O Dr. Abu Safiya corre risco de morte iminente!

Médico palestino está há mais de 550 dias nas masmorras de Israel

Recentemente a associação israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHRI) alertou: “o Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan de Gaza, preso pelo Estado israelense há mais de 550 dias, corre risco imediato de vida”. A PHRI divulgou o depoimento de seu advogado, Nasser Odeh, a quem o Dr. Abu Safiya apareceu durante sua última visita, no início de julho, com as mãos e os pés algemados, apresentando ferimentos recentes e contusões na cabeça, no rosto e no pescoço. O médico também apresentava dificuldades para respirar e falar. Ele se encontrava em um estado de exaustão grave que o fez quase perder a consciência em várias ocasiões. Também foi confirmado que ele é submetido a agressões diárias, que perdeu a consciência várias vezes e que não recebeu os cuidados médicos necessários. O Dr. Abu Safiya disse ao seu advogado: “Esta é a última vez que você vai me ver… Eles me trouxeram aqui para me matar. Não me vejo vivo. É o fim.”

O genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza já ultrapassou os
1.000 dias, quase três anos. Várias estimativas apontam que o número de mortos pode ser maior do que 100 mil, dos quais um terço crianças. Há mais de 1,5 milhão de deslocados, que hoje sobrevivem em barracas. Os bombardeios e as destruições cometidos pelo exército genocida israelense são diários. Quase 10 mil habitantes de Gaza continuam confinados em prisões, entre os quais várias centenas de profissionais de saúde. Entre esses prisioneiros, 1.320 deles, como é o caso do doutor Abu Safiya, são classificados como “combatentes ilegais” e detidos sem julgamento. O próprio jornal israelense Haaretz noticiou o caso de Safiya, submetido a tortura e privações por seus carcereiros.

Nas últimas semanas ocorreram manifestações pela libertação imediata do Dr. Abu Safiya. Em Tel Aviv (Israel) em 6 de julho manifestantes ergueram faixas nas quais podia-se ler: “O Dr. Hussam Abu Safiya está agonizando sob tortura na prisão israelense” e “Onde estão as 150 crianças sequestradas?”. Uma declaração da campanha “Libertem os sequestrados palestinos” foi divulgada à imprensa durante o comício.

Em Lima, no Peru, o Comitê de San Marcos de Solidariedade com a Palestina realizou um protesto em frente ao portão principal do campus universitário da Universidade Nacional Maior de San Marcos. A iniciativa, em 10/7, contou com a participação de diversos coletivos e organizações sociais peruanas, que convidaram a comunidade universitária a apoiar a iniciativa.

Em Paris, em 15 e 16/7, duas manifestações foram realizadas. Primeiro em frente ao Hospital Necker e, em seguida, nas proximidades do Ministério das Relações Exteriores. A Dra. Souad Kout, pediatra e membro do Sindicato Nacional dos Médicos Hospitalares (SNMH FO), lembrou que os relatos sobre as condições de detenção dos palestinos são arrepiantes: assassinatos, amputações sem anestesia, torturas e outros abusos graves. E os médicos e profissionais de saúde não são exceção. O Dr. Patrick Pelloux, presidente da Associação dos Médicos de Emergência da França (AMUF), também presente, pediu que se conceda a nacionalidade francesa ao Dr. Abu Safiya, que se vá resgatá-lo e que o nomeie cidadão de honra da França. Deputados, entre eles Jérôme Legavre, da LFI, estiveram presentes e apoiaram a mobilização e o pedido um de audiência no Ministério. Depois da mobilização, a delegação foi contatada e uma data para uma audiência foi marcada para 24/7. Também em Nova York e em Perth, Austrália, ocorreram manifestações.

O Simesp (Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo) – que desde a prisão de Safiya integra a campanha por sua libertação – lançou nova nota que apela: “O Simesp apoia a campanha da anistia internacional pela libertação do médico palestino Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, detido desde dezembro de 2024. Enquanto Gaza enfrenta o colapso de seu sistema de saúde, hospitais são destruídos, profissionais seguem sendo mortos, presos ou impedidos de exercer a profissão e milhões de pessoas têm o acesso ao atendimento comprometido. A defesa da liberdade do Dr. Hussam Abu Safiya é também a defesa do trabalho de médicas e médicos em cenários de conflito e do direito da população à assistência em saúde.”

A Conferência Internacional Contra a Guerra, realizada em Londres em 20 de junho (ver OT 965), aprovou uma declaração que inclui um apelo para um dia coordenado de manifestações em todos os países em prol da Palestina, no sábado, 10 de outubro.

Assine e divulgue a petição: https://freedrabusafiya.com

Tiago Maciel

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