O que mostram a Abstenção, Brancos e Nulos?

É preciso encarar a crise de representação

As eleições municipais terminam no 2º turno com uma soma ainda maior de abstenção, votos Brancos e Nulos de 38,4% do eleitorado – foi de 32,8% em 2016 – “vencendo” até em capitais importantes.

Nem a mídia nem os vitoriosos oficiais querem tirar uma conclusão do fenômeno, quer dizer, quando o mencionam! Não é preciso ser revolucionário para ser realista. A direção do PT deveria encarar o problema. E não dizer que é porque um aplicativo do TSE facilitou a abstenção. Ela aumentou, e os dados do TSE mostram que caíram os brancos e nulos, de quem “logicamente”, sob pandemia, não quis ir até lá protestar, mesmo sendo “obrigatório” votar.

Importante, não se trata, como mostra o gráfico, de um fato novo. É o produto da lenta e regular erosão da representação política desde 2008 (ainda governo Lula). E não é um problema brasileiro, mas um fenômeno mundial na crise atual – mais aqui, menos ali -, muitas vezes junto com explosões sociais fora dos partidos tradicionais socialistas ou populares, em especial na América Latina.

Quem ganhou o que?
A crise do sistema realimenta a perspectiva da luta por uma Assembleia Constituinte Soberana – unicameral, proporcional, com voto em lista e financiamento público exclusivo – para abrir uma saída para o povo com as reformas estruturais – reforma política, jurídica, da mídia e, inclusive militar -, como disse o 7º Congresso do PT, e se levantou no 1º turno presidencial de 2018 (retirado por Haddad no 2º turno).

A mídia mente que o PT acabou para reforçar que o “centro” venceu, depois que Bolsonaro se enfraqueceu. Especulam sobre 2022… e o povo que sofra até lá! A verdade é que a “velha política” e o centrão engordaram seu caixa nas prefeituras, manipulando as verbas do “Orçamento de guerra” desde abril. Mas isso, com um resultado eleitoral dominado pela abstenção recorde!

Na luta contra Bolsonaro – exigindo testagem em massa, tabelamento dos preços, nenhuma demissão, direitos políticos para Lula e outras medidas -, cabe discutir: se a Constituinte veio a se colocar no Chile, no Peru e na Guatemala, por que não, com a crise social em 2021,  pode vir a se colocar no Brasil de novo?

Markus Sokol

Artigo anteriorEleições 2020: começando um balanço
Próximo artigoVenezuela e as eleições de 6 de dezembro