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	<title>Arquivo de Mundo - O Trabalho</title>
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		<title>Espanha, mobilizações pelo direito de migrar</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 17:38:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Necessário enfrentamento às manifestações da direita Na Espanha, manifestações contra os imigrantes têm ocorrido desde que marroquinos entraram em Ceuta (enclave espanhol no Marrocos) no final de julho. Partidos de direita e extrema-direita, como o Vox, às alimentam. Mas contramanifestações, em defesa dos direitos dos imigrantes, ocorrem paralelamente em vários locais do país. Muitas enfrentando [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Necessário enfrentamento às manifestações da direita</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Espanha, manifestações contra os imigrantes têm ocorrido desde que marroquinos entraram em Ceuta (enclave espanhol no Marrocos) no final de julho. Partidos de direita e extrema-direita, como o Vox, às alimentam. Mas contramanifestações, em defesa dos direitos dos imigrantes, ocorrem paralelamente em vários locais do país. Muitas enfrentando frente a frente bandos que entoam cânticos racistas e saudosos do regime franquista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos dias de julho milhares de marroquinos entraram em Ceuta, 141 foram mortos pelas forças de segurança ou bandos protegidos pelas mesmas. Há tantos outros feridos e desaparecidos e centenas seguem detidos, e milhares jogados à fome. Muitos são menores de idade. Em Melilla, o outro enclave no norte da África, houve mais de 100 mortos em evento parecido em 2022. Hoje, todas as instituições do Estado espanhol, unânimes – desde o rei até o presidente Pedro Sanchez – já manifestaram sua vontade de conservar os enclaves coloniais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eis a ponta de um iceberg: 80 mil pessoas já morreram afogadas no Mar Mediterrâneo nos últimos 20 anos tentando chegar à Europa. É a destruição da África pelas garras imperialistas que provoca – e continuará provocando – essa tragédia humana.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="433" height="224" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/bcn.png" alt="" class="wp-image-22631" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/bcn.png 433w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/bcn-150x78.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/bcn-300x155.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/bcn-323x167.png 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/bcn-309x160.png 309w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/bcn-356x184.png 356w" sizes="(max-width: 433px) 100vw, 433px" /><figcaption class="wp-element-caption">Manifestação em favor dos imigrantes (onde se vê bandeiras palestinas) enfrenta ato anti-imigração (ao fundo), em Barcelona</figcaption></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-3 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Há uma política contra os migrantes, contra a classe trabalhadora</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas manifestações na Espanha não são acaso. Elas se respaldam nas políticas dos governos europeus, que endurecem as medidas contra imigrantes e atacam os direitos dos trabalhadores. Medidas cada vez mais restritivas, que vêm na esteira da política brutal de Trump nos EUA, com o ICE. Aliás Trump, que defende a adoção de seu modelo para a Europa, declarou poucas semanas atrás: “Se não estivermos no poder, nosso país enfrentará uma invasão de tal magnitude que o que aconteceu na Espanha parecerá insignificante e menor”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma política de divisão da classe trabalhadora, para com mais facilidade atacá-la. O editorial do periódico espanhol Información Obrera, de 9 de setembro, afirmou:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A campanha contra os imigrantes não é só racismo. Ela responde a uma necessidade do capital, que precisa dividir a classe trabalhadora para impor seus planos de guerra e de destruição das conquistassociais, como a saúde, a educação e as aposentadorias — planos que somente a classe trabalhadora, unida, pode derrotar. Em segundo lugar, a perseguição aos migrantes permite que o capital disponha de uma reserva de mão de obra barata, sem direitos que a protejam contra a exploração. Aqueles que lançam a campanha contra os migrantes se apoiam na saturação dos serviços públicos. Defender o direito à emigração está intrinsecamente ligado à exigência de restabelecer os serviços públicos, que estão sendo desmantelados e cada vez mais privatizados. É necessário estabelecer uma prioridade de gastos com educação, saúde e infraestruturas, enquanto todos os governos da Europa anunciam cortes para gastar mais em armas. Esse é o perigo e o inimigo.”&nbsp;</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-4 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Mobilizar e seguir nas ruas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a Espanha, Ceuta se tornou um laboratório para os bandos de extrema-direita. A esses bandos, que se mobilizam para agredir e insultar imigrantes, respaldados por leis, poderosos e vistas grossas da polícia, é preciso ampliar as respostas. Assim como exigir do governo direitos e medidas de proteção social a todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2 de setembro manifestantes contra o racismo e pelos direitos dos imigrantes foram às ruas em várias cidades. Isso mostra a disposição em unir forças nessa questão, cara à classe trabalhadora. Mas é preciso mais. Como também afirmou o Información Obrera, sobre as manifestações em defesa dos imigrantes “Infelizmente, foram poucas as organizações que ousaram convocar, mas esse é o caminho, a via para se opor à política de guerra, que exige das organizações operárias e populares uma atitude decidida em defesa das liberdades e dos direitos para todos, diante da ambiguidade do governo.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tiago Maciel</strong></p>
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		<title>Massacres em Gaza, invasão gradual da Cisjordânia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 18:40:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Duas frentes da política genocida O genocídio nunca parou. O Centro Palestino de Direitos Humanos (www.pchr.org), alertou que os ataques diários que se abatem sobre a população de Gaza, conduzidos com tecnologias de vigilância e drones de alta precisão, revelam uma intenção deliberada de infligir o máximo de baixas civis, constituindo uma “continuação direta dos [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Duas frentes da política genocida</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O genocídio nunca parou. O Centro Palestino de Direitos Humanos (www.pchr.org), alertou que os ataques diários que se abatem sobre a população de Gaza, conduzidos com tecnologias de vigilância e drones de alta precisão, revelam uma intenção deliberada de infligir o máximo de baixas civis, constituindo uma “continuação direta dos crimes de genocídio e limpeza étnica”. Sistematicamente, o exército israelense justifica seus ataques com a suposta presença de membros do Hamas, que iniciou negociações com Jared Kushner, o enviado especial de Trump. Um pequeno recorte, de agosto, o demonstra. No dia 15, em Khan Younis, vários bairros foram alvo de um intenso bombardeio de artilharia, acompanhado por disparos de helicópteros e por uma intensa atividade de drones. Um adolescente de 14 anos foi morto. Seu corpo só foi recuperado no dia seguinte por meio da Cruz Vermelha Internacional. Outros três palestinos ficam feridos. Várias casas foram destruídas. No mesmo dia, em Deir al-Balah, um drone israelense disparou um míssil contra uma motocicleta que circulava perto de um centro de distribuição de alimentos da UNRWA. Três palestinos ficam feridos, entre eles uma criança. O motorista da motocicleta está em estado crítico. Dia 16, na região de Khan Younis, um drone atacou uma barraca onde estavam deslocados. Sete palestinos ficam feridos. Um deles morreu. Dia 17, Jared Kushner, negociador americano e genro do presidente Donald Trump, pede a Israel que ‘reduza’ seus ataques contra Gaza. Em 18 de agosto, na Cidade de Gaza, aviões de guerra dispararam míssil contra uma instalação que funciona como café perto do porto de Gaza. O local estava lotado de civis. Balanço: sete palestinos mortos, incluindo um menino de 13 anos junto com seu pai, e 15 feridos. No dia 19, novos ataques aéreos mataram dez pessoas. No mesmo dia, um ataque matou oito policiais palestinos e uma menina de 13 anos. Em 23 de agosto, dois ataques aéreos mataram duas pessoas, incluindo uma criança de 4 anos.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-9 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>74.000 mortos e 174.000 feridos desde outubro de 2023 e as pipas de Gaza</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O mais recente pretexto para bombardear e matar palestinos acaba de ser encontrado pelo ministro da Defesa, Israel Katz, após a descoberta de algumas pipas provenientes de Gaza, nos assentamentos israelenses vizinhos! Katz decidiu considerá-las como armas em potencial e qualquer pessoa, criança ou adulto, que daqui em diante se atrever a brincar com uma pipa na Faixa de Gaza será executada na hora. Enquanto isso, as escavadeiras israelenses continuam freneticamente a destruição dos prédios ainda de pé na zona “amarela”, que representa cerca de 70% da área da Faixa de Gaza. Desde o “cessar-fogo” em vigor desde outubro de 2025, o exército genocida israelense matou pelo menos mais 1.273 pessoas. Desde o início do genocídio, em outubro de 2023, somam-se cerca de 74.000 mortos identificados e mais de 174.000 feridos. Isso sem contar as dezenas de milhares de habitantes, começando pelos mais vulneráveis, que sofrem de desnutrição, doenças respiratórias e cutâneas devido às condições sanitárias catastróficas, além de patologias que não recebem mais tratamento devido ao colapso do sistema de saúde.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-10 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Cisjordânia, a mecânica da anexação</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="879" height="587" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos.webp" alt="" class="wp-image-22608" style="aspect-ratio:1.4974642692485016;width:571px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos.webp 879w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-300x200.webp 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-150x100.webp 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-767x512.webp 767w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-323x216.webp 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-695x464.webp 695w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-239x160.webp 239w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-329x220.webp 329w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-390x260.webp 390w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-355x237.webp 355w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-576x385.webp 576w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-727x485.webp 727w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/colonos-868x580.webp 868w" sizes="(max-width: 879px) 100vw, 879px" /><figcaption class="wp-element-caption">Colonos, sob supervisão do exército, atacam palestinos e jornalistas na Cisjordânia</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na Cisjordânia, a repressão militar e a violência dos colonos sionistas protegidos pelo Estado israelense têm como objetivo fragmentar a população e desestruturar suas condições de vida para forçar os palestinos a partir ou a ficar confinados em alguns enclaves. Cerco e destruição de casas, bloqueio de acesso à água e à energia e a mercados são comuns, buscando esgotar a população palestina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Comissão Palestina de Resistência ao Muro e à Colonização, os pogroms (ataques violentos e massivos) não param de se multiplicar: 900 incêndios contra bens palestinos foram registrados entre janeiro de 2023 e 10 de julho de 2026. Dentre eles, 799, ou seja, 88,8%, são atribuídos a colonos e 101 ao exército. Netanyahu se pronunciou recentemente, orgulhoso, diante de colonos, sobre as “104 comunidades que estabelecemos e legalizamos juntos” e das “160 fazendas” criadas com seu governo. Mustafa Barghouti, secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestina, estimou que “o terrorismo dos colonos atinge agora uma média de trinta ataques por dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 18 de agosto, as autoridades israelenses abriram uma licitação para 1.234 unidades habitacionais, das 3.401 aprovadas entre Jerusalém Oriental e o grande assentamento sionista de Ma’ale Adoumim. Isso separaria ainda mais o norte do sul e isolaria Jerusalém Oriental. Essa aceleração vai além da Cisjordânia. Em 27 de agosto, o ministro genocida Bezalel Smotrich propôs transferir para o Negev e para a Galileia, onde se concentra a população palestina do interior, a “revolução da colonização” conduzida na “Judeia-Samaria” (nome bíblico dado pelos sionistas à Cisjordânia), trazendo para lá mais um milhão de colonos israelenses.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-11 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Hebron, o laboratório da anexação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Hebron, a fragmentação imposta pelo exército de ocupação gera outra forma de desintegração. Desde o protocolo de 1997, cerca de 80% da cidade compõem a “zona H1”, administrada pela Autoridade Palestina corrupta, enquanto os 20% que formam a H2 permanecem sob controle israelense. O exército de ocupação israelense transformou esse setor de Hebron em refúgio para grupos criminosos armados e traficantes, com o objetivo de instrumentalizar posteriormente esses confrontos para impor a toda a população toques de recolher, bloqueios e punições coletivas. Ao mesmo tempo, a maioria das aldeias do distrito de Hebron é atacada praticamente todos os dias pelos colonos. O governo israelense busca desenvolver um poder clânico, com o objetivo de constituir um “emirado” em Hebron, que não seria nada mais do que um enclave fechado e privatizado, controlado por milícias a seu serviço no âmbito de uma Cisjordânia anexada. Um processo semelhante está se desenvolvendo em Nablus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É para expressar nossa rejeição absoluta ao genocídio que continua em Gaza, à política de limpeza étnica que se intensifica na Cisjordânia, para denunciar as cumplicidades políticas assumidas e hipócritas com o Estado israelense, e afirmar nosso apoio ao povo palestino, que serão organizados em todo o mundo <strong>comícios e manifestações no próximo dia 10 de outubro</strong>, por ocasião do terceiro aniversário do genocídio.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Correspondente</strong></p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-12 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Em Israel, manifestação pela libertação das prisioneiras palestinas</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="621" height="471" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif.png" alt="" class="wp-image-22609" style="width:553px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif.png 621w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-150x114.png 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-79x60.png 79w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-300x228.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-197x149.png 197w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-323x245.png 323w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-92x70.png 92w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-261x198.png 261w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-474x360.png 474w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-309x234.png 309w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-210x159.png 210w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-290x220.png 290w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-356x270.png 356w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-344x261.png 344w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/09/israel-manif-507x385.png 507w" sizes="(max-width: 621px) 100vw, 621px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br>No dia 22 de agosto, ativistas antissionistas que atuam no Estado de Israel se reuniram em frente a uma prisão destinada a mulheres palestinas, chamada de Damon. Esses ativistas lançaram em Israel uma campanha pela liberação do doutor Abu Safiya e de todos os reféns palestinos, segundo suas próprias palavras. “Damon se tornou um dos símbolos de um sistema carcerário que humilha e pune as palestinas por serem palestinas e por se recusarem a ficar caladas. Não viemos para falar com os guardas. Gritamos com toda a nossa força, para que as mulheres presas nos ouçam. Para que elas saibam que não estão sozinhas. Que lá fora, há pessoas que se recusam a aceitar a detenção, os maus-tratos, as humilhações e as violências que lhes são infligidas”, declarou uma manifestante.</p>
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		<title>“Tragam os meninos de volta para casa”</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 18:29:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Tentativa de suicídio em porta-aviões dos EUA; 200 famílias pedem o retorno de soldados “Tragam os rapazes de volta para casa”, essa frase nos Estados Unidos significa: nossos filhos, nossos irmãos, nossos maridos, nossos jovens não devem mais ser enviados para a guerra a 1.000 ou 15.000 km de seu país, não devem mais correr [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Tentativa de suicídio em porta-aviões dos EUA; 200 famílias pedem o retorno de soldados</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Tragam os rapazes de volta para casa”, essa frase nos Estados Unidos significa: nossos filhos, nossos irmãos, nossos maridos, nossos jovens não devem mais ser enviados para a guerra a 1.000 ou 15.000 km de seu país, não devem mais correr o risco de morrer. Queremos que eles fiquem vivos aqui conosco. Essa é a forma mais simples e popular de rejeição às guerras imperialistas conduzidas desde sempre pelos governos ianques. Esse apelo tornou-se muito poderoso após a Segunda Guerra Mundial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1950, o presidente Truman decidiu enviar o exército dos Estados Unidos para a guerra na Coreia. No início, essa decisão foi aceita, graças à propaganda, por 80% da população. No total, 1,7 milhão de soldados norte-americanos foram enviados à Coreia. Mas as perdas humanas se acumulam (36.500 soldados americanos voltaram em um caixão) e, em menos de um ano, a opinião pública mudou radicalmente e dois terços da população americana exigia que os rapazes voltassem para casa. “Bring the Boys Home” se tornou um slogan poderoso, primeiro entre toda a juventude americana e depois entre a população, diante do envio de soldados para fazer guerra ao povo vietnamita entre 1955 e 1975. Em ondas sucessivas, mais de dois milhões de soldados norte-americanos foram para a guerra, a 14 mil km de seu país. 58.281 voltaram em caixões. As manifestações em massa da juventude, as mobilizações nos campi, combinadas à formidável resistência do povo vietnamita, forçaram a retirada das tropas americanas e uma derrota militar.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-14 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Trump é obrigado a substituir o porta-aviões Abraham Lincoln</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa lembrança ressurge, agora, com o porta-aviões Abraham Lincoln, que partiu da costa oeste dos Estados Unidos em novembro de 2025, com 5.000 homens a bordo, para uma missão no Mar da China que se estendeu posteriormente ao Oriente Médio e, em seguida, com a guerra desencadeada por Trump contra o Irã.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após oito meses a bordo – um período excepcionalmente longo –, os soldados reclamaram da comida estragada, do mofo a bordo, dos banheiros inutilizáveis e dos problemas de segurança. O moral está em franca queda. Um soldado tentou se suicidar ao se jogar ao mar… O caso veio a público nos Estados-Unidos quando as famílias começaram a se manifestar. Duzentas delas escreveram para informar e pedir o retorno de seus “meninos”. A emissora CNN foi enviada ao porta-aviões para fazer uma reportagem. Soldados testemunharam: “Estou ansioso para voltar”, “Sinto saudades da minha família”. Fato totalmente incomum, essas informações foram divulgadas por duas revistas do exército, a Navy Times e a Stars and Stripes…um desacordo com as campanhas bélicas de Trump vindo de dentro do próprio exército.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Por fim, a repercussão na população dos Estados Unidos foi tal que Trump anunciou a substituição do Abraham Lincoln pelo porta-aviões USS George Washington. Na sexta-feira, 21 de agosto, o Ministério da Defesa dos Estados Unidos demitiu<br>dois responsáveis pelo jornal militar Stars and Stripes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bruno Ricque</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Secretário do Exército dos EUA renuncia; crise com o chefe do Pentágono</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, apresentou sua renúncia à Casa Branca, após meses de tensão com o secretário de Defesa, Pete Hegseth. Próximo do vice-presidente JD Vance, Driscoll é o mais recente integrante de alto escalão a deixar o Pentágono sob o comando de Hegseth. Driscoll ganhou projeção ao ser escolhido por Trump para participar de negociações sobre o fim da guerra na Ucrânia. O desgaste entre os dois ganhou força depois de Hegseth demitir o chefe do Estado-Maior do Exército, Randy george, em abril. Em junho ele também afastou o comandante das forças do Exército dos EUA na Europa e bloqueou pessoalmente a promoção de oficiais de alta patente da Força. No fundo,há divergências sobre os rumos da guerra contra o Irã, que vêm ganhando força. É crise na cúpula militar!</p>



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		<title>Equador: um golpe sem tanques</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 19:15:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em 18 de agosto o comitê internacional do DSA – Socialistas Democráticos da América – dos Estados Unidos emitiu uma declaração intitulada “Equador: quando os juízes se unem a uma das equipes”. “O que está sucedendo no Equador é um golpe de Estado levado a cabo sem tanques”, diz a declaração, explicando que o governo [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Em 18 de agosto o comitê internacional do DSA – Socialistas Democráticos da América – dos Estados Unidos emitiu uma declaração intitulada “Equador: quando os juízes se unem a uma das equipes”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O que está sucedendo no Equador é um golpe de Estado levado a cabo sem tanques”, diz a declaração, explicando que o governo do direitista Daniel Noboa está utilizando conselhos eleitorais e tribunais que controla para eliminar qualquer possibilidade da oposição, em particular a Revolução Cidadã (RC) do ex-presidente Rafael Correa, agir no terreno político.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 15 de julho, o Conselho Nacional Eleitoral negou-se a publicar os formulários para recolher assinaturas para um referendo revocatório de Noboa – um direito inscrito na Constituição adotada em 2008 durante o mandato de Correa – inviabilizando a iniciativa da oposição. Dias antes o Tribunal Constitucional havia se negado a considerar uma apelação feita pela Revolução Cidadã contra a sua própria suspensão como organização política. Na sequência o mesmo tribunal suspendeu o movimento AMIGO, sob o qual a suspensa RC pretendia apresentar candidatos às eleições regionais de 29 de novembro, um dia antes da data limite para a inscrição de listas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como afirmou a declaração do DSA: “o resultado é o que busca todo golpe de Estado: um governo que já não precisa enfrentar os seus oponentes em igualdade de condições.”</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/noboa-trump-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-22510" style="width:574px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/noboa-trump-1024x576.jpg 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/noboa-trump-300x169.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/noboa-trump-150x84.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/noboa-trump-768x432.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/noboa-trump-747x420.jpg 747w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/noboa-trump-696x392.jpg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/noboa-trump-1068x601.jpg 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/noboa-trump.jpg 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Trump e Noboa em Washington</em></p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-16 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Reação de Correa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O ex-presidente Correa reagindo, desde o seu exílio na Bélgica, ao anúncio do fechamento do escritório de coordenação da bancada de seu partido no parlamento, ocorrido em 18 de agosto, postou no X a seguinte mensagem:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A RC 5 (sigla de Revolução Cidadã), o maior partido do Equador, não terá mais escritório no Palácio Legislativo. Isso nunca se viu. Vivemos uma verdadeira ditadura. Nos governam delinquentes.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Curiosamente Daniel Noboa, parceiro de Trump no “Escudo das Américas”, que convidou os EUA a agir em conjunto com a polícia e exército de seu país no combate aos “narcotraficantes”, estava no mesmo 18 de agosto em visita à China, onde foi recebido por Xi Jinping que falou no “direito dos países da América Latina a fazer respeitar a sua independência”. Um conselho que certamente não será seguido pelo atual presidente do Equador.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Julio Turra</strong></p>
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		<title>Ceuta: a chamada crise migratória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 16:05:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Publicamos abaixo trechos da “Carta Semanal” da seção da 4ª Internacional na Espanha, o POSI, datada do último 3 de agosto. “No momento em que escrevemos, boa parte dos mais de 60 mil cidadãos marroquinos, em maioria jovens, que chegaram a Ceuta a nado e atravessaram a vala da aduana de Tarajal, voltaram ao Marrocos, [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Publicamos abaixo trechos da “Carta Semanal” da seção da 4ª Internacional na Espanha, o POSI, datada do último 3 de agosto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“No momento em que escrevemos, boa parte dos mais de 60 mil cidadãos marroquinos, em maioria jovens, que chegaram a Ceuta a nado e atravessaram a vala da aduana de Tarajal, voltaram ao Marrocos, mais de 70 deles morreram afogados. (…)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os que voltaram o fizeram obrigados pela fome e sede, pois os comércios, bares e restaurantes de Ceuta foram fechados, enquanto o exército espanhol os empurrava de volta para a fronteira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ceuta e Melilla são enclaves coloniais espanhóis no Marrocos, restos do ‘Protetorado’ estabelecido pela monarquia espanhola antes da independência do país em 1957 (…)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O enclave de Ceuta, de 18 km2, é povoado por cerca de 84 mil habitantes e nele, como no de Melilla, estão guarnições militares ‘de elite’ (legião e regulares), cuja missão histórica sempre foi a de ‘proteger’ a monarquia espanhola e os interesses do grande capital. Não é casual – recordemos 90 anos depois do levantamento de Franco em 1936 – que foi nos enclaves marroquinos que se iniciou a sublevação militar-fascista contra a República.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-19 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Nenhuma casualidade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Marrocos vive uma crise social sem precedentes, 37% da juventude está desempregada e aspira fugir da opressão e miséria abrindo um futuro na Europa e, em primeiro lugar, na Espanha, onde já vivem e trabalham mais de um milhão de marroquinos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É evidente que a CIA, o Mossad (serviço secreto de Israel, NdT) e os serviços secretos marroquinos têm a ver com a provocação desse caos na fronteira (…).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deixar entrar na Espanha, inclusive induzir dezenas de milhares de jovens a fazê-lo, colocando em dificuldades o governo de Pedro Sánchez, serve aos interesses de Israel e do governo dos EUA, que não engolem os gestos de Sánchez e seu governo em favor da Palestina, nem a sua negativa em colaborar nos bombardeios contra o Irã. Não é casual que Netanyahu e vários ministros de Israel aplaudam a crise provocada com os acontecimentos de Ceuta. Uma atitude, é claro, apoiada pelo PP (partido da direita espanhol, NdT) e VOX (extrema-direita) e toda a caterva de governos reacionários da Europa, que aproveitam para criticar a regularização de imigrantes que vai retirar da clandestinidade e super-exploração quase um milhão de trabalhadores na Espanha, irmãos de classe cujos direitos todo trabalhador consciente deve defender.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-20 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Os trabalhadores e os povos do Estado Espanhol</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo Sánchez, da mesma forma que o conjunto das organizações do movimento operário, se enfrenta com uma contradição: não é possível defender os direitos dos povos e, ao mesmo tempo, manter os enclaves coloniais herdados do passado. (…)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso é necessário seguir exigindo a devolução incondicional das duas cidades, os rochedos e as ilhas Chafarinas e Perejil ao Marrocos. O interesse do movimento operário é lutar para estabelecer a solidariedade e cooperação entre os povos, sobre a base de se acabar com a opressão colonial e a monarquia que a tutela. (…)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expressão ‘crise migratória’ pode levar a uma grave confusão: entender o ocorrido como resultado da atuação de estrangeiros que ‘invadem’ um país ‘soberano’. Não, a única invasão em Ceuta e Melilla é a do Estado Espanhol que mantém esses territórios africanos como enclaves coloniais. Neste caso, a provocação dos EUA e do Estado sionista de Israel, através da monarquia marroquina, se aproveita da penúria vital do seu povo, para negar um direito inalienável para qualquer pessoa trabalhadora que é o de deslocar-se para onde possa encontrar um meio de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo direito de migrar! Direitos legítimos para todos os trabalhadores, independentemente de sua origem, nacionalidade, língua, sexo, etnia ou religião!”</p>
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		<title>200 sindicalistas contra a guerra na Alemanha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2026 12:33:01 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reunião contra o alistamento obrigatório e a economia de guerra Em 25 e 26 de julho, em Würzburg (Alemanha), reuniram-se 200 sindicalistas alemães contra a guerra e em prol de que as organizações sindicais se engajem na luta contra a corrida armamentista, o serviço militar obrigatório e todos os elementos que conduzem à guerra. Também [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Reunião contra o alistamento obrigatório e a economia de guerra</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 25 e 26 de julho, em Würzburg (Alemanha), reuniram-se 200 sindicalistas alemães contra a guerra e em prol de que as organizações sindicais se engajem na luta contra a corrida armamentista, o serviço militar obrigatório e todos os elementos que conduzem à guerra. Também foram convidados militantes sindicais e políticos europeus: o deputado britânico Jeremy<br>Corbyn, a cofundadora do Stop the War, Lindsey German, o sindicalista britânico Alex Gordon e o deputado da LFI, Jérôme Legavre. Reproduzimos aqui trechos da fala de Ulriche Eifler (diretora do IG Metall de Würzburg), publicada no jornal francês Informations Ouvrières nº 920.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O governo está determinado a implementar o maior programa de empobrecimento da história da República Federal da Alemanha. Aumento das contribuições, aposentadoria mais tardia, obrigação de trabalhar mesmo estando doente, agravamento da carga sobre os profissionais da saúde e da assistência a pessoas dependentes, aumento da jornada de trabalho: tudo isso faz parte do seu programa. Nossa tarefa mais importante é, portanto, construir a mobilização mais ampla possível contra essa política. As inúmeras ações organizadas nas últimas semanas contra esse desmantelamento social mostraram, acima de tudo, uma coisa: a vontade de protestar cresce nas empresas, e essa vontade deve ser organizada e levada às ruas. Vamos dizer em voz alta e clara a este governo, a Friedrich Merz, a Lars Klingbeil e, mais ainda, a Katharina Reiche: este país não pertence a vocês. Ele pertence aos habitantes deste país. E não temos motivo algum para sermos gratos pela existência desse ‘Estado social’. Na verdade, é exatamente o contrário: temos orgulho de ter conseguido impor direitos, contra os governos, contra as organizações patronais e, muitas vezes, contra um domínio esmagador da mídia. E se o governo federal lançar hoje uma ofensiva geral contra os assalariados, não iremos nos sentar docilmente à mesa de negociações; pelo contrário, organizaremos a maior pressão possível nas ruas, pois qualquer compromisso negociado constituiria um agravamento da situação atual. Agimos assim porque sabemos que tudo isso não acontece por acaso. O governo federal ataca o Estado social porque está preparando a guerra. Os hospitais, as administrações públicas e as empresas privadas estão sendo preparados para um eventual cenário de guerra. A revisão das leis de exceção atenta contra os direitos fundamentais. Qualquer debate público sobre o direito internacional é impedido, enquanto a população é sistematicamente preparada para uma suposta situação de ameaça. Essa preparação para a guerra implica também que o governo faça todo o possível para nos alinhar à sua política de rearmamento e desmantelamento social.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-23 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br>“<strong>Devemos travar a luta em favor da paz dentro dos sindicatos”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas onde a sociedade é militarizada, o mundo do trabalho também é. Os trabalhadores da indústria automotiva se veem de repente na indústria de armamentos. Os trabalhadores portuários precisam carregar exportações de armas. Os professores são obrigados a convidar militares da Bundeswehr (forças armadas) para as escolas. Os profissionais de saúde aprendem a cuidar de feridos de guerra. E os agentes dos serviços públicos de emprego são convidados a orientar os desempregados para a Bundeswehr. Ora, a militarização do mundo do trabalho implica uma profunda transformação das atividades profissionais. E isso pode, e vai, levar os trabalhadores a tomarem consciência dessa preparação para a guerra e a questioná-la cada vez mais. Os profissionais de saúde querem melhorar a qualidade de vida das pessoas, não remendá-las para que possam voltar à linha de frente. Os professores querem ajudar os jovens a compreender o mundo, não colocar suas salas de aula a serviço do recrutamento militar. E os trabalhadores da indústria querem ter orgulho de fabricar máquinas de pão, cafeteiras ou ônibus, em vez de tanques, drones<br>ou granadas. Mas quando o mundo do trabalho é militarizado, o local de trabalho se torna<br>ele próprio um campo de batalha da preparação para a guerra. E já constatamos que os empregadores utilizam seu poder de direção para punir de forma autoritária as tomadas de posição em favor da paz. Há, por exemplo, Christopher, funcionário da DHL em Leipzig, demitido por ter se manifestado contra as entregas de armas a Israel. Há os três motoristas de bonde de Munique que se recusam a dirigir no centro da cidade bondes cobertos de propagandas da Bundeswehr. Ou ainda os professores-pesquisadores de Berlim que expressaram sua solidariedade com seus alunos solidários à Palestina e que, por essa razão, se encontram inscritos nas listas políticas do Ministério da Educação. Esses exemplos mostram que existe, dentro das empresas, uma tendência antimilitarista e uma vontade crescente de se recusar a ser executores dos preparativos para a guerra. Mas se essas reações permanecem individuais e não contam com a ação coletiva dos sindicatos, os trabalhadores ficam totalmente à mercê de seus empregadores. É por isso que devemos travar a luta por posições em prol da paz dentro dos sindicatos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fim das contas, está em jogo nada menos do que a própria existência dos nossos sindicatos. Uma produção de guerra sem restrições e o recrutamento de nossos filhos para a guerra são incompatíveis com nossa luta pela redução da jornada de trabalho, com negociações salariais regulares, com comitês de empresa combativos, com o direito à greve e, finalmente, com a existência de sindicatos livres. É por isso que afirmo: a tarefa mais importante de nossos sindicatos hoje é impedir a guerra. E devemos fazer com que essa ideia triunfe em nossas organizações. Vamos fazer isso convocando, no âmbito do movimento pela paz, a nos manifestarmos juntos no dia 26 de setembro para defender os direitos, assim como estamos convocando, nos sindicatos, para uma manifestação no dia 3 de outubro contra os preparativos para a guerra. Façamos isso também participando do dia internacional de ação de 10 de outubro contra o genocídio que continua a ocorrer, porque os massacres em Gaza continuam e porque o doutor Hussam Abu Safiya ainda está detido em uma prisão israelense, onde é submetido à tortura, pelo simples fato de ser palestino.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-24 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br>“<strong>Os trabalhadores da indústria querem ter orgulho de fabricar máquinas de pão, cafeteiras ou ônibus, em vez de tanques, drones ou granadas”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vamos participar também do dia internacional de ação contra o restabelecimento do serviço militar obrigatório, pois os jovens que estão sujeitos a pressões por parte das diretorias de suas instituições de ensino, e até mesmo intimidados pelos serviços de inteligência interna, precisam de um movimento sindical forte ao seu lado. Caros colegas, vamos fazer deste outono uma grande mobilização contra a guerra, bem no coração do país cujo chanceler federal qualificou as ações de Israel como “trabalho sujo necessário”. É nossa responsabilidade especial impedir os preparativos de guerra do governo alemão. Ninguém mais além de nós pode fazer isso. O inimigo principal está em nosso próprio país. Mas o movimento internacional nos dará um impulso formidável. Ao lado de milhares de sindicalistas e ativistas contra a guerra de todo o mundo, poderemos, nos confrontos que se anunciam, içar as velas de tal forma que o vento da nossa história e da nossa força internacional nos permita oferecer uma resposta coletiva ao desmantelamento social e aos preparativos para a guerra. Permitam-me, por fim, uma última observação. A iniciativa “Sindicatos contra o rearmamento e a guerra” é uma rede aberta de sindicalistas engajados pela paz. Queremos hoje dar-lhe um novo impulso, pois constatamos que a necessidade de intercâmbio e de organização cresce, enquanto iniciativas sindicais pela paz surgem por toda parte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Propomos que vocês se organizem sob a bandeira da iniciativa “Sindicatos contra o rearmamento e a guerra”, sejam vocês filiados a título individual, responsáveis por uma estrutura local, departamental ou regional do seu sindicato, ou membros de uma iniciativa sindical pela paz. Vocês podem se tornar signatários desta iniciativa e construir conosco uma voz forte em favor da paz em nossas organizações sindicais. Encontrarão em seus assentos uma declaração de apoio. E, no dia 2 de setembro, convidamos vocês a participar de uma videoconferência nacional para discutirmos juntos essas perspectivas. Esta conferência foi um grande sucesso. Vamos levar esse ímpeto conosco durante as férias de verão e fazer com que, no retorno às aulas, os defensores da guerra se deparem com um outono de mobilização. Glück auf! (saudação tradicional do movimento operário e dos mineiros alemães, que pode ser traduzida como: “Coragem e solidariedade!”). »</p>
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		<title>O Dr. Abu Safiya corre risco de morte iminente!</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 16:05:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Médico palestino está há mais de 550 dias nas masmorras de Israel Recentemente a associação israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHRI) alertou: “o Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan de Gaza, preso pelo Estado israelense há mais de 550 dias, corre risco imediato de vida”. A PHRI divulgou o depoimento de seu [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Médico palestino está há mais de 550 dias nas masmorras de Israel</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente a associação israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHRI) alertou: “o Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan de Gaza, preso pelo Estado israelense há mais de 550 dias, corre risco imediato de vida”. A PHRI divulgou o depoimento de seu advogado, Nasser Odeh, a quem o Dr. Abu Safiya apareceu durante sua última visita, no início de julho, com as mãos e os pés algemados, apresentando ferimentos recentes e contusões na cabeça, no rosto e no pescoço. O médico também apresentava dificuldades para respirar e falar. Ele se encontrava em um estado de exaustão grave que o fez quase perder a consciência em várias ocasiões. Também foi confirmado que ele é submetido a agressões diárias, que perdeu a consciência várias vezes e que não recebeu os cuidados médicos necessários. O Dr. Abu Safiya disse ao seu advogado: “Esta é a última vez que você vai me ver… Eles me trouxeram aqui para me matar. Não me vejo vivo. É o fim.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza já ultrapassou os<br>1.000 dias, quase três anos. Várias estimativas apontam que o número de mortos pode ser maior do que 100 mil, dos quais um terço crianças. Há mais de 1,5 milhão de deslocados, que hoje sobrevivem em barracas. Os bombardeios e as destruições cometidos pelo exército genocida israelense são diários. Quase 10 mil habitantes de Gaza continuam confinados em prisões, entre os quais várias centenas de profissionais de saúde. Entre esses prisioneiros, 1.320 deles, como é o caso do doutor Abu Safiya, são classificados como “combatentes ilegais” e detidos sem julgamento. O próprio jornal israelense Haaretz noticiou o caso de Safiya, submetido a tortura e privações por seus carcereiros.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-26 wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><br><strong>Manifestações pelo mundo pedem a libertação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas semanas ocorreram manifestações pela libertação imediata do Dr. Abu Safiya. <strong>Em Tel Aviv (Israel)</strong> em 6 de julho manifestantes ergueram faixas nas quais podia-se ler: “O Dr. Hussam Abu Safiya está agonizando sob tortura na prisão israelense” e “Onde estão as 150 crianças sequestradas?”. Uma declaração da campanha “Libertem os sequestrados palestinos” foi divulgada à imprensa durante o comício.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="452" height="209" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/abu-2.png" alt="" class="wp-image-22342" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/abu-2.png 452w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/abu-2-300x139.png 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/07/abu-2-150x69.png 150w" sizes="(max-width: 452px) 100vw, 452px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Em Lima, no Peru,</strong> o Comitê de San Marcos de Solidariedade com a Palestina realizou um protesto em frente ao portão principal do campus universitário da Universidade Nacional Maior de San Marcos. A iniciativa, em 10/7, contou com a participação de diversos coletivos e organizações sociais peruanas, que convidaram a comunidade universitária a apoiar a iniciativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Em Paris</strong>, em 15 e 16/7, duas manifestações foram realizadas. Primeiro em frente ao Hospital Necker e, em seguida, nas proximidades do Ministério das Relações Exteriores. A Dra. Souad Kout, pediatra e membro do Sindicato Nacional dos Médicos Hospitalares (SNMH FO), lembrou que os relatos sobre as condições de detenção dos palestinos são arrepiantes: assassinatos, amputações sem anestesia, torturas e outros abusos graves. E os médicos e profissionais de saúde não são exceção. O Dr. Patrick Pelloux, presidente da Associação dos Médicos de Emergência da França (AMUF), também presente, pediu que se conceda a nacionalidade francesa ao Dr. Abu Safiya, que se vá resgatá-lo e que o nomeie cidadão de honra da França. Deputados, entre eles Jérôme Legavre, da LFI, estiveram presentes e apoiaram a mobilização e o pedido um de audiência no Ministério. Depois da mobilização, a delegação foi contatada e uma data para uma audiência foi marcada para 24/7. Também em <strong>Nova York </strong>e em<strong> Perth, Austrália</strong>, ocorreram manifestações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Simesp </strong>(Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo) &#8211; que desde a prisão de Safiya integra a campanha por sua libertação – lançou nova nota que apela: “O Simesp apoia a campanha da anistia internacional pela libertação do médico palestino Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, detido desde dezembro de 2024. Enquanto Gaza enfrenta o colapso de seu sistema de saúde, hospitais são destruídos, profissionais seguem sendo mortos, presos ou impedidos de exercer a profissão e milhões de pessoas têm o acesso ao atendimento comprometido. A defesa da liberdade do Dr. Hussam Abu Safiya é também a defesa do trabalho de médicas e médicos em cenários de conflito e do direito da população à assistência em saúde.” </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Conferência Internacional Contra a Guerra, realizada em Londres em 20 de junho (ver OT 965), aprovou uma declaração que inclui um apelo para um dia coordenado de manifestações em todos os países em prol da Palestina, no sábado, <strong>10 de outubro.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Assine e divulgue a petição: </strong><a href="https://freedrabusafiya.com/"><strong>https://freedrabusafiya.com</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tiago Maciel</strong></p>
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		<title>Conferência Internacional Contra a Guerra, Londres 20 de junho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 18:09:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fixo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passar à ação contra os governos responsáveis pela guerra! Após a Conferência Contra a Guerra de 4 e 5 de outubro em Paris, esta foi a segunda iniciativa desse tipo, ocorrida em Londres em 19 e 20 de junho. Reunindo mais de 3.000 militantes, representando centenas de organizações sindicais e políticas de toda a Europa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-30" style="font-size:21px"><strong>Passar à ação contra os governos responsáveis pela guerra!</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Após a Conferência Contra a Guerra de 4 e 5 de outubro em Paris, esta foi a segunda iniciativa desse tipo, ocorrida em Londres em 19 e 20 de junho. Reunindo mais de 3.000 militantes, representando centenas de organizações sindicais e políticas de toda a Europa e dos Estados Unidos. Um fim de semana que materializou, indiscutivelmente, uma ampliação e um aprofundamento consideráveis na necessária articulação de todas as forças disponíveis para deter a política de guerra em escala internacional a serviço das necessidades do imperialismo em crise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização britânica Counterfire apresentou um relato do evento que reproduzimos na sequência. Com base nessa força reunida, um elemento atravessou a discussão: a necessidade de passar à ação! Essa é a conclusão apresentada pela conferência de sábado e pelo apelo que nela foi adotado. Sim, a necessidade de passar à ação em nível internacional com as forças capazes de bloquear a guerra, suas entregas de armas, seus orçamentos de guerra, a militarização da juventude e o alistamento obrigatório, seus cortes em todos os orçamentos sociais. “O inimigo de cada um encontra-se, antes de tudo, em seu próprio país”, destacou Lindsay German, da organização Stop the War Coalition, convidando os participantes tanto a ação coordenada em nível internacional como a ação de cada um contra seu próprio governo, pois bloquear a guerra significa bloquear os governos responsáveis pela guerra. Essa é a tarefa central que se trata de organizar.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-31" style="font-size:21px"><strong>Relato da organização britânica Counterfire sobre a Conferência (trechos)</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="942" height="483" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2.jpg" alt="" class="wp-image-22284" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2.jpg 942w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-300x154.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-150x77.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-768x394.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-819x420.jpg 819w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-2-696x357.jpg 696w" sizes="(max-width: 942px) 100vw, 942px" /><figcaption class="wp-element-caption">Faixas marcam presença de sindicatos britânicos</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mais de 3.000 delegados vindos de toda a Europa se reuniram no Central Hall de Westminster. Na véspera, um clima de entusiasmo predominava, enquanto cerca de 200 delegados vindos da Europa e de outras regiões se reuniam na sede do NEU (sindicato dos professores da Grã-Bretanha), para a reunião preparatória. Lindsey German, da Stop the War, destacou um ponto essencial: a resposta ao projeto imperialista americano não está no rearmamento europeu, e o principal inimigo de cada um encontra-se antes de tudo em seu próprio país. (…) Militantes vindos da Ucrânia e da Rússia defenderam a solidariedade com os dissidentes dos dois países. Estudantes franceses e alemães engajados contra o serviço militar obrigatório, assim como sindicalistas e organizações de vários países, defenderam a ideia de mobilizar o movimento operário contra os recorrentes cortes orçamentários destinados a financiar gastos militares cada vez maiores. Entre os temas prioritários figuravam a condenação do genocídio em curso na Palestina e a necessidade de prosseguir com a solidariedade internacional. Kevin Courtney, presidente da Cuba Solidarity Campaign, também tomou a palavra para destacar o agravamento da crise em Cuba devido ao bloqueio americano e à crescente ameaça de uma intervenção militar dos Estados Unidos. A situação no Sudão também foi abordada, assim como suas ligações com o imperialismo ocidental. (&#8230;)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exemplos de resistência também foram destacados: as imensas manifestações de solidariedade à Palestina, as greves estudantis na Alemanha contra o serviço militar obrigatório, bem como as ações da flotilha internacional Global Sumud (&#8230;). Sukana Rhawani, mãe da prisioneira política de Filton, Fatema Zainab Rajwani, condenada como terrorista por um juiz na semana anterior, prestou um emocionante testemunho sobre o crescente autoritarismo exercido contra o movimento de solidariedade à Palestina no Reino Unido.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>Campanhas contra o alistamento militar</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Estudantes e jovens militantes se reuniram para discutir o lançamento de uma campanha de massa contra o alistamento militar. Felix Kreklow Rojas, estudante alemão em greve, compartilhou sua experiência na organização de greves estudantis contra o alistamento na Alemanha. Estudantes da França, da Espanha, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos também apresentaram suas campanhas. Parlamentares vindos de toda a Europa denunciaram os aumentos dos orçamentos militares decididos por seus governos.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>Baixem as armas e aumentem nossos salários</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O encontro também deu voz a vários dirigentes sindicais, entre eles Ian Hodson (BFAWU – sindicato dos trabalhadores da alimentação), Jo Grady (UCU – sindicato das universidades) e Fran Heathcote (PCS – sindicato dos funcionários públicos). Todos mencionaram os efeitos dos salários estagnados e da queda do padrão de vida sobre seus filiados, bem como a necessidade de se opor a novas deteriorações destinadas a financiar as guerras das classes dominantes. Jo Grady, que havia apresentado com sucesso a moção “Salários, não armas” durante o congresso do TUC (central sindical britânica), destacou a necessidade de os sindicatos intensificarem suas campanhas contra o aumento dos gastos militares. O ponto alto desta sessão foi o discurso contundente de Mustafa Barghouti, médico palestino e dirigente da Iniciativa Nacional Palestina, recebido com uma calorosa ovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda sessão foi dedicada à escalada das tensões de guerra na Europa. Entre os palestrantes estava Jérôme Legavre, deputado da França Insubmissa, que desempenhou um papel decisivo na organização da conferência pela paz de Paris e denunciou o aumento dos gastos militares decidido por Emmanuel Macron. Os delegados franceses, acompanhados por outros participantes, entoaram “Macron, renuncie”.&nbsp; A conferência continuou pelas ruas ao redor do Central Hall, em uma atmosfera que misturava entusiasmo e determinação.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-32" style="font-size:21px"><strong>Chamada para uma campanha de apoio a desertores na Europa</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="946" height="395" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3.jpg" alt="" class="wp-image-22285" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3.jpg 946w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-300x125.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-150x63.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-768x321.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.6-3-696x291.jpg 696w" sizes="(max-width: 946px) 100vw, 946px" /><figcaption class="wp-element-caption">Igor Romanchuk (ucraniano) e Andreï Demidov (russo)  / Matthew M.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As autoridades da União Europeia discutem atualmente medidas severas destinadas a restringir a entrada de cidadãos russos que participaram dos combates, incluindo aqueles que se recusaram a continuar a guerra. Essas medidas já estão se tornando realidade: vários Estados europeus recusam sistematicamente asilo a desertores russos, acusando-os de “cumplicidade” e privando-os de qualquer possibilidade de refúgio seguro. E isso ocorre mesmo quando muitos cidadãos russos foram forçados a servir no exército — uma pressão que não para de se intensificar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, a deserção e o abandono não autorizado de posto dentro do exército russo aumentam em resposta a uma guerra sem fim e aos crimes do regime. Segundo estimativas de jornalistas independentes e da comunidade OSINT, entre 100.000 e 120.000 casos de recusa em participar da violência e dos massacres foram registrados desde o início da invasão em grande escala. Apenas 15% a 20% desses casos resultaram em processos judiciais. A maioria dos desertores permanece na Rússia em medo constante: em caso de prisão, eles correm o risco de tortura, encarceramento, envio para “batalhões de assalto” ou morte na linha de frente. Apenas uma ínfima minoria consegue chegar a um país seguro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A deserção é um instrumento poderoso contra a guerra: ela enfraquece a máquina militar do regime e salva vidas. Apoiar aqueles e aquelas que escolhem a vida e a paz pode acelerar o fim do conflito e se tornar um forte sinal em favor de mudanças internas na Rússia. Conceder o direito de asilo é uma questão de soberania dos Estados nacionais. No entanto, a Europa lhes fecha quase todas as portas. Mesmo na França, onde a CNDA reconheceu que a deserção pode constituir motivo para asilo, apenas algumas pessoas obtiveram proteção. Na Alemanha, no início de 2026, as autoridades começaram a multiplicar as recusas de asilo dirigidas a desertores russos. Paralelamente, vários países da UE consideram uma proibição total de entrada para todos os cidadãos russos que participaram da guerra, privando assim indivíduos do direito à vida e à proteção humanitária. Da mesma forma, por razões humanitárias, reconhecemos o direito dos desertores ucranianos à proteção na UE. O direito à vida e à liberdade prevalece sobre os direitos do Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exigimos medidas imediatas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">● Reconhecer a recusa em participar da guerra (deserção e abandono não autorizado de posto) como motivo legítimo para obter o direito de asilo em cada um dos países e proteção da União Europeia. Trata-se de um ato de consciência e de uma recusa em participar de crimes.<br>● Emitir documentos de viagem humanitários (salvo-condutos) para pessoas sem passaporte internacional, para que possam viajar com segurança para a UE e apresentar um pedido de proteção.<br>● Informar amplamente a população russa sobre as possibilidades de proteção, para que a deserção se torne uma escolha realmente acessível, e não um ato desesperado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada recusa de proteção coloca uma vida em perigo. Cada porta aberta é uma oportunidade para a paz e para transformações internas. A Europa deve abrir suas portas àqueles que escolhem a vida e a humanidade — e não reforçar a guerra e a repressão.</p>



<p class="has-background wp-block-paragraph" style="background-color:#f2f2f2"><img decoding="async" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2026/06/p.10-IO0905.jpeg" style="width:177px;height:auto"><br><strong>Apelo adotado pela Conferência</strong><br>Não à militarização e ao recrutamento obrigatório!<br>Recursos para o bem-estar, não para a guerra!<br>Desde esta conferência internacional contra a guerra, elevamos nossas vozes unidas: contra a guerra e o genocídio, contra a ameaça nuclear crescente, e pela paz. Nós nos reunimos para tocar o alarme: para parar o avanço rumo à guerra, assim como o nacionalismo e o racismo que ela gera. Juntos, dizemos NÃO ao rearmamento e ao alistamento obrigatório, e SIM a sistemas de saúde, educação e serviços públicos devidamente financiados, a empregos dignos e a salários mais altos.<br>Reconhecemos e condenamos a cumplicidade dos governos que facilitaram e continuam a permitir o genocídio na Palestina, que alimentaram o terrível banho de sangue e impediram um cessar-fogo na Ucrânia, que atacaram o Irã soberano, o Líbano e o Iêmen, e que continuam a conduzir guerras e intervenções militares em todo o mundo. Milhões de pessoas morreram ou ficaram feridas, as infraestruturas foram destruídas, vidas e esperanças foram arrasadas, a fim de salvar o sistema capitalista que gera a guerra e a barbárie.<br>Não aceitamos o regresso ao caos e à guerra, da qual grande parte pode ser atribuída ao imperialismo americano. Rejeitamos absolutamente a intervenção política e militar de Trump na Venezuela, suas ameaças de guerra contra Cuba, e afirmamos nossa solidariedade com os povos de todos os países ameaçados por Trump e seus aliados. Reconhecemos e condenamos também o papel dos governos europeus, em particular os de Starmer, Macron e Merz, na escalada do avanço rumo à guerra: nós rejeitamos sua preparação ativa para a guerra, que se desenvolve em todo o continente, o aumento constante dos gastos militares da Otan, e nos comprometemos a nos opor a isso e a fazê-los recuar.<br>Rejeitamos a degeneração de nossas sociedades provocada pelo saque das riquezas públicas, retiradas de nossos territórios e de nossos serviços públicos para serem colocadas nos bolsos dos fabricantes de armas. Não somos enganados pela falsa narrativa de que os gastos com armamentos permitiriam regenerar nossas indústrias e nossas economias. Apoiaremos e incentivaremos a mobilização sindical contra os gastos militares. Defendemos investimentos verdadeiros em nossas sociedades, a fim de garantir uma segurança real aos trabalhadores e a toda a população: para nossos sistemas de saúde, para salários e condições de trabalho dignos, para os transportes, a educação e a moradia. Não aceitaremos nem o alistamento militar nem a militarização da educação: não permitiremos que nossos filhos e nossas filhas sejam enviados para matar e morrer.<br>Enfrentamos obstáculos formidáveis e desafios sem precedentes. Hoje, reconhecemos que a única maneira de sermos eficazes diante das forças poderosas que se levantam contra nós é nos organizarmos internacionalmente e agirmos de maneira estratégica no interesse dos povos. A solidariedade é crucial, assim como é igualmente importante a coordenação internacional, com o movimento operário, para responder aos governos belicistas e ao aumento dos gastos militares. Trabalharemos juntos na elaboração de uma estrutura que permita avançar.<br>Construir esse movimento é essencial para garantir um futuro para nosso planeta e para a humanidade. Esse é nosso compromisso hoje: organizar um movimento forte pela paz, contra o projeto imperialista americano, e lutar pela vida e pelos meios de subsistência de todos os trabalhadores, por um outro mundo, melhor.<br>Convocamos a participar de:<br>– o dia 10 de outubro pela Palestina, para pôr fim a três anos de genocídio e a décadas de ocupação e apartheid;<br>– um fim de semana de ação contra a militarização e o recrutamento obrigatório, nos dias 21 e 22 de novembro;<br>– o dia de ação dos trabalhadores portuários contra a guerra, em outubro, cuja data ainda está por confirmar.<br>Também convocamos a promover o logotipo da conferência – de Paris e de Londres – para dar às nossas ações uma visibilidade e um conteúdo internacionais, e para apoiar as reuniões e iniciativas que se baseiam neste apelo.</p>
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		<title>Rebelião popular na Bolívia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 13:19:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Bolívia volta a ocupar o centro da cena política latino-americana. Greves, bloqueios de estradas, marchas populares e assembleias de base atravessam o país em uma nova onda de mobilizações sociais contra o governo de Rodrigo Paz.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Por <strong>EVERALDO DE OLIVEIRA ANDRADE</strong> (<em>professor do Departamento de História da USP. Autor, entre outros livros, de</em> Bolívia: democracia e revolução. A Comuna de La Paz de 1971 [<em>Alameda</em>])</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Bolívia volta a ocupar o centro da cena política latino-americana. Greves, bloqueios de estradas, marchas populares e assembleias de base atravessam o país em uma nova onda de mobilizações sociais contra o governo de Rodrigo Paz. Mais do que uma explosão conjuntural de descontentamento econômico, a crise atual revela contradições acumuladas ao longo de duas décadas e recoloca em movimento uma das mais profundas tradições de luta popular do continente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A eleição de Rodrigo Paz ocorreu em meio ao desgaste político do bloco construído em torno de Evo Morales e do Movimiento al Socialismo desde 2006. Durante quase vinte anos, o MAS foi capaz de derrotar eleitoralmente as agendas neoliberais tradicionais, ampliar direitos sociais, fortalecer a presença estatal sobre recursos naturais estratégicos e criar empresas públicas fundamentais para a economia do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, porém, o projeto político do MAS buscou permanentemente uma estratégia de conciliação com setores empresariais e do agronegócio boliviano. A nova Constituição de 2009, apesar de incorporar importantes demandas indígenas e populares, já expressava os limites desse pacto. As políticas neodesenvolvimentistas implementadas nos anos seguintes permitiram crescimento econômico e certa estabilidade social, mas mantiveram forte dependência da exportação de commodities, especialmente do gás natural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crise internacional de 2008 atingiu duramente essa base econômica. O projeto de diversificação produtiva não chegou a produzir efeitos estruturais duradouros, e os limites do modelo tornaram-se cada vez mais evidentes. Paralelamente, medidas de ajuste implementadas ainda sob os governos do MAS, sobretudo durante a gestão econômica de Luís Arce, aprofundaram o desgaste junto a setores populares urbanos e camponeses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi nesse cenário de fragmentação política e insatisfação social que Rodrigo Paz construiu sua vitória eleitoral, apresentando-se como alternativa de renovação política. Mas o novo governo rapidamente abandonou qualquer ambiguidade. Seu alinhamento com o programa liberal continental e com a extrema direita latino-americana tornou-se imediato.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O decreto 5503 inaugurou um conjunto de medidas de choque contra a economia popular. Em seguida, o governo aderiu ao projeto “Escudo das Américas”, impulsionado pelos Estados Unidos, aprofundou cortes nos subsídios aos combustíveis e promoveu a chamada Lei 1720, que facilitava a concentração fundiária e ameaçava diretamente as terras comunitárias indígenas e camponesas ao permitir sua financeirização. A forte reação popular obrigou o governo a recuar parcialmente e revogar a legislação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, a deterioração das condições de vida continuou avançando. Inflação, desemprego, queda do poder de compra e aumento do custo dos combustíveis produziram um cenário explosivo. O estopim veio em 1º de maio, quando o governo se recusou a conceder reajuste salarial. A partir daí, multiplicaram-se as mobilizações em todo o país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trabalhadores urbanos, camponeses, organizações indígenas, transportistas e sindicatos passaram a organizar marchas, paralisações e bloqueios de estradas. A Central Obrera Boliviana apresentou uma pauta unificada de 22 pontos em defesa dos salários, contra privatizações e medidas liberais, incorporando também a exigência de renúncia do presidente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dimensão continental da crise boliviana é evidente. Rodrigo Paz converteu-se rapidamente em aliado estratégico do projeto hemisférico impulsionado por Donald Trump e pela extrema direita latino-americana. A integração da Bolívia ao “Escudo das Américas” não possui apenas dimensão militar ou diplomática: trata-se da tentativa de enquadrar recursos estratégicos do país – gás, lítio, terras raras e territórios agrícolas – aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e das grandes corporações multinacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As elites bolivianas historicamente mantiveram profunda dependência econômica e política em relação ao capital internacional. Os grandes proprietários do agronegócio em Santa Cruz e grupos financeiros urbanos acreditavam que a vitória eleitoral de Paz permitiria desmontar rapidamente as conquistas sociais e os mecanismos de organização popular construídos desde as jornadas insurrecionais da Guerra da Água e da Guerra do Gás, no início dos anos 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a atual rebelião demonstra justamente o contrário. A tradição de luta popular boliviana permanece viva. Os bloqueios e assembleias populares reaparecem como instrumentos centrais de resistência e auto-organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os chamados comitês de bloqueio surgidos em regiões como El Alto, Senkata, Ventilla e Puente Vela possuem enorme significado político. Esses espaços articulam trabalhadores urbanos, camponeses, povos indígenas e setores populares em formas de deliberação coletiva e coordenação territorial profundamente enraizadas na história boliviana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata apenas de instrumentos táticos de mobilização. Sua emergência revela a permanência de tradições de democracia direta e organização comunitária que remontam à Revolução de 1952, à Comuna de La Paz de 1971 e às grandes jornadas populares do início do século XXI.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses organismos expressam uma crítica prática à burocratização de parte da Central Obrera Boliviana e de importantes sindicatos históricos. A pressão das bases e o desenvolvimento de formas autônomas de organização impulsionam uma possível recomposição do caráter combativo do movimento operário boliviano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A própria pauta de 22 pontos da COB demonstra esse movimento ao conectar reivindicações econômicas imediatas – salários, subsídios, defesa dos serviços públicos – com uma luta política aberta contra o governo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência boliviana recoloca no centro da discussão latino-americana uma questão decisiva: os limites das estratégias exclusivamente institucionais diante do avanço da extrema direita. As eleições seguem sendo terreno importante de disputa, mas encontram-se cada vez mais condicionadas pelo poder econômico, pelo controle das plataformas digitais e pela intervenção geopolítica das grandes potências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vitória de Rodrigo Paz capturou momentaneamente a crise do bloco popular organizado em torno do MAS, mas não eliminou as transformações sociais e políticas produzidas desde 2006. O próprio MAS carrega limites profundos em seu modelo econômico e em suas práticas políticas, porém consolidou-se historicamente como principal instrumento de oposição às agendas neoliberais da direita boliviana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grande erro do novo governo foi imaginar que sua vitória eleitoral representava autorização irrestrita para aplicar um programa ultraliberal de choque. A resposta popular recoloca em cena a memória das jornadas de 2003, que derrubaram Gonzalo Sánchez de Lozada após as guerras da água e do gás e abriram caminho para a ascensão de Evo Morales.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Brasil e para toda a América Latina, a rebelião boliviana traz uma lição política central: a resistência às agendas ultraliberais e autoritárias depende da capacidade de organização da classe trabalhadora, da unidade entre sindicatos, movimentos populares e coletivos territoriais, e da construção de formas concretas de poder social enraizadas nas necessidades das maiorias exploradas e oprimidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://aterraeredonda.com.br/rebeliao-popular-na-bolivia/" type="link" id="https://aterraeredonda.com.br/rebeliao-popular-na-bolivia/">Artigo originalmente publicado na revista eletrônica A Terra é Redonda</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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