ampla participação de entidades como o MST, Jubileu Sul, MNU, Conen, CMP e de dirigentes do PT e da CUT. Durante esses 13 anos foram realizadas dezenas de atividades nacionais e internacionais, no Brasil e no Haiti. Sindicalistas e parlamentares haitianos estiveram no país para denunciar a opressão e repressão das tropas contra o povo. Delegações internacionais estiveram na sede da ONU por duas vezes pedindo a retirada das tropas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="769" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-1024x769.png" alt="" class="wp-image-22580" style="aspect-ratio:1.3316487681617182;width:489px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-1024x769.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-300x225.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-150x113.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-767x576.png 767w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-79x59.png 79w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-199x149.png 199w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-323x243.png 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-479x360.png 479w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-695x522.png 695w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-1068x802.png 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-263x198.png 263w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-93x70.png 93w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-212x159.png 212w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-312x234.png 312w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-292x219.png 292w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-355x267.png 355w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-347x261.png 347w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-512x385.png 512w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-646x485.png 646w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-772x580.png 772w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito.png 1447w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Comissão Internacional de Investigação, patrocinada pelo escritor Eduardo Galeano, em 2009, no Haiti</figcaption></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-42 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Minustah e terremoto devastam o Haiti</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2010, um terremoto matou cerca de 300 mil pessoas e deixou mais de 1 milhão de desabrigados. Segundo Omar R. Thomaz, professor da Unicamp que estava no Haiti no momento do terremoto, “o que vi foi a absoluta ausência de qualquer forma de ajuda. Fracasso de todo o aparato associado à ideia de ‘ajuda internacional’”. As tropas também foram responsáveis pela introdução do cólera no país, que matou mais de 7.500 pessoas e contaminou cerca de 600 mil.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="768" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-1024x768.png" alt="" class="wp-image-22581" style="width:515px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-1024x768.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-300x225.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-150x112.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-768x576.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-80x60.png 80w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-200x150.png 200w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-324x243.png 324w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-480x360.png 480w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-696x522.png 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-93x70.png 93w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-1068x801.png 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-264x198.png 264w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-213x160.png 213w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-313x235.png 313w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-356x267.png 356w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-293x220.png 293w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-348x261.png 348w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-513x385.png 513w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-648x486.png 648w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-773x580.png 773w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental.png 1448w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ato Continental em São Paulo (2011) reuniudelegações da Argentina, Bolívia, Estados Unidos, França, Haiti e Uruguai, além do Brasil (com 11 estados presentes)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As ONGs, que reinavam no país, eram alvo de sucessivas denúncias de desvios de recursos, inclusive a criada por Barack Obama, o ‘Fundo Clinton Bush’, cujas verbas nunca chegaram à população.A presença da Minustah também garantia a repressão contra os trabalhadores e o povo que se mobilizava com a superexploração do trabalho nas zonas francas e baixos salário &#8211; 3 dólares por dia &#8211; sem direito a férias ou descanso semanal.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="680" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-1024x680.png" alt="" class="wp-image-22582" style="width:539px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-1024x680.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-150x100.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-300x199.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-768x510.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-1536x1020.png 1536w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-324x215.png 324w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-696x462.png 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-1068x709.png 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-240x159.png 240w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-355x236.png 355w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-331x220.png 331w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-393x261.png 393w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-579x384.png 579w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-873x580.png 873w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-731x485.png 731w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013.png 1539w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Conferência Continental no Haiti reúne, em 2013, delegações da Argentina, Argélia, Brasil, Estados Unidos, El Salvador, França, Guadalupe, Martinica e México. Na delegação brasileira CUT, MNU e PT.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Foram as tropas também que garantiram os resultados de sucessivas eleições fraudulentas, que mantinha no poder, de fato, EUA, França e Canadá. Hoje, fruto dessa situação, uma crise aguda atinge o Haiti e desde o assassinato do presidente Jovenel Moise, em 2016, o cargo segue vago. O país foi dominado por violentas milícias paramilitares e gangues, que atuam nos bairros populares, aumentando a tragédia vivida pelos trabalhadores e pelo povo, que enfrentam a carestia e uma onda de demissões em massa, o que tem aumentado, ainda mais, a pobreza. Esse é o “legado’ de 13 anos de ocupação por tropas da ONU, do Haiti.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="768" height="1024" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-22583" style="width:397px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-768x1024.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-225x300.jpg 225w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-113x150.jpg 113w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-767x1023.jpg 767w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-300x400.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-695x927.jpg 695w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-273x364.jpg 273w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1.jpg 778w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Audiência na sede da ONU em Nova Iorque (2017) pede a retirada das Tropas do Haiti. CUT, PT e parlamentares brasileiros e haitianos, junto com dirigentes dos EUA e Guadalupe.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Barbara Corrales</strong></p>
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		<title>88 anos da 4ª Internacional</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 15:08:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há 88 anos, num 3 de setembro, numa casa nos arredores de Paris, 30 delegados representando 12 países se reuniam para tomar uma decisão crucial, fundar uma nova internacional operária. Na base de uma texto programático escrito por Leon Trotsky desde seu exílio no México,&#160; &#8220;A Agonia do Capitalismo e as Tarefas da Quarta Internacional [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Há 88 anos, num 3 de setembro, numa casa nos arredores de Paris, 30 delegados representando 12 países se reuniam para tomar uma decisão crucial, fundar uma nova internacional operária.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="500" height="232" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1.jpg" alt="" class="wp-image-22570" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1.jpg 500w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1-150x70.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1-300x139.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1-323x150.jpg 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1-356x165.jpg 356w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><figcaption class="wp-element-caption">Manifestação da oposição de Esquerda no exílio na Sibéria, 1928<br> </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na base de uma texto programático escrito por Leon Trotsky desde seu exílio no México,&nbsp; &#8220;A Agonia do Capitalismo e as Tarefas da Quarta Internacional &#8211; A mobilização das massas em torno das reivindicações transitórias como preparação para a tomada do poder&#8221;,&nbsp; o Programa de Transição, decidiram fundar a 4ª Internacional.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="500" height="268" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul.jpg" alt="" class="wp-image-22571" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul.jpg 500w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-300x161.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-150x80.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-323x173.jpg 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-298x160.jpg 298w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-354x190.jpg 354w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-486x260.jpg 486w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><figcaption class="wp-element-caption">Célula da 4ª Internacional na África do Sul, final dos anos 30</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Pelos grupos sul-americanos, compareceu à Conferência de Fundação da 4ª Internacional Mário Pedrosa, cognome Lebrum.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="400" height="237" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa.jpg" alt="" class="wp-image-22572" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa.jpg 400w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa-150x89.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa-300x178.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa-322x191.jpg 322w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa-270x160.jpg 270w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa-354x210.jpg 354w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mário Pedrosa (Lebrum)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em plena &#8220;meia-noite no século&#8221;, aquele punhado de militantes, premidos entre o fascismo e o domínio stalinista, remanescentes de um rosário de mortos tanto pela GPU stalinista quanto pela repressão nazifascista, decidiram que por mais precária que fosse sua condição, era necessário estabelecer e proteger o fio de continuidade do programa revolucionário: &#8220;o partido é o programa&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exilados da propria classe, sob fogo dos serviços secretos, a 4ª Internacional sofreu um golpe maior com o assassinato de Trotsky em 1940, praticado por um agente de Stalin.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conscientes da guerra que se aproximava (a 4ª foi a primeira a publicar um Manifesto de Alarme, prevenindo a classe trabalhadora da guerra), a 4ª Internacional agiu sob os princípios operários da luta contra a guerra imperialista. Dezenas de seus militantes, inclusive os que agiram clandestinamente dentro do proprio exército alemão, foram executados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O combate dos trotskistas pela organização independente da classe trabalhadora na via da revolução proletária, põe no centro hoje a luta contra a guerra, combustível vital do regime capitalista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>88 anos depois, 4ª Internacional vive e luta!</strong></p>
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		<title>A atualidade de Trotsky sobre as revoluções, no 86º aniversário de seu assassinato</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 18:48:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A característica mais indiscutível das revoluções é a intervenção direta das massas nos acontecimentos históricos. Em tempos normais, o Estado, seja ele monárquico ou democrático, está acima da nação; a história fica a cargo dos especialistas nessa área: os monarcas, os ministros, os burocratas, os parlamentares, os jornalistas. Mas, nos momentos decisivos, quando a ordem [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">“A característica mais indiscutível das revoluções é a intervenção direta das massas nos acontecimentos históricos. Em tempos normais, o Estado, seja ele monárquico ou democrático, está acima da nação; a história fica a cargo dos especialistas nessa área: os monarcas, os ministros, os burocratas, os parlamentares, os jornalistas. Mas, nos momentos decisivos, quando a ordem estabelecida se torna insuportável para as massas, estas rompem as barreiras que as separam da arena política, derrubam seus representantes tradicionais e, com sua intervenção, criam um ponto de partida para o novo regime. Deixemos que os moralistas julguem se isso é certo ou errado. Para nós, basta considerar os fatos tal como nos são apresentados por seu desenrolar objetivo. A história das revoluções é para nós, acima de tudo, a história da irrupção violenta das massas no governo de seus próprios destinos (…) Será que as massas, metralhadas em seus subúrbios, recuarão? Não; não se retirarão, pois querem conquistar o que lhes pertence.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trotsky (1929-32); História da Revolução Russa.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="700" height="524" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2.jpg" alt="" class="wp-image-22503" style="width:512px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2.jpg 700w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-300x225.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-150x112.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-561x420.jpg 561w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-80x60.jpg 80w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-696x521.jpg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-265x198.jpg 265w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em 20 de agosto de 1940, Trotsky foi atacado por um agente stalinista, Ramón Mercader, vindo a falecer no dia seguinte (Mercader foi condecorado como “Herói da União Soviética” e recebeu a “Ordem de Lênin” em 1960, durante a suposta “desestalinização”). Ninguém com boas intenções e o conhecimento mais elementar pode questionar que ele foi assassinado por ser um revolucionário, por sua luta incansável pela revolução. Por sua dimensão mundial. A revolução, o único meio de sair da barbárie à qual conduz a sobrevivência do capitalismo, para concluir a transição para uma sociedade saudável, na qual a produção seja orientada para o bem-estar da população e não para o lucro privado; ou seja, para uma sociedade comunista. Neste novo aniversário do crime, a situação mundial é tão grave, com as guerras e o militarismo no centro da agenda imperialista, que não apenas justifica abordar as contribuições de Trotsky sobre as revoluções, tanto teóricas quanto práticas, mas exige isso.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-47 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Porque falar em revolução não é uma questão do passado</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A gravidade da situação pode ser resumida como uma autêntica “crise da humanidade”, a formulação com a qual se inicia o programa com o qual foi criada a 4ª Internacional em 1938 (diante da impossibilidade de recuperar a 3ª Internacional, já abertamente colaboradora do imperialismo contra toda orientação revolucionária, como a Revolução Espanhola acabara de revelar com trágica clareza). A população mundial é de 8,3 bilhões de pessoas. Dessas, 645 milhões passam fome (FAO); 186 milhões estão desempregados e seriam necessários 408 milhões de empregos para que todas as pessoas que precisam trabalhem; 257 milhões de jovens entre 15 e 24 anos — 20% — não trabalham, nem estudam, nem recebem formação (OIT); mais de 2 bilhões carecem de serviços básicos e cerca de 2,8 bilhões não têm moradia adequada (OMS, UNICEF, ONU); 750 milhões de adultos sofrem de analfabetismo (UNESCO); 1,18 bilhão sofria de algum transtorno mental em 2023 — 95,5% a mais do que em 1990 — (OMS); uma em cada dez hectares de floresta foi desmatada entre 1990 e 2020 (FAO) e 34% de todas as terras agrícolas do mundo já apresentam degradação moderada ou grave (Relatório SOLAW, FAO); em todo o mundo, as trabalhadoras recebem apenas metade — 52,4% — da renda trabalhista dos homens (OIT). As guerras seguem assolando os povos e a UE reconhece que, desde 2014, 80 mil migrantes morreram no Mediterrâneo.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-48 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Crise da humanidade? Sim, as forças produtivas deixaram de crescer</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que fazer? Primeiro, ao mesmo tempo em que nos mobilizamos, conhecer a causa do sofrimento. Esses dados revelam que se trata de uma autêntica crise da humanidade, e falamos de barbárie porque tudo o que foi apontado se refere à atualidade, ou seja, já bem avançado o século XXI. Quando a produtividade alcançada graças ao trabalho humano, passado e presente, torna tecnicamente possível a solução de todos esses problemas. Um bom exemplo é o da fome, já que a própria FAO calcula que, no mundo, são produzidos alimentos com os quais se poderia alimentar 12 bilhões de pessoas. Portanto, não se trata de um problema de gestão, de azar, de inevitabilidade, mas sim de que, como escreve Marx em O Capital, “o capital vem ao mundo escorrendo sangue e lama por todos os poros, da cabeça aos pés” e assim continua. Sob o capitalismo, tornou-se possível um enorme desenvolvimento das forças produtivas. Enorme e também brutal, ao basear-se tanto na exploração do trabalho quanto na pilhagem e na devastação colonial. Mas em seu estágio imperialista, desde o início do século XX, as tensões sobre as forças produtivas se intensificam e, já hoje, sua destruição se torna sistemática: crises, guerras, destruição dos meios de subsistência dos povos e desvalorização da força de trabalho. A causa? As leis do capitalismo e, em particular, aquela que Marx denomina a lei geral da acumulação capitalista, “que produz uma acumulação de miséria proporcional à acumulação de capital”. É necessário, portanto, superar o capitalismo, o que só poderá ser realizado por via revolucionária, pois nunca na história a classe dominante concordou de bom grado em renunciar aos seus privilégios.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-49 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Que tipo de organização é necessária?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O sentido de se falar hoje em revolução se revela com clareza à luz do exposto, o que implica, de igual forma, que continuarão a ocorrer explosões sociais, com elementos pré-revolucionários e/ou abertamente revolucionários. O que determina que uma explosão social, com conteúdo revolucionário, se concretize de fato, que a revolução triunfe e se inicie um processo de transição para outro tipo de sociedade, superior? Em 1940, Trotsky já havia explicado isso no caso da Rússia, em sua História da Revolução Russa (1929-1932): “sem uma organização dirigente, a energia das massas se dissiparia, assim como se dissipa o vapor não contido em uma caldeira. Mas, seja como<br>for, o que impulsiona o movimento não é a caldeira nem o pistão, mas o vapor”. Daí a frase do início do Programa de Transição (1938): “a crise histórica da humanidade se resume à crise da liderança revolucionária”. E, em 1940, escreveu um artigo que ficou inacabado devido ao seu assassinato: Classe, partido, direção. Nele, referindo-se à Revolução Espanhola, explica dialeticamente o que aconteceu, em contraposição ao repetido mecanismo interessado de culpar as massas pela derrota da revolução (as mesmas massas que a colocaram em marcha!), para exonerar as direções de sua responsabilidade: “As massas improvisaram milícias e criaram comitês operários, cidadelas de sua própria ditadura (…) as organizações dirigentes do proletariado ajudaram a burguesia a dissolver esses comitês, a pôr fim aos ataques dos trabalhadores contra a propriedade privada e a subordinar as milícias operárias à direção da burguesia e, para completar, com o POUM participando do governo, assumindo assim diretamente sua responsabilidade no trabalho da contrarrevolução (…) embora as massas tenham adotado uma linha correta, não foram capazes de romper a coalizão de socialistas, comunistas, anarquistas e do POUM com a burguesia”.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="653" height="444" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky.webp" alt="" class="wp-image-22504" style="width:561px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky.webp 653w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-300x204.webp 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-150x102.webp 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-618x420.webp 618w" sizes="(max-width: 653px) 100vw, 653px" /></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-50 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>O significado da figura de Trotsky</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu assassinato coroa a perseguição que ele sofreu desde sua expulsão do partido em novembro de 1927, seu exílio interno em janeiro de 1928 e sua expulsão da URSS em fevereiro de 1929. No capítulo final, “Planeta sem visto”, de sua autobiografia, Minha Vida, ele caracteriza com ironia e, ao mesmo tempo, rigor, o que simboliza viver sem documentos no mundo capitalista, questão que hoje atinge os níveis trágicos vividos novamente há alguns dias em Ceuta, o enclave colonial espanhol na África. Nas palavras de Trotsky: “aquele que menos pode contar com a concessão de asilo é quem mais precisa dele”. Diante da barbárie imperialista, o direito de emigrar é, mais do que nunca, um elemento positivo de ruptura contra esse sistema de guerra e destruição. A atuação dos Estados hoje, desde o ICE de Trump até a Frontex da UE, corrobora suas palavras que apontam, inequivocamente, a necessidade de uma ruptura com a ordem imperialista, a necessidade da revolução: “por toda parte ouço dizer que meu vício mais imperdoável é a falta de fé na democracia. Quem sabe quantos artigos e até livros já foram escritos sobre esse tema! Mas o fato é que, quando me ocorre pedir que me deem uma lição prática de democracia, todo mundo se esquiva. Nem um único país em todo o planeta que se disponha a carimbar o visto no meu passaporte! E, sendo assim, querem me fazer acreditar que aquela outra disputa, imensamente mais importante e mais sangrenta, que é a disputa entre os que possuem e os despossuídos, poderá ser resolvida aplicando-se com rigor exímio os hábitos e as formas da democracia?”. Embora as contribuições de Trotsky se manifestem em diversos campos, tanto teóricos quanto práticos, neste 86º aniversário de seu assassinato, reivindicamos em especial seu legado sobre as revoluções, “a locomotiva da história”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Texto publicado na Carta Semanal do POSI (Partido Obrero Socialista Internacionalista) da Espanha (trechos)</strong></p>
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		<title>Crime contra a luta pela terra</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 15:22:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Campanha pela punição aos assassinos dos sem-terra Beto e Jurandir ajudou a defender o acampamento Nova Esperança Em 20 de dezembro de 1998, dois jovens sem-terra militantes da corrente O Trabalho foram brutalmente assassinados em São José dos Campos (SP). Roberto (Beto) de Oliveira Duarte, 22 anos, e Jurandir dos Santos, 26 anos, saíram a [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Campanha pela punição aos assassinos dos sem-terra Beto e Jurandir ajudou a defender o acampamento Nova Esperança</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 20 de dezembro de 1998, dois jovens sem-terra militantes da corrente O Trabalho foram brutalmente assassinados em São José dos Campos (SP). Roberto (Beto) de Oliveira Duarte, 22 anos, e Jurandir dos Santos, 26 anos, saíram a pé tarde da noite do bairro do Alto da Ponte e não foram mais vistos. Seus corpos foram encontrados com sinais de grande violência e de execução sumária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O crime provocou forte impacto entre os integrantes do acampamento Nova Esperança, que haviam ocupado a improdutiva fazenda Santa Rita, na zona rural de São José dos Campos, no vale do Paraíba, três meses antes, gerando temor e insegurança. A solidariedade foi imediata. Ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que dirigia a ocupação, somaram-se o Diretório do PT da cidade, com seus vereadores Amélia Naomi e Carlinhos Almeida, a corrente O Trabalho, entidades sindicais (como os sindicatos dos Metalúrgicos de São José dos Campos e dos Jornalistas de São Paulo), parlamentares e entidades democráticas. Passada a virada do ano, iniciou-se a campanha pela apuração do crime e a punição dos assassinos, que se estendeu por mais de dois anos no Brasil e no exterior, enfrentando-se com a cumplicidade e o acobertamento promovidos pela polícia, pela Justiça e pelo então governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-54 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Acampamento Nova Esperança</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo semestre de 1998, o MST estava recrutando trabalhadores para ampliar as ocupações fundiárias no Vale do Paraíba, onde a propriedade da terra concentrada nas mãos de poucos fazendeiros remonta ao período colonial. Para isso, buscou a ajuda do PT em Osasco (de onde veio Beto) e também em Suzano e Mogi das Cruzes (de onde veio Jurandir). Militantes da corrente O Trabalho na região, Ovídio e Marisa Ferreira Dias, José Ivaldo e Joel Gama decidiram integrar o grupo que ocupou a fazenda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando Joel, Beto e Jurandir foram juntos a um bar, num sábado à noite (19/12), já contavam sete militantes, incluindo Jô Bezerra, companheira de Jurandir. Naquele momento, os acampados estavam recebendo várias ameaças, e Jurandir encabeçava uma ação judicial contra o fazendeiro Valdir Pena, proprietário da fazenda, e havia sofrido abordagens policiais por quatro vezes nos dias anteriores. Na hora de irem embora, perto da meia-noite, o carro de Joel quebrou. Ele ficou no carro, mas os dois decidiram sair a pé. Foram pegos no caminho e assassinados nas horas seguintes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O inquérito instalado pela Delegacia da Polícia Civil do Alto da Ponte insistia em investigar as vítimas (o movimento dos sem-terra), mas acumulou evidências de ação de um grupo de extermínio ligado a policiais, com certeza vinculado aos fazendeiros da região. Um dos álibis claramente forjados que apareceram na investigação tinha sua origem num trailer de bebidas ao lado da própria delegacia. Nada disso bastou para que a Justiça se dispusesse a avançar na apuração do crime. O inquérito se estendeu mais do que queriam, sempre por pressão do movimento social.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-55 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Campanha pela punição dos criminosos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Já nos primeiros dias de janeiro, uma delegação encabeçada pelo deputado estadual do PT Renato Simões, então presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo, reuniu-se com o delegado seccional da região para exigir uma apuração séria do crime. Em 10 de fevereiro, um ato público com 400 pessoas ocupou uma praça central da cidade, apontando claramente policiais e fazendeiros como prováveis autores do crime. Estiveram presentes Vicentinho, presidente da CUT, Delvek Matheus, da direção do MST, e Renato Simões, além de vereadores da região e dirigentes sindicais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dirigida ao Ministério da Justiça, a campanha exigindo aapuração do crime e a punição aos criminosos foi lançada por Simões, vereadores, MST, os sem-terra do acampamento, nove sindicatos, quatro diretórios municipais do PT, entidades estudantis, PSTU e PCdoB. A moção dirigida ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, trazia as exigências e acusava: “- o governo federal é responsável por estas mortes, pois não realiza a reforma agrária, impedindo que milhões de brasileiros tenham como sobreviver; os fazendeiros são responsáveis por estas mortes, pois armam jagunços que ameaçam e assassinam. Sua organização, a UDR, se reorganiza para tentar impedir pelo terror o amplo acesso à terra.” Já nos primeiros dias, segundo o jornal “O Trabalho” nº 450 (21 de janeiro de 1999), a campanha internacional obtinha apoios em 11 países das Américas, Europa, Ásia, África e Oceania, com destaque para a central sindical AFL-CIO, dos EUA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 16 de abril, 600 pessoas lotaram a Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo. Estavam na mesa o senador Eduardo Suplicy (PT) e Plínio de Arruda Sampaio (secretário agrário nacional do PT), além de dirigentes da CUT, do MST, parlamentares, representantes do PCdoB, PSTU e PMDB – e o Centro Acadêmico XI de Agosto, co-promotor do ato. Eliana Oliveira, mãe de Beto, emocionou os presentes à frente de uma delegação de 40 pessoas vindas de Osasco. O advogado das famílias, José Luís de Oliveira Lima, explicou que a polícia, até aquele momento, usava o inquérito como pretexto para investigar basicamente o funcionamento do MST e do acampamento, e ignorava as evidências que apontavam para os fazendeiros.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-56 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>A luta continua</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A campanha se estendeu por mais de dois anos, colocando sempre a polícia e a Justiça sob pressão, mas sem conseguir modificar, ao final, a decisão judicial de arquivar o processo por falta de evidências da autoria dos crimes. A polícia, responsável pela apuração, tinha evidente ligação com os assassinatos, e sua preocupação foi sempre a de proteger os criminosos. A campanha, entretanto, teve o enorme saldo de barrar a agressão dos fazendeiros contra o acampamento. Os acampados conseguiram apoio firme para resistir na terra, iniciar gradativamente a produção, persistir até a desapropriação, alguns meses depois, e até o assentamento definitivo em 2002. Hoje, o Assentamento Nova Esperança está consolidado com diversificada produção agrícola.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a></a> Como disse Jô, em entrevista ao jornal “O Trabalho” nº 468, “fomos muito ajudados pela ação do comitê (de campanha), de gritar para o mundo inteiro que há pessoas ali, naquela fazenda, sofrendo e até perdendo suas vidas na luta pela terra.” Beto e Jurandir perderam suas vidas, mas a luta não foi em vão, e prossegue até a implantação de uma reforma agrária no Brasil que dê o amplo acesso à terra aos trabalhadores do campo, acabando com a indecente concentração fundiária em benefício da elite e do grande capital.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Paulo Zocchi</strong></p>
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		<title>Em 1976 é fundada a Organização Socialista Internacionalista, OSI</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 20:31:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Unificação de grupos trotskistas se dá durante a luta contra a ditadura militar Há meio século o mundo vivia as consequências do chamado “choque do petróleo” de 1973, o embargo decidido por países árabes produtores aos EUA e outros países apoiadores de Israel na “Guerra do Yom Kipur” (1), o que provocou a explosão dos [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Unificação de grupos trotskistas se dá durante a luta contra a ditadura militar</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há meio século o mundo vivia as consequências do chamado “choque do petróleo” de 1973, o embargo decidido por países árabes  produtores aos EUA e outros países apoiadores de Israel na “Guerra do Yom Kipur” (1), o que provocou a explosão dos preços do<br>combustível e uma prolongada crise econômica mundial. O cenário também era marcado pela derrota imposta aos EUA na guerra do<br>Vietnã em 1975 e pela Revolução dos Cravos de abril de 1974 em Portugal, que se combinou com a independência de suas antigas colônias africanas, como Angola e Moçambique. No Brasil a ditadura militar, com o general Geisel, falava em “distensão lenta, segura e gradual”, mas mantendo o seu aparato repressivo. A ditadura de Pinochet no Chile entrava em seu terceiro ano, enquanto na Argentina o golpe<br>militar de 1976 levava o general Videla ao poder, o que possibilitou a Operação Condor, a repressão conjunta desses regimes<br>aos que lutavam contra as ditaduras na região. O ano de 1976 começou no Brasil com o assassinato do operário metalúrgico Manoel<br>Fiel Filho nas dependências do DOI-CODI (2) em janeiro e terminou em dezembro com o “massacre da Lapa” em que o exército<br>assassinou três dirigentes do PCdoB. O movimento estudantil que se reconstruía, concentrava a resistência e oposição<br>à ditadura, com o movimento operário altamente vigiado e obrigado a um trabalho de base semiclandestino.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-61 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>A criação da OSI</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>É nesse quadro que ocorreu a criação da Organização Socialista Internacionalista (OSI), numa conferência clandestina realizada na Praia Grande (SP) em novembro de 1976. Essa conferência concluiu um processo de unificação de grupos trotskistas brasileiros que se deu sob impulso do Comitê de Organização pela Reconstrução da 4ª Internacional (3). Ele se cumpriu em duas etapas: no início de 1976 formou-se a Organização Marxista Brasileira (OMB) com a fusão da Fração Bolchevique Trotskista (FBT), com o Grupo Outubro e a Organização<br>de Mobilização Operária (OMO); em novembro a OMB fundiu-se com a Organização Comunista 1º de Maio (surgida em 1968 como grupo), dando origem à OSI, que passou a contar com mais de uma centena de militantes em vários estados. O que aproximou os grupos que<br>deram origem à OSI foi a crítica comum tanto à política traidora do Partido Comunista Brasileiro (PCB), quanto ao “foquismo” guerrilheiro nos “anos de chumbo” da ditadura (1968-72), que, isolado das massas, foi brutalmente liquidado pelo aparato policial e militar.<br>Os trotskistas defendiam um trabalho junto às massas para reconstruir suas organizações na luta pelas liberdades democráticas contra a ditadura; um trabalho baseado nos princípios de independência de classe e do internacionalismo.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-62 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Liberdade e Luta</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="570" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-1024x570.png" alt="" class="wp-image-22478" style="aspect-ratio:1.7965260545905708;width:724px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-1024x570.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-300x167.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-150x84.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-768x428.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-754x420.png 754w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-696x388.png 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-1068x595.png 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu.png 1081w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Poucos meses antes da criação da OSI, em julho de 1976, a Frente Estudantil Socialista, ligada ao 1º de Maio, e a Tendência pela Aliança Operário-Estudantil, ligada à OMB, depois de um trabalho comum nas mobilizações estudantis do período, como a greve da ECA de 1975, unificaram-se, dando origem à Liberdade e Luta (Libelu), inicialmente como nome da chapa que concorreu às primeiras eleições do DCE-Livre da USP. A tendência estudantil Liberdade e Luta, em pouco tempo, atraiu milhares de jovens em todo o país, jogando um papel importante nas mobilizações e passeatas por “Abaixo a ditadura” que antecederam a entrada em cena da classe trabalhadora com a onda de greves iniciada no ABC em 1978.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-63 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>O trabalho no movimento sindical</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a OSI a busca por implantar-se no movimento operário era o principal. Os êxitos obtidos no movimento estudantil não mudavam essa prioridade. As forças que nela se fundiram já animavam tendências sindicais classistas e oposições aos “pelegos” e à estrutura sindical<br>oficial, publicando boletins e montando grupos de base em várias categorias. O seu primeiro órgão foi o “Jornal dos Trabalhadores”,<br>produzido de forma semiartesanal (mimeografado). Dois anos após ele será substituído pelo jornal impresso “O Trabalho”, lançado em 1º de maio de 1978. Através de “O Trabalho”, a OSI acompanhou e orientou seus militantes a intervir na onda de greves que se espalhou<br>por todo o país a partir de 1978. O que lhe permitiu desenvolver a sua própria orientação política: “Abaixo a Ditadura, por uma<br>Constituinte Soberana”; luta por sindicatos livres e uma Central Sindical Independente; luta por um Partido Operário.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-64 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>A questão do partido operário</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="391" height="531" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/cartaz.png" alt="" class="wp-image-22479" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/cartaz.png 391w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/cartaz-221x300.png 221w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/cartaz-110x150.png 110w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/cartaz-309x420.png 309w" sizes="(max-width: 391px) 100vw, 391px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As eleições de 1978, no quadro do bipartidarismo da ditadura, possibilitaram a campanha “Nem Arena, nem MDB, voto nulo por um Partido Operário”, feita pela OSI junto com outros setores (como a oposição metalúrgica de São Paulo). Isso, quando vários dos que viriam a dar<br>origem ao PT faziam campanha por candidatos do MDB. A atividade da OSI desdobrou-se nas lutas pela liberdade dos presos políticos;<br>pela Anistia ampla, geral e irrestrita; pela libertação de Lula e dirigentes grevistas presos. Campanhas em apoio à revolução na Nicarágua e à luta do sindicato “Solidariedade” contra a burocracia stalinista na Polônia, destacavam o caráter internacionalista de sua ação.<br>As greves de massa colocaram a questão da liberdade sindical e da unidade dos trabalhadores numa central sindical. A OSI participou da construção do Encontro Nacional de Trabalhadores em Oposição à Estrutura Sindical (ENTOES, 1979/80), que agrupou o “sindicalismo<br>combativo” e de outras iniciativas que confluíram para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora – a CONCLAT de 1981 – que criará a comissão nacional pró-CUT.<br>A OSI, antes da fundação do PT em 1980, havia adotado o objetivo de ter mil militantes e se tornar uma organização legal. Sua posição a favor de um partido operário independente a fez, após intensa discussão interna, aderir à  construção do PT, o que será objeto de um próximo artigo desta série.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br><strong>Lauro Fagundes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">(1) “Guerra do Yom Kipur”: trata-se da guerra árabe-israelense de 6 a 26 de outubro de 1973, quando forças do Egito e da Síria<br>tentaram retomar os territórios perdidos para Israel em 1967 na “Guerra dos seis dias”. </p>



<p class="wp-block-paragraph">(2) DOI-CODI: Destacamento de Operações<br>de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna, centro de tortura na Rua Tutóia em São Paulo durante da ditadura militar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">(3) A 4ª Internacional, fundada em 1938, sofreu uma crise de dispersão em 1952-53, fruto da revisão de seu programa feita por<br>Michel Pablo e outros dirigentes. Afirmando a necessidade de sua reconstrução sobre a base do “Programa de Transição”, surgiram<br>sucessivos agrupamentos internacionais. Em 1972 é constituído em Paris o Comitê de Organização pela Reconstrução da 4ª Internacional<br>(CORQUI), com a OCI francesa e Pierre Lambert.</p>
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