Consequência das chuvas em Pernambuco não é desastre natural, mas desigualdade social

Homem observa destroços de uma casa que desabou durante um deslizamento de terra causado por fortes chuvas no Jardim Monte Verde em Recife

O desastre que ocorre em Pernambuco, desde o final de maio, não foi só um desastre natural provocado pelas fortes chuvas, foi uma tragédia anunciada. Em Recife choveu 80% do esperado para o mês de maio em 48 horas. Chegando, em 02 de junho, a 126 o número de mortos pelas enxurradas e deslizamentos de terra no estado, a maioria na zona metropolitana do Recife e zona da mata. Ainda, segundo autoridades, 9.302 pessoas estão desabrigadas em 27 municípios e cerca de 50 cidades tiveram algum prejuízo. É o maior desastre na história do estado.

Por que é uma tragédia anunciada? Dias antes das fortes chuvas caírem, a APAC – Agência Pernambucana de Águas e Climas já havia acionado o alerta vermelho, e nenhuma medida efetiva de prevenção foi tomada. São anos de descaso do PSB, partido que encontra-se governando o estado há 16 anos e há 9 anos na administração do Recife. O poder público é o maior responsável por essas mortes, devido a falta de investimento em obras de prevenção nos morros e zonas de risco, sem política de habitação, proteção social e defesa civil.

No Recife, o orçamento de 2021 da Secretaria Municipal de Habitação de 24 milhões sofreu o corte drástico de 14 milhões, ou seja, mais de 50% dos recursos que deveriam ser investidos em habitação no município. Moradia digna é direito!

Destaca-se para o agravamento da situação que Recife é a capital da desigualdade social e Pernambuco está em terceiro lugar entre os estados com maior desigualdade social no país. Os números são da Síntese de Indicadores Sociais 2020 (SIS), divulgada pelo IBGE, com dados relativos a 2019. No Recife, cerca de 115 mil pessoas, ou 7% da população da capital, vivem abaixo da linha de extrema pobreza.

Nesse momento, a sociedade civil encontra-se em mobilização para ajudar solidariamente os desabrigados ou que perderam tudo com os alagamentos, mas são necessárias políticas públicas emergênciais para as famílias que tiveram seus entes queridos mortos e para as pessoas que encontram-se em abrigos improvisados. É urgente que os governantes aprovem medidas que amenizem o sofrimento do povo pernambucano e que possibilitem superar tamanha desigualdade social.

Erika Suruagy

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