Começaram os 45 dias decisivos: o que está em jogo nessas eleições?


Entramos na reta final da disputa eleitoral. São os 45 dias da campanha dita “oficial”. Em poucos dias teremos programas de TV, os anúncios etc. As pesquisas espontâneas indicam que cerca de 50% não escolheu candidato à presidente. O que pode mostrar certo grau de indiferença à polarização e até mesmo à rejeição aos candidatos.

O cenário mostra, portanto, que nada está resolvido. As eleições estão por ser vencidas e a pergunta é: não teria chegado a hora de dizer claramente ao povo a que viemos e, como se diz, ganhar milhões de corações e mentes? Evidentemente o cenário é difícil. Vivemos as consequências da crise mundial que atinge praticamente todos os países, há as guerras e a há também a ofensiva do Trump sobre o continente.

Frente a tudo isso, a defesa da soberania nacional é mais que uma necessidade, merece ser explicada e traduzida em medidas concretas. De maneira exatamente contrária a do que fez o Ministro da Defesa, José Múcio, que, frente a uma hipotética invasão dos EUA ao Brasil, chama a “abrir a porta” para Trump! Também é preciso dizer que não ajuda nada o ouvir o Ministro da Fazenda, Dario Durigan defender a continuidade do Arcabouço fiscal no próximo governo de Lula. São declarações desmobilizam a militância e jogam água fria na campanha.

Não precisamos do governo Lula 4 nem para se submeter aos EUA e nem para agradar o mercado. O caminho é outro! No último 2 de agosto, na convenção do PT, Lula criticou o fundo partidário e as emendas parlamentes e afirmou que no quarto mandato, quer o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez e que prefere o Lulinha porreta. Não será esse é o caminho?

Nunca na história recente a ingerência do imperialismo nas eleições foi tão explícita, assim como alinhamento a Trump dos candidatos de direita foi tão descarado. São as exigências do grande capital. Isso, o povo percebe. Nossa obrigação é explicar a situação, suas consequências e como enfrentá-la, ir até o fim na defesa na soberania. Soberania que, para ser efetiva, precisa ser apoiada e ter a participação do povo – bem como estar ligada aos seus direitos.


É preciso também entender que depois de quatro governos e meio do PT – um interrompido pelo golpe – é inevitável que parte do povo nos veja como parte do sistema. E não sem razão. Afinal, as reformas de fundo, as que realmente interessam ao povo não avançaram. Nem mesmo as ditas “reformas” que retiraram direitos – como a trabalhista e da previdência – foram revogadas. Pior, nem mesmo se tentou.

No último dia 16, aconteceu o ato de lançamento da campanha de Lula na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo/SP. Simbólico, na busca por se reconectar com a luta de quase 50 anos da história recente, a frase do locutor que antecedeu a fala de Lula foi “a luta continua!”. De fato, 47 anos depois das poderosas greves do ABC, que abriram as portas para construir um partido e por fim a ditadura, seguimos perseguindo os mesmos objetivos: a soberania e o direito de autodeterminação. A democracia, expressão da vontade soberana do povo e um futuro digno para as novas e velhas gerações.

Se não é errado enaltecer os feitos – que são muitos – é preciso ter a humildade de reconhecer que a vida segue difícil para milhões. Caiu o desemprego, mas os salários são baixos, o trabalho é cada vez mais precário e sem direitos. O serviço público segue sendo desmontado enquanto a terceirização avança. Tem cada vez mais polícia na rua, mas a violência contra os pobres, negros, jovens e mulheres só cresce.

Ser radical é ter raízes. Hoje, ser é radical é defender verdadeiras reformas para mudar a vida do povo.

Laércio Barbosa

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