Servidores públicos estão sacudindo Minas Gerais

Mobilizações incluem segurança, educação, saúde e outros, mas falta unidade

Ainda antes do carnaval, trabalhadores do serviço público e das estatais mineiras começaram a esquentar a luta contra o governo Zema. 

No dia 21 de fevereiro cerca de 20 mil trabalhadores da segurança pública (polícias civis, penais e militares, além de bombeiros) foram em massa às ruas de BH aos gritos de “a culpa é do Zema”. Eles exigem a recomposição da inflação, através do cumprimento de um acordo não honrado pelo governador em 2019 e se opõem à aprovação do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), um plano que se aprovado levaria a um congelamento salarial por 9 anos, proibição de concursos públicos, privatização de estatais e novas reformas administrativas e da previdência. Proibidos pela justiça de fazer greve, os servidores da segurança decidiram iniciar o que chamam de “movimento de estrita legalidade”. Uma espécie de operação tartaruga, em que só atendem as ocorrências emergenciais.

No mesmo dia 21 os trabalhadores da Empresa Mineira de Comunicação, responsável pela Rede Minas e a Rádio Inconfidência, entraram em greve, reivindicando reajuste salarial, negado desde 2013 e denunciam o desmonte da estatal.

No dia 23 foi a vez dos trabalhadores do Instituto de Previdência dos servidores de Minas Gerais (IPSEMG) deflagrarem greve. 

Pressionado, Zema anunciou uma recomposição linear de 10% a todos os servidores do estado, o que foi prontamente recusada por todas as categorias.

Depois do carnaval a temperatura subiu ainda mais
Em assembleia no dia 8 os trabalhadores da educação, organizados pelo Sindute, decidiram iniciar uma greve por tempo indeterminado. Eles reivindicam o reajuste do piso (33,24%) e sua aplicação sobre uma jornada de 24h, conquista inscrita na constituição do estado após uma mobilização ainda no governo Pimentel (PT), mas ignorada por Zema. 

Já os trabalhadores da saúde, no mesmo dia 8, decidiram por uma nova assembleia com paralisação no dia 16. No dia 9, uma massa de trabalhadores da segurança pública voltou a ocupar as ruas, ampliando a pressão sobre o governo Zema.

Falta unidade e solidariedade entre as categorias
Apesar das mobilizações e greves esquentarem, ainda não há um calendário de lutas unificado das categorias. Um problema grave a ser superado, e que enfrenta de um lado a resistência de alguns dirigentes (incluindo petistas e cutistas) que preferem classificar toda a massa de policiais como “fascista” ou “bolsominion”, mesmo se apresentam reivindicação justa, e de outro lado, o oportunismo real que existe baseado no velho princípio “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Luã Cupolillo



DAP ajuda a mobilização

O Diálogo e Ação Petista realizou no dia 7 de março uma plenária de emergência para servidores estaduais que teve mais de 120 inscritos e reuniu 80 participantes, de pelo menos 30 cidades e diversas categorias, como educação, saúde, segurança, meio ambiente, entre outras.

Depois de um rico debate a plenária decidiu, entre outras coisas, se dirigir ao conjunto dos servidores e suas organizações (sindicatos, associações, CUT e centrais) propondo a construção da unidade.

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