Abrir as porteiras, Múcio?
Em 4 de agosto o governo dos EUA revogou o visto da embaixadora Brasileira em Washington. A decisão é vista como uma resposta do governo Trump à ação do governo brasileiro que não aceitou a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador dos EUA no Brasil. Lula, corretamente, vetou o novo embaixador que foi designado por Trump para integrar uma missão diplomática que iria “acompanhar” as eleições brasileiras deste ano.
O governo Lula também negou, nos últimos dias, a entrada no Brasil de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que queriam ir à Brasília para se reunir com autoridades eleitorais brasileiras. O jornal estadunidense “The Washington Post” revelou no dia 24 de julho que o governo Trump enviaria funcionários do Departamento de Estado ao Brasil com o objetivo de “acompanhar” as eleições presidenciais e colocar em dúvida a transparência e a integridade do sistema eleitoral.
Os funcionários são Riley M. Barnes, assistente do Departamento de Estado, e Samuel Samson, assistente adjunto do mesmo órgão. Eles foram indicados por Trump logo depois de Flávio Bolsonaro, voltar a questionar as urnas eletrônicas em um evento com embaixadores em Brasília.
Milei, lacaio dos EUA, ataca Lula
Não por acaso, o presidente da Argentina, Javier Milei, saiu atacando Lula em visita recente ao Brasil para o lançamento da candidatura de Flávio. Fez um discurso em que chamou Lula de “corrupto e ladrão” e Alexandre de Moraes de “lixo careca”. Além, é claro, de ovacionar Bolsonaro e seu filho candidato na luta com o “socialismo”.
A resposta do governo brasileiro foi convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires de volta ao Brasil e fazer com que ele manifestasse as críticas do governo brasileiros com as declarações de Milei em território nacional. É bastante óbvio que Milei não está agindo da sua própria cabeça, lacaio de Trump, se somou ao esforço do imperialismo estadunidense para impedir a reeleição de Lula.
Milei não esconde seu propósito de influência nas eleições brasileiras, depois de tudo isso, no dia 4 de agosto em entrevista na Argentina reafirmou que Lula é corrupto e ladrão na sequência foi perguntado se seus comentários poderiam influenciar a eleição brasileira ao que ele respondeu: “Esperamos que sim, esperamos que o Brasil também se pinte de azul, mas pelo bem dos brasileiros. Livrar-se dos corruptos ladrões é sempre bom. Livrar-se dos esquerdistas é sempre bom também”.
Múcio do lado de lá!
José Múcio, Ministro da Defesa do governo Lula, achou de bom tom fazer uma brincadeira neste contexto de escalada de ameaça da ingerência imperialista no Brasil, em um evento da Confederação Nacional da Indústria ele afirmou: “Me perguntaram, se os Estados Unidos quisessem invadir o Brasil, o que é que eu faria. Temos que abrir o portão. O Brasil não tem equipamento para enfrentá-los, nem tem dinheiro para consertar o portão”.
É preciso ir além, para defender a soberania nacional
Os jornais informam que a fala do ministro foi malvista por Lula, é claro. Lula corretamente defendeu no evento de lançamento de sua candidatura à presidente no último dia 2 de agosto a soberania nacional, contra a ingerência externa nas eleições, a defesa da exploração nacional das terras raras e aumento nos gastos em defesa, necessários para proteger o território nacional. Como ele próprio disse no discurso, o novo governo precisa fazer mais: “Eu não quero mais ser o presidente do Bolsa Família. É preciso mais, mais, mais, e mais. E nesse ‘ser mais’ a gente precisa ser mais ousado para a gente mudar muita coisa.”
No momento em que a pressão do imperialismo aumenta sobre o Brasil é certo que é necessário fazer tudo isso e ainda outras coisas, em um novo mandato de Lula. Quanto mais claras as mudanças radicais que o novo governo deve fazer estiver na campanha, mais claro estará para o povo o que está em questão nestas eleições.
Cristiano Junta

