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	<title>Arquivo de História - O Trabalho</title>
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		<title>Campanha pela retirada das tropas do Haiti</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 18:10:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luta contra a ocupação militar da ONU com a mão dos EUA e liderada pelo Brasil O Haiti, hoje o país mais pobre do continente, foi a primeira república negra das Américas. Liderados por um ex-escravizado, Dessalines, derrotaram as tropas de Napoleão e proclamaram sua independência em 1804, um verdadeiro processo revolucionário. Marcado por invasões [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong><br><em>Luta contra a ocupação militar da ONU com a mão dos EUA e liderada pelo Brasil</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>O Haiti, hoje o país mais pobre do continente, foi a primeira república negra das Américas. Liderados por um ex-escravizado, Dessalines, derrotaram as tropas de Napoleão e proclamaram sua independência em 1804, um verdadeiro processo revolucionário. Marcado por invasões e golpes de Estado, o país foi ocupado por espanhóis, franceses e estadunidenses durantes os últimos séculos. Após 222 anos de sua independência, o Haiti segue sendo atacado, em grande medida, pelo significado do movimento que originou a nação e combinou luta nacional e de libertação dos escravizados.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-5 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Em 2004, uma nova ocupação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O sequestro do presidente do Haiti, Jean Bertrand Aristide, orquestrada pelo governo estadunidense abriu espaço para a ocupação militar do país. Em 2004, a convite do presidente George W. Bush, Lula aceitou liderar das tropas. E a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti), ocupou o país sob mandato da ONU, mas a direção política seguia com os EUA, Canadá e França. A missão, com contingentes de mais de 30 países, durou até 2017, deixando mais de 30 mil mortos e um rastro de destruição e violência contra a soberania do povo haitiano.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-6 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Laboratório de golpes: bolsonarismo e UPPs</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante esse período, o Brasil enviou cerca de 37 mil soldados e oficiais ao Haiti. Vários comandantes da Minustah, posteriormente, ocuparam cargos importantes no governo Bolsonaro. Entre eles, Augusto Heleno, associado à operação que matou 63 haitianos em Cité Soleil em 2005 e posteriormente ministro-chefe do GSI; Santos Cruz, ministro-chefe da Secretaria de Governo; Luiz Eduardo Ramos, que comandou tropas no Haiti e depois foi ministro da Casa Civil; Floriano Peixoto, posteriormente secretário-geral da Presidência; e Edson Pujol, comandante da Minustah entre 2013 e 2014 e depois comandante do Exército. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ex-ministro de Bolsonaro esteve no Haiti, assim como Fernando Azevedo e Silva, ex-ministro da Defesa e Otávio Rêgo Barros, depois porta-voz do governo Bolsonaro. Em 2011, o então ministro da Defesa no governo Lula, Nelson Jobim, afirmou que a atuação do Exército brasileiro no Haiti, voltada à “manutenção da lei e da ordem”, poderia ser aplicada no país. As operações no Haiti serviram como laboratório para intervenções militares no Brasil, incluindo as ações de GLO e as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de Janeiro.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="723" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-1024x723.png" alt="" class="wp-image-22579" style="width:509px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-1024x723.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-150x106.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-300x212.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-767x542.png 767w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-323x228.png 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-212x150.png 212w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-1067x754.png 1067w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-695x491.png 695w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-99x70.png 99w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-226x160.png 226w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-311x220.png 311w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-355x251.png 355w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-369x261.png 369w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-544x384.png 544w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-687x485.png 687w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008-821x580.png 821w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Ato-Alesp-2008.png 1492w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ato da campanha na Alesp em 2008</figcaption></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-7 wp-block-paragraph" style="font-size:21px">‘<strong>Defender o Haiti é defender a nós mesmos’</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes mesmo do envio das tropas, movimentos sociais, entidades estudantis e dirigentes sindicais e partidários se mobilizaram contra a participação brasileira e organizaram em maio de 2004 um Ato no Largo São Francisco, em SP. A campanha e a criação do comitê “Defender o Haiti é defender a nós mesmos”, numa das mais longevas campanhas impulsionadas pela corrente O Trabalho, teve ampla participação de entidades como o MST, Jubileu Sul, MNU, Conen, CMP e de dirigentes do PT e da CUT. Durante esses 13 anos foram realizadas dezenas de atividades nacionais e internacionais, no Brasil e no Haiti. Sindicalistas e parlamentares haitianos estiveram no país para denunciar a opressão e repressão das tropas contra o povo. Delegações internacionais estiveram na sede da ONU por duas vezes pedindo a retirada das tropas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="769" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-1024x769.png" alt="" class="wp-image-22580" style="aspect-ratio:1.3316487681617182;width:489px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-1024x769.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-300x225.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-150x113.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-767x576.png 767w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-79x59.png 79w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-199x149.png 199w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-323x243.png 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-479x360.png 479w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-695x522.png 695w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-1068x802.png 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-263x198.png 263w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-93x70.png 93w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-212x159.png 212w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-312x234.png 312w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-292x219.png 292w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-355x267.png 355w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-347x261.png 347w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-512x385.png 512w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-646x485.png 646w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito-772x580.png 772w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Foto-Comissao-de-Inquerito.png 1447w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Comissão Internacional de Investigação, patrocinada pelo escritor Eduardo Galeano, em 2009, no Haiti</figcaption></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-8 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Minustah e terremoto devastam o Haiti</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2010, um terremoto matou cerca de 300 mil pessoas e deixou mais de 1 milhão de desabrigados. Segundo Omar R. Thomaz, professor da Unicamp que estava no Haiti no momento do terremoto, “o que vi foi a absoluta ausência de qualquer forma de ajuda. Fracasso de todo o aparato associado à ideia de ‘ajuda internacional’”. As tropas também foram responsáveis pela introdução do cólera no país, que matou mais de 7.500 pessoas e contaminou cerca de 600 mil.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="768" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-1024x768.png" alt="" class="wp-image-22581" style="width:515px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-1024x768.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-300x225.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-150x112.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-768x576.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-80x60.png 80w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-200x150.png 200w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-324x243.png 324w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-480x360.png 480w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-696x522.png 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-93x70.png 93w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-1068x801.png 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-264x198.png 264w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-213x160.png 213w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-313x235.png 313w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-356x267.png 356w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-293x220.png 293w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-348x261.png 348w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-513x385.png 513w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-648x486.png 648w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental-773x580.png 773w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ato-Continental.png 1448w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ato Continental em São Paulo (2011) reuniudelegações da Argentina, Bolívia, Estados Unidos, França, Haiti e Uruguai, além do Brasil (com 11 estados presentes)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As ONGs, que reinavam no país, eram alvo de sucessivas denúncias de desvios de recursos, inclusive a criada por Barack Obama, o ‘Fundo Clinton Bush’, cujas verbas nunca chegaram à população.A presença da Minustah também garantia a repressão contra os trabalhadores e o povo que se mobilizava com a superexploração do trabalho nas zonas francas e baixos salário &#8211; 3 dólares por dia &#8211; sem direito a férias ou descanso semanal.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="680" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-1024x680.png" alt="" class="wp-image-22582" style="width:539px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-1024x680.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-150x100.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-300x199.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-768x510.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-1536x1020.png 1536w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-324x215.png 324w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-696x462.png 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-1068x709.png 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-240x159.png 240w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-355x236.png 355w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-331x220.png 331w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-393x261.png 393w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-579x384.png 579w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-873x580.png 873w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013-731x485.png 731w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Conferencia-Continental-no-Haiti-2013.png 1539w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Conferência Continental no Haiti reúne, em 2013, delegações da Argentina, Argélia, Brasil, Estados Unidos, El Salvador, França, Guadalupe, Martinica e México. Na delegação brasileira CUT, MNU e PT.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Foram as tropas também que garantiram os resultados de sucessivas eleições fraudulentas, que mantinha no poder, de fato, EUA, França e Canadá. Hoje, fruto dessa situação, uma crise aguda atinge o Haiti e desde o assassinato do presidente Jovenel Moise, em 2016, o cargo segue vago. O país foi dominado por violentas milícias paramilitares e gangues, que atuam nos bairros populares, aumentando a tragédia vivida pelos trabalhadores e pelo povo, que enfrentam a carestia e uma onda de demissões em massa, o que tem aumentado, ainda mais, a pobreza. Esse é o “legado’ de 13 anos de ocupação por tropas da ONU, do Haiti.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="768" height="1024" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-22583" style="width:397px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-768x1024.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-225x300.jpg 225w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-113x150.jpg 113w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-767x1023.jpg 767w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-300x400.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-695x927.jpg 695w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1-273x364.jpg 273w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/thumbnail-1.jpg 778w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Audiência na sede da ONU em Nova Iorque (2017) pede a retirada das Tropas do Haiti. CUT, PT e parlamentares brasileiros e haitianos, junto com dirigentes dos EUA e Guadalupe.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Barbara Corrales</strong></p>
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		<title>88 anos da 4ª Internacional</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 15:08:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há 88 anos, num 3 de setembro, numa casa nos arredores de Paris, 30 delegados representando 12 países se reuniam para tomar uma decisão crucial, fundar uma nova internacional operária. Na base de uma texto programático escrito por Leon Trotsky desde seu exílio no México,&#160; &#8220;A Agonia do Capitalismo e as Tarefas da Quarta Internacional [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Há 88 anos, num 3 de setembro, numa casa nos arredores de Paris, 30 delegados representando 12 países se reuniam para tomar uma decisão crucial, fundar uma nova internacional operária.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="500" height="232" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1.jpg" alt="" class="wp-image-22570" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1.jpg 500w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1-150x70.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1-300x139.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1-323x150.jpg 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/oposicao-exilio-siberia-1-356x165.jpg 356w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><figcaption class="wp-element-caption">Manifestação da oposição de Esquerda no exílio na Sibéria, 1928<br> </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na base de uma texto programático escrito por Leon Trotsky desde seu exílio no México,&nbsp; &#8220;A Agonia do Capitalismo e as Tarefas da Quarta Internacional &#8211; A mobilização das massas em torno das reivindicações transitórias como preparação para a tomada do poder&#8221;,&nbsp; o Programa de Transição, decidiram fundar a 4ª Internacional.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="500" height="268" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul.jpg" alt="" class="wp-image-22571" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul.jpg 500w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-300x161.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-150x80.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-323x173.jpg 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-298x160.jpg 298w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-354x190.jpg 354w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/4-afr-sul-486x260.jpg 486w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><figcaption class="wp-element-caption">Célula da 4ª Internacional na África do Sul, final dos anos 30</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Pelos grupos sul-americanos, compareceu à Conferência de Fundação da 4ª Internacional Mário Pedrosa, cognome Lebrum.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="400" height="237" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa.jpg" alt="" class="wp-image-22572" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa.jpg 400w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa-150x89.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa-300x178.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa-322x191.jpg 322w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa-270x160.jpg 270w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/pedrosa-354x210.jpg 354w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mário Pedrosa (Lebrum)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em plena &#8220;meia-noite no século&#8221;, aquele punhado de militantes, premidos entre o fascismo e o domínio stalinista, remanescentes de um rosário de mortos tanto pela GPU stalinista quanto pela repressão nazifascista, decidiram que por mais precária que fosse sua condição, era necessário estabelecer e proteger o fio de continuidade do programa revolucionário: &#8220;o partido é o programa&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exilados da propria classe, sob fogo dos serviços secretos, a 4ª Internacional sofreu um golpe maior com o assassinato de Trotsky em 1940, praticado por um agente de Stalin.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conscientes da guerra que se aproximava (a 4ª foi a primeira a publicar um Manifesto de Alarme, prevenindo a classe trabalhadora da guerra), a 4ª Internacional agiu sob os princípios operários da luta contra a guerra imperialista. Dezenas de seus militantes, inclusive os que agiram clandestinamente dentro do proprio exército alemão, foram executados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O combate dos trotskistas pela organização independente da classe trabalhadora na via da revolução proletária, põe no centro hoje a luta contra a guerra, combustível vital do regime capitalista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>88 anos depois, 4ª Internacional vive e luta!</strong></p>
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		<title>A atualidade de Trotsky sobre as revoluções, no 86º aniversário de seu assassinato</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 18:48:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A característica mais indiscutível das revoluções é a intervenção direta das massas nos acontecimentos históricos. Em tempos normais, o Estado, seja ele monárquico ou democrático, está acima da nação; a história fica a cargo dos especialistas nessa área: os monarcas, os ministros, os burocratas, os parlamentares, os jornalistas. Mas, nos momentos decisivos, quando a ordem [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">“A característica mais indiscutível das revoluções é a intervenção direta das massas nos acontecimentos históricos. Em tempos normais, o Estado, seja ele monárquico ou democrático, está acima da nação; a história fica a cargo dos especialistas nessa área: os monarcas, os ministros, os burocratas, os parlamentares, os jornalistas. Mas, nos momentos decisivos, quando a ordem estabelecida se torna insuportável para as massas, estas rompem as barreiras que as separam da arena política, derrubam seus representantes tradicionais e, com sua intervenção, criam um ponto de partida para o novo regime. Deixemos que os moralistas julguem se isso é certo ou errado. Para nós, basta considerar os fatos tal como nos são apresentados por seu desenrolar objetivo. A história das revoluções é para nós, acima de tudo, a história da irrupção violenta das massas no governo de seus próprios destinos (…) Será que as massas, metralhadas em seus subúrbios, recuarão? Não; não se retirarão, pois querem conquistar o que lhes pertence.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trotsky (1929-32); História da Revolução Russa.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="700" height="524" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2.jpg" alt="" class="wp-image-22503" style="width:512px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2.jpg 700w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-300x225.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-150x112.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-561x420.jpg 561w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-80x60.jpg 80w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-696x521.jpg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-2-265x198.jpg 265w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em 20 de agosto de 1940, Trotsky foi atacado por um agente stalinista, Ramón Mercader, vindo a falecer no dia seguinte (Mercader foi condecorado como “Herói da União Soviética” e recebeu a “Ordem de Lênin” em 1960, durante a suposta “desestalinização”). Ninguém com boas intenções e o conhecimento mais elementar pode questionar que ele foi assassinado por ser um revolucionário, por sua luta incansável pela revolução. Por sua dimensão mundial. A revolução, o único meio de sair da barbárie à qual conduz a sobrevivência do capitalismo, para concluir a transição para uma sociedade saudável, na qual a produção seja orientada para o bem-estar da população e não para o lucro privado; ou seja, para uma sociedade comunista. Neste novo aniversário do crime, a situação mundial é tão grave, com as guerras e o militarismo no centro da agenda imperialista, que não apenas justifica abordar as contribuições de Trotsky sobre as revoluções, tanto teóricas quanto práticas, mas exige isso.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-13 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Porque falar em revolução não é uma questão do passado</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A gravidade da situação pode ser resumida como uma autêntica “crise da humanidade”, a formulação com a qual se inicia o programa com o qual foi criada a 4ª Internacional em 1938 (diante da impossibilidade de recuperar a 3ª Internacional, já abertamente colaboradora do imperialismo contra toda orientação revolucionária, como a Revolução Espanhola acabara de revelar com trágica clareza). A população mundial é de 8,3 bilhões de pessoas. Dessas, 645 milhões passam fome (FAO); 186 milhões estão desempregados e seriam necessários 408 milhões de empregos para que todas as pessoas que precisam trabalhem; 257 milhões de jovens entre 15 e 24 anos — 20% — não trabalham, nem estudam, nem recebem formação (OIT); mais de 2 bilhões carecem de serviços básicos e cerca de 2,8 bilhões não têm moradia adequada (OMS, UNICEF, ONU); 750 milhões de adultos sofrem de analfabetismo (UNESCO); 1,18 bilhão sofria de algum transtorno mental em 2023 — 95,5% a mais do que em 1990 — (OMS); uma em cada dez hectares de floresta foi desmatada entre 1990 e 2020 (FAO) e 34% de todas as terras agrícolas do mundo já apresentam degradação moderada ou grave (Relatório SOLAW, FAO); em todo o mundo, as trabalhadoras recebem apenas metade — 52,4% — da renda trabalhista dos homens (OIT). As guerras seguem assolando os povos e a UE reconhece que, desde 2014, 80 mil migrantes morreram no Mediterrâneo.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-14 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Crise da humanidade? Sim, as forças produtivas deixaram de crescer</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que fazer? Primeiro, ao mesmo tempo em que nos mobilizamos, conhecer a causa do sofrimento. Esses dados revelam que se trata de uma autêntica crise da humanidade, e falamos de barbárie porque tudo o que foi apontado se refere à atualidade, ou seja, já bem avançado o século XXI. Quando a produtividade alcançada graças ao trabalho humano, passado e presente, torna tecnicamente possível a solução de todos esses problemas. Um bom exemplo é o da fome, já que a própria FAO calcula que, no mundo, são produzidos alimentos com os quais se poderia alimentar 12 bilhões de pessoas. Portanto, não se trata de um problema de gestão, de azar, de inevitabilidade, mas sim de que, como escreve Marx em O Capital, “o capital vem ao mundo escorrendo sangue e lama por todos os poros, da cabeça aos pés” e assim continua. Sob o capitalismo, tornou-se possível um enorme desenvolvimento das forças produtivas. Enorme e também brutal, ao basear-se tanto na exploração do trabalho quanto na pilhagem e na devastação colonial. Mas em seu estágio imperialista, desde o início do século XX, as tensões sobre as forças produtivas se intensificam e, já hoje, sua destruição se torna sistemática: crises, guerras, destruição dos meios de subsistência dos povos e desvalorização da força de trabalho. A causa? As leis do capitalismo e, em particular, aquela que Marx denomina a lei geral da acumulação capitalista, “que produz uma acumulação de miséria proporcional à acumulação de capital”. É necessário, portanto, superar o capitalismo, o que só poderá ser realizado por via revolucionária, pois nunca na história a classe dominante concordou de bom grado em renunciar aos seus privilégios.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-15 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Que tipo de organização é necessária?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O sentido de se falar hoje em revolução se revela com clareza à luz do exposto, o que implica, de igual forma, que continuarão a ocorrer explosões sociais, com elementos pré-revolucionários e/ou abertamente revolucionários. O que determina que uma explosão social, com conteúdo revolucionário, se concretize de fato, que a revolução triunfe e se inicie um processo de transição para outro tipo de sociedade, superior? Em 1940, Trotsky já havia explicado isso no caso da Rússia, em sua História da Revolução Russa (1929-1932): “sem uma organização dirigente, a energia das massas se dissiparia, assim como se dissipa o vapor não contido em uma caldeira. Mas, seja como<br>for, o que impulsiona o movimento não é a caldeira nem o pistão, mas o vapor”. Daí a frase do início do Programa de Transição (1938): “a crise histórica da humanidade se resume à crise da liderança revolucionária”. E, em 1940, escreveu um artigo que ficou inacabado devido ao seu assassinato: Classe, partido, direção. Nele, referindo-se à Revolução Espanhola, explica dialeticamente o que aconteceu, em contraposição ao repetido mecanismo interessado de culpar as massas pela derrota da revolução (as mesmas massas que a colocaram em marcha!), para exonerar as direções de sua responsabilidade: “As massas improvisaram milícias e criaram comitês operários, cidadelas de sua própria ditadura (…) as organizações dirigentes do proletariado ajudaram a burguesia a dissolver esses comitês, a pôr fim aos ataques dos trabalhadores contra a propriedade privada e a subordinar as milícias operárias à direção da burguesia e, para completar, com o POUM participando do governo, assumindo assim diretamente sua responsabilidade no trabalho da contrarrevolução (…) embora as massas tenham adotado uma linha correta, não foram capazes de romper a coalizão de socialistas, comunistas, anarquistas e do POUM com a burguesia”.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="653" height="444" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky.webp" alt="" class="wp-image-22504" style="width:561px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky.webp 653w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-300x204.webp 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-150x102.webp 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/trostsky-618x420.webp 618w" sizes="(max-width: 653px) 100vw, 653px" /></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-16 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>O significado da figura de Trotsky</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu assassinato coroa a perseguição que ele sofreu desde sua expulsão do partido em novembro de 1927, seu exílio interno em janeiro de 1928 e sua expulsão da URSS em fevereiro de 1929. No capítulo final, “Planeta sem visto”, de sua autobiografia, Minha Vida, ele caracteriza com ironia e, ao mesmo tempo, rigor, o que simboliza viver sem documentos no mundo capitalista, questão que hoje atinge os níveis trágicos vividos novamente há alguns dias em Ceuta, o enclave colonial espanhol na África. Nas palavras de Trotsky: “aquele que menos pode contar com a concessão de asilo é quem mais precisa dele”. Diante da barbárie imperialista, o direito de emigrar é, mais do que nunca, um elemento positivo de ruptura contra esse sistema de guerra e destruição. A atuação dos Estados hoje, desde o ICE de Trump até a Frontex da UE, corrobora suas palavras que apontam, inequivocamente, a necessidade de uma ruptura com a ordem imperialista, a necessidade da revolução: “por toda parte ouço dizer que meu vício mais imperdoável é a falta de fé na democracia. Quem sabe quantos artigos e até livros já foram escritos sobre esse tema! Mas o fato é que, quando me ocorre pedir que me deem uma lição prática de democracia, todo mundo se esquiva. Nem um único país em todo o planeta que se disponha a carimbar o visto no meu passaporte! E, sendo assim, querem me fazer acreditar que aquela outra disputa, imensamente mais importante e mais sangrenta, que é a disputa entre os que possuem e os despossuídos, poderá ser resolvida aplicando-se com rigor exímio os hábitos e as formas da democracia?”. Embora as contribuições de Trotsky se manifestem em diversos campos, tanto teóricos quanto práticos, neste 86º aniversário de seu assassinato, reivindicamos em especial seu legado sobre as revoluções, “a locomotiva da história”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Texto publicado na Carta Semanal do POSI (Partido Obrero Socialista Internacionalista) da Espanha (trechos)</strong></p>
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		<title>Crime contra a luta pela terra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 15:22:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Campanha pela punição aos assassinos dos sem-terra Beto e Jurandir ajudou a defender o acampamento Nova Esperança Em 20 de dezembro de 1998, dois jovens sem-terra militantes da corrente O Trabalho foram brutalmente assassinados em São José dos Campos (SP). Roberto (Beto) de Oliveira Duarte, 22 anos, e Jurandir dos Santos, 26 anos, saíram a [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Campanha pela punição aos assassinos dos sem-terra Beto e Jurandir ajudou a defender o acampamento Nova Esperança</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 20 de dezembro de 1998, dois jovens sem-terra militantes da corrente O Trabalho foram brutalmente assassinados em São José dos Campos (SP). Roberto (Beto) de Oliveira Duarte, 22 anos, e Jurandir dos Santos, 26 anos, saíram a pé tarde da noite do bairro do Alto da Ponte e não foram mais vistos. Seus corpos foram encontrados com sinais de grande violência e de execução sumária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O crime provocou forte impacto entre os integrantes do acampamento Nova Esperança, que haviam ocupado a improdutiva fazenda Santa Rita, na zona rural de São José dos Campos, no vale do Paraíba, três meses antes, gerando temor e insegurança. A solidariedade foi imediata. Ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que dirigia a ocupação, somaram-se o Diretório do PT da cidade, com seus vereadores Amélia Naomi e Carlinhos Almeida, a corrente O Trabalho, entidades sindicais (como os sindicatos dos Metalúrgicos de São José dos Campos e dos Jornalistas de São Paulo), parlamentares e entidades democráticas. Passada a virada do ano, iniciou-se a campanha pela apuração do crime e a punição dos assassinos, que se estendeu por mais de dois anos no Brasil e no exterior, enfrentando-se com a cumplicidade e o acobertamento promovidos pela polícia, pela Justiça e pelo então governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-20 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Acampamento Nova Esperança</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo semestre de 1998, o MST estava recrutando trabalhadores para ampliar as ocupações fundiárias no Vale do Paraíba, onde a propriedade da terra concentrada nas mãos de poucos fazendeiros remonta ao período colonial. Para isso, buscou a ajuda do PT em Osasco (de onde veio Beto) e também em Suzano e Mogi das Cruzes (de onde veio Jurandir). Militantes da corrente O Trabalho na região, Ovídio e Marisa Ferreira Dias, José Ivaldo e Joel Gama decidiram integrar o grupo que ocupou a fazenda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando Joel, Beto e Jurandir foram juntos a um bar, num sábado à noite (19/12), já contavam sete militantes, incluindo Jô Bezerra, companheira de Jurandir. Naquele momento, os acampados estavam recebendo várias ameaças, e Jurandir encabeçava uma ação judicial contra o fazendeiro Valdir Pena, proprietário da fazenda, e havia sofrido abordagens policiais por quatro vezes nos dias anteriores. Na hora de irem embora, perto da meia-noite, o carro de Joel quebrou. Ele ficou no carro, mas os dois decidiram sair a pé. Foram pegos no caminho e assassinados nas horas seguintes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O inquérito instalado pela Delegacia da Polícia Civil do Alto da Ponte insistia em investigar as vítimas (o movimento dos sem-terra), mas acumulou evidências de ação de um grupo de extermínio ligado a policiais, com certeza vinculado aos fazendeiros da região. Um dos álibis claramente forjados que apareceram na investigação tinha sua origem num trailer de bebidas ao lado da própria delegacia. Nada disso bastou para que a Justiça se dispusesse a avançar na apuração do crime. O inquérito se estendeu mais do que queriam, sempre por pressão do movimento social.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-21 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Campanha pela punição dos criminosos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Já nos primeiros dias de janeiro, uma delegação encabeçada pelo deputado estadual do PT Renato Simões, então presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo, reuniu-se com o delegado seccional da região para exigir uma apuração séria do crime. Em 10 de fevereiro, um ato público com 400 pessoas ocupou uma praça central da cidade, apontando claramente policiais e fazendeiros como prováveis autores do crime. Estiveram presentes Vicentinho, presidente da CUT, Delvek Matheus, da direção do MST, e Renato Simões, além de vereadores da região e dirigentes sindicais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dirigida ao Ministério da Justiça, a campanha exigindo aapuração do crime e a punição aos criminosos foi lançada por Simões, vereadores, MST, os sem-terra do acampamento, nove sindicatos, quatro diretórios municipais do PT, entidades estudantis, PSTU e PCdoB. A moção dirigida ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, trazia as exigências e acusava: “- o governo federal é responsável por estas mortes, pois não realiza a reforma agrária, impedindo que milhões de brasileiros tenham como sobreviver; os fazendeiros são responsáveis por estas mortes, pois armam jagunços que ameaçam e assassinam. Sua organização, a UDR, se reorganiza para tentar impedir pelo terror o amplo acesso à terra.” Já nos primeiros dias, segundo o jornal “O Trabalho” nº 450 (21 de janeiro de 1999), a campanha internacional obtinha apoios em 11 países das Américas, Europa, Ásia, África e Oceania, com destaque para a central sindical AFL-CIO, dos EUA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 16 de abril, 600 pessoas lotaram a Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo. Estavam na mesa o senador Eduardo Suplicy (PT) e Plínio de Arruda Sampaio (secretário agrário nacional do PT), além de dirigentes da CUT, do MST, parlamentares, representantes do PCdoB, PSTU e PMDB – e o Centro Acadêmico XI de Agosto, co-promotor do ato. Eliana Oliveira, mãe de Beto, emocionou os presentes à frente de uma delegação de 40 pessoas vindas de Osasco. O advogado das famílias, José Luís de Oliveira Lima, explicou que a polícia, até aquele momento, usava o inquérito como pretexto para investigar basicamente o funcionamento do MST e do acampamento, e ignorava as evidências que apontavam para os fazendeiros.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-22 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>A luta continua</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A campanha se estendeu por mais de dois anos, colocando sempre a polícia e a Justiça sob pressão, mas sem conseguir modificar, ao final, a decisão judicial de arquivar o processo por falta de evidências da autoria dos crimes. A polícia, responsável pela apuração, tinha evidente ligação com os assassinatos, e sua preocupação foi sempre a de proteger os criminosos. A campanha, entretanto, teve o enorme saldo de barrar a agressão dos fazendeiros contra o acampamento. Os acampados conseguiram apoio firme para resistir na terra, iniciar gradativamente a produção, persistir até a desapropriação, alguns meses depois, e até o assentamento definitivo em 2002. Hoje, o Assentamento Nova Esperança está consolidado com diversificada produção agrícola.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a></a> Como disse Jô, em entrevista ao jornal “O Trabalho” nº 468, “fomos muito ajudados pela ação do comitê (de campanha), de gritar para o mundo inteiro que há pessoas ali, naquela fazenda, sofrendo e até perdendo suas vidas na luta pela terra.” Beto e Jurandir perderam suas vidas, mas a luta não foi em vão, e prossegue até a implantação de uma reforma agrária no Brasil que dê o amplo acesso à terra aos trabalhadores do campo, acabando com a indecente concentração fundiária em benefício da elite e do grande capital.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Paulo Zocchi</strong></p>
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		<title>Em 1976 é fundada a Organização Socialista Internacionalista, OSI</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 20:31:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Unificação de grupos trotskistas se dá durante a luta contra a ditadura militar Há meio século o mundo vivia as consequências do chamado “choque do petróleo” de 1973, o embargo decidido por países árabes produtores aos EUA e outros países apoiadores de Israel na “Guerra do Yom Kipur” (1), o que provocou a explosão dos [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Unificação de grupos trotskistas se dá durante a luta contra a ditadura militar</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há meio século o mundo vivia as consequências do chamado “choque do petróleo” de 1973, o embargo decidido por países árabes  produtores aos EUA e outros países apoiadores de Israel na “Guerra do Yom Kipur” (1), o que provocou a explosão dos preços do<br>combustível e uma prolongada crise econômica mundial. O cenário também era marcado pela derrota imposta aos EUA na guerra do<br>Vietnã em 1975 e pela Revolução dos Cravos de abril de 1974 em Portugal, que se combinou com a independência de suas antigas colônias africanas, como Angola e Moçambique. No Brasil a ditadura militar, com o general Geisel, falava em “distensão lenta, segura e gradual”, mas mantendo o seu aparato repressivo. A ditadura de Pinochet no Chile entrava em seu terceiro ano, enquanto na Argentina o golpe<br>militar de 1976 levava o general Videla ao poder, o que possibilitou a Operação Condor, a repressão conjunta desses regimes<br>aos que lutavam contra as ditaduras na região. O ano de 1976 começou no Brasil com o assassinato do operário metalúrgico Manoel<br>Fiel Filho nas dependências do DOI-CODI (2) em janeiro e terminou em dezembro com o “massacre da Lapa” em que o exército<br>assassinou três dirigentes do PCdoB. O movimento estudantil que se reconstruía, concentrava a resistência e oposição<br>à ditadura, com o movimento operário altamente vigiado e obrigado a um trabalho de base semiclandestino.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-27 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>A criação da OSI</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>É nesse quadro que ocorreu a criação da Organização Socialista Internacionalista (OSI), numa conferência clandestina realizada na Praia Grande (SP) em novembro de 1976. Essa conferência concluiu um processo de unificação de grupos trotskistas brasileiros que se deu sob impulso do Comitê de Organização pela Reconstrução da 4ª Internacional (3). Ele se cumpriu em duas etapas: no início de 1976 formou-se a Organização Marxista Brasileira (OMB) com a fusão da Fração Bolchevique Trotskista (FBT), com o Grupo Outubro e a Organização<br>de Mobilização Operária (OMO); em novembro a OMB fundiu-se com a Organização Comunista 1º de Maio (surgida em 1968 como grupo), dando origem à OSI, que passou a contar com mais de uma centena de militantes em vários estados. O que aproximou os grupos que<br>deram origem à OSI foi a crítica comum tanto à política traidora do Partido Comunista Brasileiro (PCB), quanto ao “foquismo” guerrilheiro nos “anos de chumbo” da ditadura (1968-72), que, isolado das massas, foi brutalmente liquidado pelo aparato policial e militar.<br>Os trotskistas defendiam um trabalho junto às massas para reconstruir suas organizações na luta pelas liberdades democráticas contra a ditadura; um trabalho baseado nos princípios de independência de classe e do internacionalismo.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-28 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Liberdade e Luta</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="570" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-1024x570.png" alt="" class="wp-image-22478" style="aspect-ratio:1.7965260545905708;width:724px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-1024x570.png 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-300x167.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-150x84.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-768x428.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-754x420.png 754w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-696x388.png 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu-1068x595.png 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/libelu.png 1081w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Poucos meses antes da criação da OSI, em julho de 1976, a Frente Estudantil Socialista, ligada ao 1º de Maio, e a Tendência pela Aliança Operário-Estudantil, ligada à OMB, depois de um trabalho comum nas mobilizações estudantis do período, como a greve da ECA de 1975, unificaram-se, dando origem à Liberdade e Luta (Libelu), inicialmente como nome da chapa que concorreu às primeiras eleições do DCE-Livre da USP. A tendência estudantil Liberdade e Luta, em pouco tempo, atraiu milhares de jovens em todo o país, jogando um papel importante nas mobilizações e passeatas por “Abaixo a ditadura” que antecederam a entrada em cena da classe trabalhadora com a onda de greves iniciada no ABC em 1978.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-29 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>O trabalho no movimento sindical</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a OSI a busca por implantar-se no movimento operário era o principal. Os êxitos obtidos no movimento estudantil não mudavam essa prioridade. As forças que nela se fundiram já animavam tendências sindicais classistas e oposições aos “pelegos” e à estrutura sindical<br>oficial, publicando boletins e montando grupos de base em várias categorias. O seu primeiro órgão foi o “Jornal dos Trabalhadores”,<br>produzido de forma semiartesanal (mimeografado). Dois anos após ele será substituído pelo jornal impresso “O Trabalho”, lançado em 1º de maio de 1978. Através de “O Trabalho”, a OSI acompanhou e orientou seus militantes a intervir na onda de greves que se espalhou<br>por todo o país a partir de 1978. O que lhe permitiu desenvolver a sua própria orientação política: “Abaixo a Ditadura, por uma<br>Constituinte Soberana”; luta por sindicatos livres e uma Central Sindical Independente; luta por um Partido Operário.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-30 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>A questão do partido operário</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="391" height="531" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/cartaz.png" alt="" class="wp-image-22479" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/cartaz.png 391w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/cartaz-221x300.png 221w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/cartaz-110x150.png 110w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/cartaz-309x420.png 309w" sizes="(max-width: 391px) 100vw, 391px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As eleições de 1978, no quadro do bipartidarismo da ditadura, possibilitaram a campanha “Nem Arena, nem MDB, voto nulo por um Partido Operário”, feita pela OSI junto com outros setores (como a oposição metalúrgica de São Paulo). Isso, quando vários dos que viriam a dar<br>origem ao PT faziam campanha por candidatos do MDB. A atividade da OSI desdobrou-se nas lutas pela liberdade dos presos políticos;<br>pela Anistia ampla, geral e irrestrita; pela libertação de Lula e dirigentes grevistas presos. Campanhas em apoio à revolução na Nicarágua e à luta do sindicato “Solidariedade” contra a burocracia stalinista na Polônia, destacavam o caráter internacionalista de sua ação.<br>As greves de massa colocaram a questão da liberdade sindical e da unidade dos trabalhadores numa central sindical. A OSI participou da construção do Encontro Nacional de Trabalhadores em Oposição à Estrutura Sindical (ENTOES, 1979/80), que agrupou o “sindicalismo<br>combativo” e de outras iniciativas que confluíram para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora – a CONCLAT de 1981 – que criará a comissão nacional pró-CUT.<br>A OSI, antes da fundação do PT em 1980, havia adotado o objetivo de ter mil militantes e se tornar uma organização legal. Sua posição a favor de um partido operário independente a fez, após intensa discussão interna, aderir à  construção do PT, o que será objeto de um próximo artigo desta série.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br><strong>Lauro Fagundes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">(1) “Guerra do Yom Kipur”: trata-se da guerra árabe-israelense de 6 a 26 de outubro de 1973, quando forças do Egito e da Síria<br>tentaram retomar os territórios perdidos para Israel em 1967 na “Guerra dos seis dias”. </p>



<p class="wp-block-paragraph">(2) DOI-CODI: Destacamento de Operações<br>de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna, centro de tortura na Rua Tutóia em São Paulo durante da ditadura militar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">(3) A 4ª Internacional, fundada em 1938, sofreu uma crise de dispersão em 1952-53, fruto da revisão de seu programa feita por<br>Michel Pablo e outros dirigentes. Afirmando a necessidade de sua reconstrução sobre a base do “Programa de Transição”, surgiram<br>sucessivos agrupamentos internacionais. Em 1972 é constituído em Paris o Comitê de Organização pela Reconstrução da 4ª Internacional<br>(CORQUI), com a OCI francesa e Pierre Lambert.</p>
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		<title>A OSI torna-se a Corrente O Trabalho do PT</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 20:13:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">As articulações políticas que irão desembocar na fundação do PT em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion em São Paulo, se deram ao<br>longo de 1979, com o lançamento de sua Carta de Princípios em maio e a criação em outubro da Comissão Nacional Provisória do Movimento pelo Partido dos Trabalhadores. No plano mundial, o ano de 1979 foi marcado pela eclosão da revolução no Irã, que derrubou a monarquia do Xá (imperador) Reza Pahlevi, que era um pilar do imperialismo dos EUA no Oriente Médio. Uma revolução popular, com<br>forte participação dos trabalhadores, sindicatos e organizações de esquerda, que será depois confiscada pelos aiatolás (1). Em 19 e 20 de<br>julho do mesmo ano é derrubada a ditadura Somoza na Nicarágua, como resultado da ação das massas que se apoiaram na Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), com grande impacto na América Latina. Em 20 de janeiro de 1980 a direção da Organização<br>Socialista Internacionalista adotou uma resolução sobre o recém fundado PT que dizia: “A OSI, como tal, em sua imprensa, em sua atividade, deve dizer muito claramente: ‘Somos a favor de todo passo no caminho da construção de um PT independente<br>do governo, do Estado, rompendo com a burguesia, situando-se no terreno da independência de classe do proletariado’”.<br>A OSI decide então entrar no PT “para ampliar o combate pela independência sindical na direção de uma Central Sindical Independente,<br>aspecto determinante da luta pela derrubada da ditadura militar; impulsionar o combate pela libertação da nação oprimida contra o imperialismo, por meio de uma campanha política centrada na palavra-de-ordem de Assembleia Constituinte Soberana e Democrática”<br>(Resolução do 4º Congresso, agosto de 1980). A evolução da situação revolucionária na Nicarágua, com a constituição pela FSLN de um governo de reconstrução nacional com setores burgueses, provocou um realinhamento de forças trotskistas no plano internacional. No<br>Brasil ele levou a um breve período de aproximação entre a OSI e a Convergência Socialista (CS) entre 1980 e Mas esse processo foi interrompido com a ruptura promovida pelos “morenistas” (2).</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-33 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Os primeiros anos do PT</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="743" height="1024" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/pt-743x1024.png" alt="" class="wp-image-22474" style="aspect-ratio:0.7255999511490159;width:398px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/pt-743x1024.png 743w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/pt-218x300.png 218w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/pt-109x150.png 109w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/pt-768x1058.png 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/pt-305x420.png 305w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/pt-696x959.png 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/pt.png 1021w" sizes="(max-width: 743px) 100vw, 743px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nos primeiros anos do PT, os militantes da OSI participaram ativamente do processo de legalização do partido, visitando bairros e locais de trabalho para atingir as filiações exigidas pela legislação da época. Participaram também de todo o processo que levou à fundação da CUT em agosto de 1983. Eles ajudaram a formular os estatutos da central com os princípios de independência diante dos patrões e governos, de autonomia diante dos partidos políticos e luta pela liberdade sindical. Também ajudaram a elaborar a “Linha sindical do PT”, adotada em seu 4º Encontro Nacional (1986). Dentro do PT, a OSI buscou um trabalho comum com seu núcleo dirigente – a chamada “Articulação dos 113” – que seguia então um curso à esquerda. Foi o período da campanha pelas “Diretas Já” (1984), com o posterior boicote do PT ao colégio eleitoral da ditadura, período em que o partido crescia de forma acelerada, com sua militância organizada em núcleos de base.<br>Em 1983, a OSI passa a fazer parte da 4º Internacional-Comitê internacional de Reconstrução (QI-CIR), surgido após o fim da QI-CI. Em maio de 1984, em seu 7º congresso, ela muda o seu nome para Fração 4ª Internacional do PT, assumindo em 1985 o nome que tem até hoje: Corrente O Trabalho do PT (OT). A luta por uma Constituinte Soberana em 1985/86 reforçou o PT como representação política dos trabalhadores e setores oprimidos e se prolongou na luta anti-imperialista contra o pagamento da dívida externa. </p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-34 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Em 1987, continuidade assegurada</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em maio de 1987, uma parte dos membros da direção de OT se dispôs a “abrir mão” da corrente e dissolvê-la na “Articulação dos 113”. A maioria dos militantes, contudo, apoiou o agrupamento formado pelos dirigentes que se opunham à dissolução de OT e de seus laços com a QI-CIR, assegurando assim a sua continuidade no seu 10º congresso (junho de 1987). Nesse período ocorre o Congresso Constituinte (1986-88) sob o governo de Sarney e OT incide nas discussões que levam tanto o PT, cuja bancada votou “não” ao texto global, como a<br>CUT, no seu 3º congresso em Belo Horizonte, a adotarem posição contrária à Constituição de 1988, fruto de um “pacto das elites” que bloqueava as reformas estruturais e preservava entulhos da ditadura no sistema político, além de proteger os crimes dos militares.<br>No plano internacional, OT associa setores do PT e da CUT à realização do Tribunal Internacional de Lima (Peru) contra a Dívida Externa em maio de 1989. Em 9 de novembro de 1989 ocorre a queda do Muro de Berlim que vai impactar o mundo todo e em particular as organizações que se reivindicam do socialismo. Suas consequências no PT e na luta pela reconstrução da 4ª Internacional serão objeto de outro artigo desta série que comemora os nossos 50 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lauro Fagundes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Notas:<br>1 &#8211; Aiatolá é a denominação dada a líderes do alto clero muçulmano xiita que ocupam o papel de líder supremo da República Islâmica do Irã, combinando autoridade religiosa e poder político. </p>



<p class="wp-block-paragraph">2 &#8211; O Comitê Paritário (CP) foi criado no final de 1979 somando as forças do CORQUI – Comitê de Organização pela Reconstrução da 4ª Internacional, ao qual pertencia a OSI &#8211; com a Fração Bolchevique “morenista” (do nome do dirigente argentino Nahuel Moreno) e a Tendência Leninista-Trotskista (TLT). Ambas romperam com o Secretariado Unificado (SU) após a sua negativa de defender<br>militantes trotskistas da Brigada Simón Bolívar da repressão promovida contra eles pela FSLN na Nicarágua. O CP organizou um congresso mundial que criou a 4ª Internacional-Comitê Internacional em 1981 (QI-CI) agrupando a maioria das forças que se reivindicavam do trotskismo, mas que foi rompida em pouco tempo por Moreno, usando o pretexto de que a seção francesa (OCI) teria capitulado diante<br>do governo Mitterrand (PS). A CS era a organização “morenista” no Brasil.</p>
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		<title>A luta na Oposição Sindical durante a ditadura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 19:48:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há 50 anos nascia a OSI, seção brasileira da 4ª Internacional, num turbilhão de acontecimentos que davam sinais de que a classe operária brasileira se levantava contra a ditadura militar e sua política de arrocho salarial e repressão. Na época, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo era dirigido pelo pelego Joaquinzão, interventor da ditadura [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Há 50 anos nascia a OSI, seção brasileira da 4ª Internacional, num turbilhão de acontecimentos que davam sinais de que a classe operária brasileira se levantava contra a ditadura militar e sua política de arrocho salarial e repressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na época, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo era dirigido pelo pelego Joaquinzão, interventor da ditadura militar no sindicato desde 1965 e, com o apoio do PCB (Partido Comunista do Brasil), permaneceu como presidente por 22 anos, até 1987. A OSI inicia sua intervenção política nos metalúrgicos da capital, com três militantes, dois deles se chamavam Élcio: um camarada da zona oeste e outro da zona sul, além dessa que aqui escreve, também da zona sul.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-40 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Metalúrgicos da capital paulista</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a memória não me falha, o primeiro contato com os metalúrgicos que se organizavam na Oposição (MOSMSP – Movimento de Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo) ao Joaquinzão, foi em 1978 na campanha “nem Arena, nem MDB, pelo partido operário independente”, colando, nas madrugadas, cartazes da campanha. Conheci neste período o companheiro Silva, era alto, grande, de riso fácil, um dirigente operário com quem desenvolvemos várias ações políticas. Tinha uma grande preocupação na comunicação com os trabalhadores. Frente a presença significativa de operários nordestinos na categoria, ele criava, na forma de cordel, histórias retratando situações da vida dos operários, muito bem recebidas quando apresentadas nas portas de fábrica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os militantes da 4ª Internacional integraram-se à luta dos metalúrgicos de São Paulo. Tanto na zona sul, como na zona oeste da capital, participávamos do MOSMSP e das atividades que prepararam uma das maiores mobilizações da categoria, a greve de 1979, apesar do obstáculo que representava a diretoria do Joaquinzão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo semestre de 1979, a Oposição participa da campanha salarial. Apesar das manobras da direção do sindicato para impedir a participação do MOSMSP, não puderam evitá-la. Organizávamos panfletagem e agitação na porta das principais fábricas, convocando para as assembleias, já propagandeando a necessidade da greve, caso os patrões não atendessem a reivindicação da categoria. Formaram-se os primeiros “comandos de mobilização”, que logo depois se transformaram em “comando de greve”. Os militantes da OSI presentes na mobilização, se integraram aos comandos da zona sul e zona oeste.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na assembleia que aprovaria a pauta de reivindicação da campanha salarial e dada a dificuldade em tomar a palavra, a Oposição organizou, junto com os trabalhadores da Metal Leve (fábrica da zona sul), uma enorme faixa onde se lia: 83% DE AUMENTO OU GREVE! Os pelegos foram pegos de surpresa, não tinham como controlar a assembleia e caso a patronal não aceitasse as reivindicações, a greve seria decretada. Na primeira negociação, os patrões ofereceram 59% de aumento e a greve foi aprovada!</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-41 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>A repressão e a morte do Santo Dias</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="703" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias-1024x703.jpg" alt="" class="wp-image-22470" style="width:773px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias-1024x703.jpg 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias-300x206.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias-150x103.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias-768x527.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias-612x420.jpg 612w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias-218x150.jpg 218w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias-696x478.jpg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias-1068x733.jpg 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias-100x70.jpg 100w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/santo-dias.jpg 1166w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Protesto no enterro de Santo Dias / reprodução</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br>O DOPS (Departamento da Ordem Pública e Social) acompanhava os passos dos militantes que se destacavam seja nos piquetes ou nas assembleias. Na zona Sul, o local cedido pelo sindicato, foi invadido pela Polícia, que prendeu mais de 100 pessoas. A partir daí, o Comando passa a se reunir na Capela do Socorro, região de Santo Amaro. Dois dias após o início da greve, Santo Dias, militante da Pastoral Operária e dirigente do MOSMSP, é assassinado na portaria da fábrica Silvânia, em um piquete pacífico, com um tiro nas costas.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-42 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Mas a greve cresceu!</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se o objetivo era amedrontar os trabalhadores e fazê-los recuar, o resultado foi exatamente o oposto. A morte do companheiro Santo Dias fez crescer a indignação dos trabalhadores, as homenagens a Santos Dias reuniram dezenas de milhares e a greve cresceu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recordo-me da felicidade dos operários e operárias que chegavam ao sindicato para informar a paralisação, em contradição com os semblantes nervosos dos dirigentes pelegos! Nem a diretoria do Joaquinzão, nem a Oposição Metalúrgica tinha controle da enorme mobilização dos operários! Isso preocupava empresários e a FIESP (Federação da Indústria do Estado de São Paulo) que queriam que os pelegos terminassem logo com a greve.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na região sul, onde estavam as maiores fábricas multinacionais, organizamos piquetes que começavam entre 4 e 5 horas da manhã. No corredor fabril da “Marginal Pinheiros”, o piquete passava e não deixava um único operário na fábrica. Chamávamos de “piquete bola de neve”, com fábricas revistadas uma a uma pelos membros do Comando de Greve.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-43 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>As assembleias</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pelegos não puderam evitar os Comandos de Greve, mas impediram a constituição de um Comando Geral de Greve que dirigisse e negociasse com a patronal. Somente a diretoria do sindicato negociava. Essa situação foi crucial no desenvolvimento dos acontecimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na segunda assembleia, a Rua do Carmo, centro de São Paulo, foi totalmente tomada pelos operários e operárias em greve, cerca de 30 mil em frente ao Sindicato. Os patrões oferecem 72% e o Joaquinzão fala que não dá para conseguir mais do que isso. Os operários vaiam, os pelegos se revezam para impor os 72% e impedem que a Oposição tome a palavra na assembleia. A assembleia termina em pancadaria entre os “leões de chácara” contratados pelos pelegos e militantes da Oposição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os comandos de greve, a partir de proposta da Oposição, mantêm a greve, mas a confusão entre os trabalhadores é inevitável, ainda que muitas fábricas mantivessem a paralisação. Mesmo dentro do MOSMSP surge a proposta de encerrar a greve. Mas, nós, militantes da OSI não tínhamos a mesma avaliação e defendemos na assembleia, que se reuniu novamente em frente ao sindicato, mas dessa vez sem a participação dos pelegos, que mantivéssemos a greve, que ainda tínhamos apoio entre os operários para continuá-la e conseguimos a maioria para mantê-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As condições existiam para a continuidade, mas exigia uma direção firme e coesa, o que não ocorreu. E nós, militantes da 4ª Internacional, éramos a minoria na Oposição e o resultado foi que a decisão da assembleia não foi encaminhada. Não pudemos impedir o fim da greve, mas nossa firme posição permitiu que nos construíssemos na categoria metalúrgica.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-44 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>As comissões de fábricas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Partindo de experiências anteriores do movimento operário e na grande mobilização no ABC, o MOSMSP impulsiona a organização de comissões de fábrica. Monark, MWM (essas dirigidas por militantes da OSI), Metal Leve e Ford entre outras, se organizam nesse período. Mas, à exceção da comissão da Ford, desaparecem por conta das demissões que pouco a pouco – e cirurgicamente – são organizadas pela patronal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sumara Ribeiro</strong></p>
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		<title>1979: Liberdade para os presos de Itamaracá</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 19:40:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A OSI foi às ruas na luta pela anistia ampla, geral e irrestrita Com a ditadura militar entrando nos estertores, a campanha pela anistia geral e irrestrita aos que combatiam o regime militar ganhou destaque. Passeatas estudantis ocupavam as ruas. A tendência estudantil, animada pela Organização Socialista Internacionalista (OSI), levantava a bandeira de ABAIXO A [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>A OSI foi às ruas na luta pela anistia ampla, geral e irrestrita</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a ditadura militar entrando nos estertores, a campanha pela anistia geral e irrestrita aos que combatiam o regime militar ganhou destaque.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Passeatas estudantis ocupavam as ruas. A tendência estudantil, animada pela Organização Socialista Internacionalista (OSI), levantava a bandeira de ABAIXO A DITADURA! Não sem enfrentar resistência de outras tendências do movimento estudantil. O “abaixo a ditadura”, ganhou as ruas, como registram fotos de faixas e cartazes das manifestações da época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No movimento operário do ABC paulista latejava a luta direta da classe operária que eclodiu nas greves nos anos seguintes. A efervescência dava o tom da situação. Era preciso, e possível, avançar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A OSI se dispôs totalmente nesta perspectiva. Seu jornal (O Trabalho, lançado em 1º de maio de 1978), estampava as lutas e a nossa disposição em avançar.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-48 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Anistia ampla, geral e irrestrita</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="740" height="1024" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia-740x1024.jpg" alt="" class="wp-image-22465" style="aspect-ratio:0.7226565109908465;width:434px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia-740x1024.jpg 740w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia-217x300.jpg 217w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia-108x150.jpg 108w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia-768x1062.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia-1111x1536.jpg 1111w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia-1481x2048.jpg 1481w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia-304x420.jpg 304w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia-696x963.jpg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia-1068x1477.jpg 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/anistia.jpg 1851w" sizes="(max-width: 740px) 100vw, 740px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em fevereiro de 1978 foi criado o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA). A OSI, sem pestanejar, agarrou o movimento, que foi fundamental para abalar mais os alicerces da ditadura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como sempre, em momentos de efervescência, a luta por objetivos comuns, uma iniciativa de frente única, trazia juntas diferentes opiniões. A OSI engajada e respeitando a frente única, todavia, não abriu mão de sua independência a ofereceu a sua opinião e ação. Era preciso ousar, avançar.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-49 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Era preciso ousar. A OSI ousou e o Parque São Jorge lotou</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No auge desta campanha a OSI ousou organizar um show pela anistia e pela libertação dos presos de Itamaracá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 17 de agosto de 1979 o show no ginásio do parque São Jorge, reuniu cerca de oito mil pessoas e teve a presença e apoio de artistas famosos ou em início de carreira. Entre eles um merece destaque: Luiz Melodia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um verdadeiro testemunho sobre este show, José Castilho, hoje professor aposentado pela Unesp e à época militante da OSI, e responsável pela organização do show, escreveu um texto (agosto de 2017) quando do falecimento de Luiz Melodia, que nos traz à memória a ousadia da ação da OSI.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Luiz Melodia, o poeta que também cantou pela anistia em 1979” título do texto de José Castilho. Um testemunho, que nos leva a nos inspirarmos no nosso passado, agora que completamos 50 anos, como um guia de nossa luta presente e futura. Aqui trechos deste texto, disponível na íntegra no site da Unesp.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-50 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br>“<strong>Partíamos com a cara e coragem”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O grupo político que eu militava, ligado à famosa Libelu do movimento estudantil, liderou uma campanha pela libertação dos presos políticos da Ilha de Itamaracá. No auge desse movimento, em 1979, resolvemos organizar um Show pela Anistia e pelos Presos Políticos de Itamaracá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Evidentemente nenhum de nós tinha qualquer experiência em realizar shows musicais, principalmente com grandes artistas que esperávamos aderissem. Mas como tudo que fazíamos, partimos com a cara e a coragem. O glorioso Corinthians, o da Democracia Corintiana, foi o único que se prontificou a ceder gratuitamente seu ginásio. Os artistas aderiram em número significativo e a única defecção foi Elis Regina, que seria a grande atração da noite. Ela me ligou horas antes dizendo que resolvera não aderir alegando questões políticas mais gerais. Creio que sofreu pressões de parte da esquerda para não entrar nessa campanha específica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ginásio lotado, tensão no auge, o show começou com toda pinta que seria uma noite intensa e de sucesso. Estávamos eufóricos, tudo estava dando certo e a música se confundia com a vibração pela política e o sentimento que estávamos quase no final do túnel sombrio da ditadura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por volta das 23 horas um dos nossos seguranças do Corinthians me chamou apressado para atender um insistente telefonema nos bastidores. Meio a contragosto fui atender:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Alô, quem fala? &#8211; Oi, é o Luiz, você é o produtor? -Sim, sou eu. O que você quer? &#8211; Queria ir aí, cantar umas músicas. &#8211; Cara, o show tá completo, você é quem mesmo? &#8211; Sou o Luiz. &#8211; Qual Luiz? &#8211; Luiz Melodia, dá pra me encaixar? -Luiz Melodia, cara, aonde te encontro, vou te buscar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E ele chegou, com uma roupa branca, daquelas batas indianas que usávamos, subiu ao palco, ele e o violão, ovacionado. E cantou:</p>



<p class="wp-block-paragraph">‘Se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio.’ Naquela figura magricela, brasileira até o último, e na sua música inigualável e peculiar, estávamos todos, presentes, resistindo às botas da ditadura e praticando o melhor que tínhamos para oferecer naquele momento.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 28 de agosto de 1979 (governo Figueiredo) foi promulgada a lei da anistia que, vergonhosamente livrou também a cara dos assassinos e torturadores. Integrada à Constituição de 1988 e chancelada pelo Supremo Tribunal Federal, foi repudiada à época pela OSI que hoje, Corrente O Trabalho do PT segue combatendo contra esta excrecência, que leva nosso país, diferentes de países (como Chile e Argentina) manterem impunes seus assassinos. Vivos ou mortos seus agentes, os crimes da ditadura não podem ficar impunes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Misa Boito</strong></p>
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		<title>“A CUT é união, sem pelego e sem patrão”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 19:35:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[50 anos da corrente O Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Onda de greves coloca a questão da central sindical independente Em maio de 1978, a partir da greve metalúrgica de São Bernardo do Campo, inicia-se um período de intensa luta de classe no Brasil, com uma onda de greves que atingiu todos os setores de atividade econômica em todo o país. As greves se chocavam [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Onda de greves coloca a questão da central sindical independente</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em maio de 1978, a partir da greve metalúrgica de São Bernardo do Campo, inicia-se um período de intensa luta de classe no Brasil, com uma onda de greves que atingiu todos os setores de atividade econômica em todo o país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As greves se chocavam diretamente com a estrutura sindical oficial, herdada do Estado Novo de Getúlio Vargas, que era totalmente controlada pelo Estado, através do Ministério do Trabalho, que a financiava com o imposto sindical e impunha a “unicidade”, um único sindicato de categoria na mesma base territorial, além de proibir a existência de central sindical e a sindicalização dos servidores públicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal estrutura permitia o controle dos governos sobre os sindicatos, que poderiam sofrer intervenções do Ministério do Trabalho. O “estatuto padrão”, de adoção obrigatório para a obtenção da “carta sindical” (reconhecimento legal) definia o sindicato como “órgão de colaboração com o poder público”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A OSI, que caracterizava os sindicatos oficiais como braços do Estado burguês no Brasil, adotou a orientação de combater por sindicatos livres e por uma Central Sindical Independente. A discussão que existia na vanguarda do movimento operário então era se a luta passava por dentro ou por fora da estrutura sindical oficial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento concreto da luta mostrou a combinação dos dois caminhos: no funcionalismo foram criados sindicatos livres por fora da estrutura oficial que os proibia, como em professores e servidores das três esferas; no setor privado, as oposições sindicais disputavam “por dentro” com os pelegos e ainda ocorreu que direções de sindicatos oficiais, ao confrontar os patrões e serem reprimidas pela ditadura, passavam a lutar pela liberdade e autonomia sindical, como ocorreu com Lula e seus companheiros de sindicato.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-54 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>ENTOES, oposição à estrutura sindical</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="602" height="394" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/entoes.png" alt="" class="wp-image-22461" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/entoes.png 602w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/entoes-300x196.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/entoes-150x98.png 150w" sizes="(max-width: 602px) 100vw, 602px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O surgimento do PT em fevereiro de 1980 aglutinou as direções sindicais combativas e as oposições sindicais num mesmo terreno político. O PT era combatido pelos stalinistas do PCB, PCdoB e MR-8, que estavam no MDB, por “dividir a oposição” à ditadura. No plano sindical, eles defendiam a estrutura oficial em aliança com os pelegos no bloco Unidade Sindical (US) e propunham uma conferência da classe trabalhadora, a CONCLAT, restrita à cúpula sindical.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 13 e 14 de setembro de 1980, em Nova Iguaçu (RJ), cerca de 500 sindicalistas reuniram-se no Encontro Nacional de Trabalhadores em Oposição à Estrutura Sindical (ENTOES). O jornal “O Trabalho” nº 76 o apresentou da seguinte forma:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Assim como o PT, o ENTOES ganhou força principalmente a partir da greve dos metalúrgicos do ABC — que teve a qualidade de provocar importantes deslocamentos no interior do movimento operário. O choque da política levada pela Unidade Sindical — que buscou brecar o crescimento da solidariedade à greve — com o movimento dos trabalhadores fez destacar ainda mais inúmeros dirigentes sindicais comprometidos com a luta pela independência sindical. Mesmo dirigentes que estavam dentro da Unidade Sindical — como o próprio Lula, sindicatos dos couros, vidreiros, jornalistas e bancários, por exemplo — enxergaram a necessidade de reforçar o ENTOES, que já vinha sendo articulado desde o início do ano, antes mesmo da greve do ABC.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ENTOES aglutina hoje as principais forças que lutam pela organização independente dos trabalhadores. (&#8230;)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele se coloca claramente num terreno de classe, contra a estrutura sindical, que é um pilar da ditadura militar. Ele é muito mais amplo e democrático que a CONCLAT. Ele é o caminho pelo qual passa hoje a expressão consciente da luta de milhares e milhares de trabalhadores contra a intervenção do Ministério do Trabalho nos sindicatos, pelos sindicatos livres e independentes.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como expressão do “bloco combativo”, o ENTOES incentiva a luta das oposições sindicais contra os pelegos, mas “ao mesmo tempo, partindo da aspiração dos trabalhadores pela verdadeira UNIDADE, o ENTOES deve dirigir-se aos articuladores da CONCLAT chamando-os a se engajarem no processo concreto, em todas as lutas que estiverem colocadas. Só desta maneira é que se poderá partir para a realização de um Congresso Nacional de Trabalhadores&#8230;”</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-55 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>A CONCLAT da Praia Grande de 1981</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O ENTOES acabou permitindo ao “bloco combativo” entrar na preparação da CONCLAT de forma organizada e em condições de disputar com a US, que tinha mais recursos da estrutura oficial, as decisões da conferência que reuniu 5 mil delegados na Praia Grande (SP) entre 21 e 23 de agosto de 1981.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O “bloco combativo”, no qual participavam os sindicalistas ligados à OSI, conseguiu aprovar as suas principais posições e ganhou a votação de que o congresso de fundação da CUT – <strong>o </strong>CONCLAT – seria em 1982, contra o argumento da US de que era um ano eleitoral e que ele deveria ser em 1983. Duas chapas disputaram a comissão nacional Pró-CUT, mas a votação dividida levou a um acordo de paridade entre os dois blocos para formá-la com 56 membros, 23 deles rurais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vésperas da realização do congresso, a US aproveitou uma maioria circunstancial na Comissão Pró-CUT e o adiou para agosto de 1983.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando de novo, em 1983, a US quis adiar o CONCLAT de agosto para novembro, o bloco combativo, fortalecido pelo seu protagonismo na greve geral de 21 de julho contra decretos de arrocho salarial de Figueiredo, decidiu bancar a fundação da CUT.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-56 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br>“<strong>Nasce a CUT”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse era o título do editorial de nosso jornal nº 214, que dizia sobre a fundação da CUT em 28 de agosto de 1983:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A CUT nasceu. É certo que não veio pronta, mas nasceu forte. Agrupando quase mil entidades sindicais, com as principais lideranças da cidade e do campo presentes, apoiada por mais de 5 mil delegados eleitos por outras centenas de milhares de trabalhadores reunidos para esse fim em todos os rincões do país, essa Central Sindical nasce à margem e contra a atual estrutura sindical.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua força provém da massa de trabalhadores que se agrupa em seu redor. Essa força se expressa pela democracia de base com que foi gerada. Essa força é garantida pela independência face ao patronato e seu governo com a qual a central foi batizada. Assim, a verdadeira unidade dos trabalhadores começa a ser construída, na CUT.&nbsp;(&#8230;)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também os pelegos e burocratas do PCB ficaram desvairados. A conciliação com Figueiredo foi derrotada. Não acreditavam que o CONCLAT pudesse se realizar com o seu boicote. Esperavam dobrar pela chantagem os dirigentes que garantiram as condições de sua realização. E agora são os pelegos que brigam entre si. Vitorioso o CONCLAT, o seu ‘congresso’ de novembro, só poderia ser mesmo ‘um fantoche do governo’, como disse Lula, presidente do PT, no encerramento do encontro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa gente vai continuar manobrando, com certeza. Mas não poderão apagar a derrota que sofreram. Porque os trabalhadores subiram um degrau.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Julio Turra</strong></p>
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